Recuso pronunciar-me sobre o 25 de Abril de 74. Os novos oportunistas,
aqueles que dele tiraram e retiram dividendos e fortuna, os novos ricos, os
mais recentes exploradores dos que trabalham ou dos que sem sustento neste
lamacento pedaço de terra, emigram, os novos gatunos do erário público, os
gestores modernos que se abotoaram através das mais avançadas técnicas de
administração, na banca e nas empresas sofisticadas e protegidas pelo Poder
caido nas mãos dos seus amigalhaços e promissores colaboradores, que já o eram
e hão-de ser, porque de lá vieram e hão-de voltar, que falem eles que não são
poucos, do Abril com 40 anos e mais uns tantos, de onde uns estavam bem e
outros se fizeram melhor, à custa do zé-povinho. Que falem eles desse Abril que
a uns abriu e a outros escancarou as portas do "sucesso e da
impunidade". Os governantes medíocres que conduziram o país dos cravos e
das rosas, que discursem sobre tal data cheia de trocados efes - fado fantasia
e fome. O povo não tem nada de que se lamentar. Que fale quando é chamado a
votar sabedor, ou se cale para sempre nas eleições oficiais que legitimam o
mal. Quem o obriga a votar em quem tem votado para governar o país que os
mantém no passado pobre, e na miséria actual que já está projectada para o futuro?
Que fizeram da vassoura atrás da porta que os pais lhes deixaram e que nem Maio
fechou? Não foi só para varrer os espinhos que Abril espalhou e nos armadilhou
a entrada na felicidade. Usem-na e ousem ser felizes!
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