quarta-feira, 11 de junho de 2014

O fraco 10 de junho

Ainda hoje está por se saber se a indisposição sofrida pelo homem que na cerimónia de distribuição de títulos e medalhas, condecorações de e às ordens de feitos mais ou menos desconhecidos, se deve ao facto de não constar o meu nome na lista das nomeações. O homem incumbido de tal competência, penso eu, quando se apercebeu de tal falha, deu-lhe um treco e teve que ser de pronto amparado e socorrido pelos guarda-costas, estratégicamente ali em missão. Cousa afinal a que está habituado desde longa data, muitos dez-de-junho, de Camões e de outras relevantes personalidades em várias e bastas áreas. Áreas, que não eram própriamente aquelas aonde se amontoaram pessoas anónimas, empunhando cartazes denunciadores de protesto contra a política nacional que faz pobres e marginalizados históricos, e ao mesmo tempo figuras e figurantes reconhecidos e recompensados, sabe-se lá por quê, que se riqueza for, ela não chega a casa do desgraçado. Mas a cerimónia decorreu quase perfeita, não fosse estes percalços: - a falta de uma condecoração de mérito que devia ser-me destinada, o desmaio imprevisto da Excelência quando detectou o erro no discurso oficial, e a manif perseguidora provocada por gente irritante e gritante, que não quer ir ao chão sem dar luta ou mandar recado do descontentamento que carrega na vida. E que nem sequer com tal Excelência dobrada sobre si mesma e suportada pelas forças fardadas, fizeram uma pausa ou abriram uma trégua aos protestos por medidas e leis que os esmagam. Assim, a minha interrogação, que dúvida é, prende-se com o motivo ou a causa que levou quase ao tapete o dono-das-medalhas, incumbido de as distribuir com elevação na cidade mais alta de Portugal, e no seu dia de maior significado. Reflecti, equacionei, voltei a somar e a dividir, e após este exercício matemático, este trabalho todo, regressei ao óbvio já apontado - que foi pelo facto de me terem subtraído e afastado das nomeações por obras valorosas, é que deu aquela fraqueza repentina ao responsável máximo que presidia ao acto nacional e tornou o dia numa imagem simbólica que correrá mundo sobre o estado da nação. Mas quem sou eu afinal, para merecer subir ao palco aonde se senta a elegância com a bandeira na lapela por um lado, e a autenticidade e o valor por outro, reconheça-se? Apenas aquele que trabalha e mantém o País de pé, que sofre e sangra, que é roubado, descrimininado, e desrespeitado continuamente - O Povo. Simplesmente!


Sem comentários:

Enviar um comentário