Uma dúzia de médicas e de outros técnicos de saúde do Hospital S.João,
estão acusadas e indiciadas de prática de crime por uso e abuso e de
falsificação, em gastos e despesas em tratamentos de embelezamento íntimo a
suportar pela ADSE, em montantes ridículos quando comparados com o que se
segue, embora não deixem de ser graves e inadmissíveis. Eu só em parte as
condeno porque compreendo os desvarios da sua actuação em área onde se busca
bem-estar. Não acredito qua as despesas por elas apresentadas a reembolso à sua
Direcção-Geral de Protecção Social, fosse com intuitos de enriquecimento
ilícito. Não creio que recorrer aos serviços de uma Clínica do Pelo para
remover um buço, limpar um sovaco ou acarecar a púbis, em suma, tornar o corpo
mais macio constitua crime severo. Atendendo à profissão que exercem até
considero uma vantagem aquele pessoal ou "corpo hospitalar" estar bem
depilado, não vá um pelo cair durante uma intervenção médica, no soro ou num
preparado a aplicar ao doente que têm em mãos, que estando consciente até há-de
apreciar a macieza do acto a que se sujeita. As acusações que sobre elas pendem
são várias. Burla, falsificação de documentos, e aproveitamento da profissão
para favorecimento de familiares. Coisa banal em todas as áreas do Poder neste
país. No que me toca, eu prefiro o atendimento por uma médica ou enfermeira
macia, suave, bem feminina, e por isso aceito a sua preocupação com a beleza e
apresentação no hospital, do que ser atendido em autarquia por um peludo ou
peluda qualquer e que nos rapa a carteira se puder. Elas com certeza só querem
agradar aos doentes. Dá saúde e encanta mais ver umas mulheres assim mesmo em
bata de trabalho, do que mirar na praia aquelas, em maillot, com a pelugem a
sair pelas bordas fora. Agora que estão debaixo de sanções e que lhes querem
chegar ao pelo com penas desproporcionadas, eu pergunto: - não será bem mais
grave e constitui um crime mais reprovável e que devia levar à prisão todos
aqueles que estão envolvidos no Caso dos Submarinos, que lesaram o Estado
português, ou seja o povo, em muitos milhões de euros e em proveito privado e
que agora foram absolvidos pela Justiça, sem pudor, enquanto as "depiladas"
a operar no HSJ já estão sob investigação e sanção preventiva, sem que se tenha
provado ainda, que foram reembolsadas pela sua "caixa"? E que dizer
dos tantos benefícios obscenos que os deputados da Assembleia da República ou
Casa do Povo(!) retiram, até nos preços irrisórios que pagam ou devem ao balcão
do bar lá instalado e que são por nós subsidiados? Incongruências à portuguesa.
Que ninguém se arrepie por mais esta delapidação. Perdão, - depilação!
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