A decisão dos juízes de uma "relação" de Lisboa, de repente
delibera, que um recluso quase arrependido(!) vale por dois homens íntegros e
honestos. E mais ainda se esse personagem estiver em boa forma física capaz de
abraçar uma carreira de consultor e até de retomar depois da poeira judicial
assentar, o seu lugar na sociedade dos governantes de avental e colar, no
comando a régua e esquadro de autarquia saudosa, de mandar umas baforadas para
o ar saidas de um charuto atrevido e demagogo, a formar uma nuvem que não nos
deixe enxergar direito o que de torto há nesta recambolesca matéria com
sentença anexa. O presidente de uma Fundação com nome pombalino, bateu as asas
e foi posto em liberdade limitada, mas tem assegurado o pão com fiambre,
manteiga e caviar regado com "Alvarinho" no mínimo. Uma reforma para
já de 2800 euros não são trocos, a que se juntarão os rendimentos obtidos na
promissora tarefa de consultadoria, sempre há-de dar para juntar mais um
queijinho da serra. Aprendamos todos com quem sabe destas coisas ligadas às
falcatruas sem taxímetro ligado, e não temam por cadeia pois está visto que
quem sai de lá, trás uma "experiência enriquecedora e que merece ser
contada em livro, até por motivos pedagógicos". Aprendamos mais. Pelo
vistos, há gente capaz de enriquecer esteja aonde estiver. Não é o meu caso.
Sempre que estou ou saio de casa dizem os governantes da nação, que estou em
dívida e por isso mais pobre. Para dar a volta a tal situação, lembrei-me
também de tirar um curso extra-escolar de Educação Física, que me dê os
atributos musculados que me faltam, de forma a estar melhor preparado para
fugir às polícias quando for perseguido por fuga ao Fisco, à Segurança Social
ou outra qualquer "falha ética", que agora me escapa. A lição maior a
tirar, é que vale a pena estar detido numa penitenciária lusa, atenciosa, já
que todo o tempo que lá passamos dá numa consciencialização crítica, cheia de
assunto misterioso e moral romanesca, a publicar em breve por editora perspicaz.
Prova de que compensa publicar o crime, e que não se deve dar por perdido esse
tempo de reclusão, de pena leve ou de clausura privilegiada(!). Sendo que o
saldo é positivo e nos torna num homem novo, sem arrependimento nem mancha,
digamos - mais branqueado dos pés à cabeça!
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