A Justiça tem destas coisas - às vezes acerta outras atira ao lado. Dá
uma no cravo e outra na ferradura. Quem não atira ao lado é a agente da PJ que
agora foi ilibada do crime de que chegou a tribunal acusada. Absolvida! disseram eles, os juízes. O que é certo é que a velha
morreu com uma boa dezena de tiros e que se saiba não fui eu o autor. Nem fui
eu que surripiou uma "glock" da gaveta da secretária duma
colega e a levei escondida na liga da perna, carregada de balas calibradas para
despachar a idosa que até tinha um mealheiro, que ao que se sabe também, não
tinha a forma de um porquinho, mas antes se parecia com um pé-de-meia. Mas a
sentença foi clara assim assim - "in
dubio pro reo". Até os juízes ficaram "in dubio". Nós já há
muito que vivemos com ela. A Justiça pode queimar-nos a consciência, mais do
que o cano de uma metralhadora acabada de dar fogo, ou uma simples omoleta que
nos queima a mão e nos deixa um cheiro a pólvora. Os tribunais quando assim
julgam e actuam perdem a credibilidade que precisam ter, e manter. Antes
parecem transmitir que quando se trata de defender a "um membro da família que come
à mesa do mesmo Orçamento", logo tratam de arranjar uma "sentença" condizente e conveniente.
Lembram “saltões”. Neste momento tenho o telemóvel desligado, e (n)este
portátil em que escrevo, também se encontra fora do alcance das antenas que
detectam identificações, sinais e locais, para que ningúem se lembre de me
processar, por tentar chegar à verdade, e perceber por que razão ou carga de
água ou jorro de sangue, este país está como está – a meter água ou a sangrar.
Mas o meu velho que morreu de perplexidade e às mãos da pobreza, já
dizia,- cada um tem o que merece!
terça-feira, 9 de setembro de 2014
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Godinho & Sucatas Associados
O país está em choque, Armando Vara também. O país está pasmado, Godinho
ainda não acordou. O Ministério Público costuma pedir penas severas mas o
Tribunal raramente lhe faz a vontade. Desta vez surpreendeu-nos. Os juízes até
excederam a pena pedida pela acusação. Costumam absolver ou reduzir a metade,
as sanções, pelos crimes cometidos e julgados. Ainda há o clã Penedos. Pai
& filho associados e condenados. O ex presidente da REN, pasme-se, apanhou
cinco anos de choldra efectiva. O filho acompanha o pai. Compreende-se, é
filho. O ex da EDP imobiliária, também não escapou. Foi apanhado por tabela e
apanhou por medida e por corrupção passiva. As influências de uns com outros
que são todos, os que entram nas sucatas. O negócio estava sujo mas lucrativo.
A ferrujem não atacou desta vez os agentes da Lei e do Estado de Direito. O
país está a mudar. Falta a partir de agora saber a quem é que o Tribunal de
Aveiro quer mandar o recado. "Merci pour ce moment"!
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
No gume da cirurgia
Dentro de algum tempo, dias serão ao que julgo, vou submeter-me ao gume da faca em linguagem de magarefe, mas bisturi, em definição técnica especializada. Não por que a minha vida deslize hoje no fio da navalha, mas as sondas enviadas pelo corpo adentro, enviam sinais de entupimento e preocupação. Os tubos não deixam passar com eficácia o soro necessário e a seiva decente que alimenta e oxigena o motor, com boa rodagem e pronto p´rás curvas, capaz de acelerar ainda, dependendo da pista, sejamos claros. Ainda não há data definida para a operação cirúrgica bruta que a necessidade aconselha com pressa moderada, mas a hesitação berra e embirra com a rebarbadora rude e cega que aguarda, e já se ouve o seu ruído a ensaiar a manobra ali para os lados do Porto, num edifício com nome de santo tripeiro - O mais provável. Com esperança e um bom pedaço de tranquilidade abrirei o peito a este "poema", do ramo mecânico ou heavy metal, e preparado para receber numa troca de valores e de canos gastos e cheios de calcário, onde nem o "calgon" resultou, por outros com provas dadas e que de tripa limpa e da perna serão, que responderão bem à transferência e aceitação do novo lugar aonde instalar, previsto e documentado. A garantia de que o motor está bom, sem nunca ter sido posto em causa no asfalto da paixão sórdida ou sorrateira na idade ardente, é mais de meio caminho andado para fazer a viagem de volta ao meu posto, às palavras e à vossa companhia. Já sem o cansaço que me vem incomodando para grande surpresa minha com um passado de atleta e de Ranger. Até lá, vruuuum e pedal a fundo, sempre a bombar, antes que me enfarte de tudo isto, a que muitos e mais alguns chamam, risco, outros vida ou viver!
terça-feira, 2 de setembro de 2014
"Estatísticas"
Nas páginas dos jornais desenham-se umas barras esticadas ao alto,
coloridas e de tamanho desigual, que dizem ser gráficos de estatísticas
representativas do número de mortos nas praias do nosso Atlântico, que
querem traduzir que estão a baixar em relação a anos anteriores. Ao mesmo
tempo, outras nos dizem que o número de incêndios florestais também diminuíram
nesta última década, ou seja em idêntico período. Os especialistas, quer os do
ISN(Instituto Socorro a Náufragos), quer a Autoridade Nacional de Protecção
Civil e o ICNF(Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas)-uuff!-,
adiantam explicações para o sucedido, realçando, como quem recolhe louros das
algas e das cinzas, que a eles se deve tal sucesso. O ISN reclama que tal
diminuição de mortos nas praias costeiras e rios das encostas se deve a grandes
campanhas de esclarecimento e bem conduzidas, assim como ao trabalho dos
municípios. Os técnicos ligados aos incêndios também encontram o calor do júbilo
pelo menor número de fogos, e que a eles e às medidas saídas das mangueiras da
competência postas no terreno, se deve igualmente. Será coincidência ou outra a
razão, para que na mesma década tenham diminuído os casos trágicos em relação a
anos anteriores? A questão não é tão líquida assim e tão seca que não requeira
uma valente e reflexiva rega. A nós, parece-nos, que quer o número de fogos nas
matas, quer o número de afogamentos nas praias têm a haver e coexistem com os
anos em que afogamos na pobreza, na austeridade até ao pescoço, na falta de
condições para sair de casa, viajar, fazer piqueniques à volta da fogueira, ir
à praia tomar um banho de relax, etc. Se todos ficarmos em casa,
passarmos os dias e as férias a olhar para o tecto e no convívio dos ratos, ou
sentados na soleira da porta à conversa com o vizinho e a jogar a bisca lambida
na tasca imaginando estar num resort, ou no jardim da velhice e à sombra
do vazio, os casos relatados, e ilustrados por barras com as cores do sucesso,
como se saíssem do atelier de Siza ou de Souto Moura, de combate aos fogos ou
de afogamentos no mar e no rio diminuem de certeza drásticamente. Desde que
entretanto não apareça um rectificativo a contabilizar as mortes na
banheira doméstica, nestes dias de canícula setembrista, as estatíticas hão de
bater certo mas não traduzem a realidade à semelhança das traçadas e muito
propaladas para o desemprego sem ter em conta a emigração e a eliminação
interna por desistência. A isto tudo, é o que se pode chamar de "fogo de
artifício" generalizado, que se quer apagar com água política, traiçoeira
e suja. A divulgação destes estudos(!) que originam tais estatísticas
provam que não são como o algodão. Antes garantem que nós estamos ausentes de
todos os lugares.
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