sábado, 15 de fevereiro de 2014

Depilagem


Uma dúzia de médicas e de outros técnicos de saúde do Hospital S.João, estão acusadas e indiciadas de prática de crime por uso e abuso e de falsificação, em gastos e despesas em tratamentos de embelezamento íntimo a suportar pela ADSE, em montantes ridículos quando comparados com o que se segue, embora não deixem de ser graves e inadmissíveis. Eu só em parte as condeno porque compreendo os desvarios da sua actuação em área onde se busca bem-estar. Não acredito qua as despesas por elas apresentadas a reembolso à sua Direcção-Geral de Protecção Social, fosse com intuitos de enriquecimento ilícito. Não creio que recorrer aos serviços de uma Clínica do Pelo para remover um buço, limpar um sovaco ou acarecar a púbis, em suma, tornar o corpo mais macio constitua crime severo. Atendendo à profissão que exercem até considero uma vantagem aquele pessoal ou "corpo hospitalar" estar bem depilado, não vá um pelo cair durante uma intervenção médica, no soro ou num preparado a aplicar ao doente que têm em mãos, que estando consciente até há-de apreciar a macieza do acto a que se sujeita. As acusações que sobre elas pendem são várias. Burla, falsificação de documentos, e aproveitamento da profissão para favorecimento de familiares. Coisa banal em todas as áreas do Poder neste país. No que me toca, eu prefiro o atendimento por uma médica ou enfermeira macia, suave, bem feminina, e por isso aceito a sua preocupação com a beleza e apresentação no hospital, do que ser atendido em autarquia por um peludo ou peluda qualquer e que nos rapa a carteira se puder. Elas com certeza só querem agradar aos doentes. Dá saúde e encanta mais ver umas mulheres assim mesmo em bata de trabalho, do que mirar na praia aquelas, em maillot, com a pelugem a sair pelas bordas fora. Agora que estão debaixo de sanções e que lhes querem chegar ao pelo com penas desproporcionadas, eu pergunto: - não será bem mais grave e constitui um crime mais reprovável e que devia levar à prisão todos aqueles que estão envolvidos no Caso dos Submarinos, que lesaram o Estado português, ou seja o povo, em muitos milhões de euros e em proveito privado e que agora foram absolvidos pela Justiça, sem pudor, enquanto as "depiladas" a operar no HSJ já estão sob investigação e sanção preventiva, sem que se tenha provado ainda, que foram reembolsadas pela sua "caixa"? E que dizer dos tantos benefícios obscenos que os deputados da Assembleia da República ou Casa do Povo(!) retiram, até nos preços irrisórios que pagam ou devem ao balcão do bar lá instalado e que são por nós subsidiados? Incongruências à portuguesa. Que ninguém se arrepie por mais esta delapidação. Perdão, - depilação!


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