A serenidade voltou e com ela todos regressam a casa. A bandeira foi
recolhida, a pala do boné virou-se para o sítio certo, as quinas e os castelos
vão continuar guardados para enfrentar próximas batalhas. As conquistas de novo
virão em forma de promessas, mas só nos amanhãs da fantasia renascida que será
recriada pelos media até ao tutano, sendo certo que ganharemos sempre
tudo antes de tudo começar. Somos assim. Um misto de nacionalistas e de
ingénuos, com comentários a roçar a idiotia, de que a imprensa escrita e a da
imagem usa e abusa com fins de negócio e dentro da ética do “mercado
mercantilista”. Mas agora que a normalidade enfrenta a realidade, talvez
voltemos às coisas que tornam os dias sérios, tal como eram antes de nos
armarmos em campeões de tudo e de nada, e possamos com mais calma ir até à
caixa do correio, e com olhos de ver, tirar de lá as contas para pagar que
entretanto chegaram, e são da luz e da água, e são do fisco e do banco e da
seguradora, e são do senhorio que reclama do atraso, e são da ameaça do
desemprego, do filho reivindicador de maior atenção, da protecção que acabou e
que subsidiava o infantário e escola, da recolha alimentar contra a fome, da
factura da oficina-auto, das prestações do plasma que foi adquirido só por
causa da bola que escorregava na humidade do ar e na relva da amazónia, e...
ah! o processo de divórcio caro e infindável. Com isto neste pé a bola da
angústia não nos larga, e na garganta manter-se-à a secura dos dias da véspera
em que tudo se quis esquecido. Se resolvermos na melhor direcção este jogo que
nos faz calos nas mãos e bolhas no coração, esta carga de trabalhos que nos
espera, talvez sejamos verdadeiramente os "melhores do mundo"- Esteja
o calor ou o frio que estiver!
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