domingo, 26 de janeiro de 2014

"Lost - a Ilha do Daniel"

Sabem os portugueses há quantos anos o 25 de abril aconteceu? Sabem os eleitores há quantos anos o arquipélago da Madeira é governado(!) por Alberto João Jardim e o seu partido político? Pois bem, eu conto-lhes. É desde a pré história da dita Revolução. Na ilha, por aquelas escarpas e graciosas levadas, vivem agregados inteiros mas ao mesmo tempo, famílias despedaçadas em condições desumanas, como não lembra ao diabo tê-las em tal inferno. Eu já recolhi e revelei em foto tão trágico modo de viver, por aquelas encostas acima, envoltas em nevoeiro sinuoso e em lágrimas. Água quase tudo. É um tema recorrente. De vez em quando lá vem à baila o bailinho real que arrasta os ilhéus desde aquela Era que foi esperança e hoje é desilusão, que os põe a dançar, lhes marca o passo, e lhes dá música pelas eleições, mas que os mantêm há anos velhos naquela montanha de pobreza miserável. Quem viu as imagens divulgadas pelos meios de comunicação, pôde confirmar os efeitos de uma governação(!) também ela indigna, ao longo e por dentro de tanta democracia(!), de esbanjamento dos milhões de dinheiros públicos, e que tem um personagem com nome e responsável pelo estado de abandono e sofrimento em que sobrevive muita gente que habita a ilha e que foge ou se esconde mal veja uma máquina fotográfica, quando é apanhada a estender ao sol, bocados de roupa gasta. Alberto João Jardim, assim se chama o senhor da ilha. É ele e a sua "entourage" política, que mantém naqueles barracos a cair  imundos como pocilgas, os portugueses da Madeira. Qualquer tenda de feira medieval ou de campo de refugiados, qualquer rulote ou caravana de passeio, oferece melhores condições para cuidar de uma família, educar e criar filhos com saúde. Mas o dono da ilha, sempre preferiu cantar no "chão da lagoa" a canção do bandido, e ofender constantemente o povo que lhe paga  o pão rico e a mesa luxuosa, e a boa vida num palacete de pasmar. E chamar barraco àquelas instalações de onde o Daniel quer um dia partir para sempre, é ser-se mentiroso. O que as imagens mostraram é um chiqueiro aonde o Líder madeirense devia passar as suas férias, e desse modo sentir que aquele lugar imundo não é um "porto santo" para se viver com dignidade. E não é de agora nem foi preciso que tenha acontecido mais um caso de criança desaparecida, para que o drama em que se "acomodam e confortam na dor" famílias numerosas e com alma por dentro e fora do Funchal, para que a ilha do Jardim seja (má) notícia.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Ser português

Ser português é isso mesmo o que nos mostraram as imagens na tv, e que correm no "iútube". Por onde quer que um português ande, a sua pegada, o seu estilo, educação, força de trabalho e de talento sempre se faz sentir. Não é senhor de deixar marca por via de crimes estrondosos capazes de se tornarem fita de cinema ou sequer de se tornarem célebres por via de romance, mas sabem afirmar-se no mundo do trabalho, e quase sempre louvados pela seu estóico esforço, humildade e honestidade, excepto quando lhe chegam com um archote a arder junto dos "tomates" ou a mostarda ao nariz. A prova está, se caso fosse preciso provar, numa reacção de Toni, enquanto treinador por terras da arábia durante uma conferência de imprensa, e agora na atitude de Vitor Pereira, ex-técnico do FCP, também durante um flash-interview num cenário teatral muçulmano, após um jogo de futebol lá por aquelas bandas. Quer o ex-jogador e treinador do Benfica, quer o ex-treinador dos Dragões, demonstraram que é preciso quatro pessoas no mínimo para enterrrar um português, mesmo depois do desastre de Alcácer-Quibir, que se deveu apenas a erros de juventude e imbecialidade a mais, de um rei, que se sentava no trono como suplente e que reinava em fora de jogo. Se com Toni, foi lançada a primeira pedra sinalizadora da nossa afirmação, com Vitor Pereira foi colocado mais um padrão magalítico a atestar a nossa presença, personalidade e assunção da liberdade. Além disso, espalhamos por terras de areia e de camelos, a fé que temos em nós, e erguemos a voz para dizer que não é qualquer um que veste saia ou saiote, ainda que cheire a petróleo, cobre e pague em dólares, que dá ordens e determine a um português como se de um refém se tratasse, sobre o que este deve ou não pronunciar-se numa ou outra entrevista, e em matéria que só ele sabe e pela qual responde, e que o árabe entende supervisionar, como dono e senhor do mundo, armado em bom, ou em bomba. Aos dois magníficos lusitanos, obrigado por me terem representado.


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Contra a Corrente

É preciso que haja alguém que traga à tona do presente e à memória dos acontecimentos, nesta infeliz data do desaparecimento do negro mais amado de Portugal, para dizer que o seu mar de êxitos não está coberto só de rosas. Eusébio da Silva Ferreira, moçambicano de berço e de mama, e de bola de trapo, português de identidade, de eleição, agora de roupa e de pão garantido, que começou a construir a sua carreira como homem em busca de melhor vida através do desporto, mais conhecido por, Eusébio, não conheceu sempre dias de glória. Apesar de ter percorrido os maiores sucessos na arte que abraçou e que fez dele um dos maiores campeões do mundo, ídolo, lenda e Rei, nem sempre foi feliz, porque no seu caminho apareceram quem lhe colocou algumas pedras que o fez mudar de rumo e o quiseram depor do trono quando o seu reinado parecia consolidado. Todos sabem que não há ninguém que goste de andar de cavalo para burro, e no futebol seja em que escalão for, aprecie passar da equipa A para a B, ou até ser convocado para se sentar no banco de suplentes. Com o "Pantera Negra, cognome vindo de fora e com que foi "tatuado" na pele universal, também experimentou o sabor amargo do isolamento, e das despromoções. É hoje mais do que ontem, necessário, ir ao baú das más práticas ou dos actos silenciados, buscar o desagradável, por mais incorrecto que isto possa parecer nesta hora funesta e alagada em pesar. Eusébio, que construiu a sua imagem mítica num tempo em que não haviam jornais desportivos e diários como hoje há, que fazem de um qualquer parafuso que jogue à bola a torre Eiffel em ouro, sofreu com certeza com o desdém ou abandono a que o submeteram, quando o seu clube de adopção e coração, o riscou do seu "habitat", do seu emblema, e dos interesses estranhos das presidências passadas do SLB. que hoje lhe presta sentida homenagem e honras mais do que merecidas, e às quais o País se juntou, que o levaram a ter que emigrar e a frequentar outros balneários e a equipar outra cores de clubes menores que lhe diminuíram a chama e a áurea erguida com tanto esforço, suor e talento. O "Pantera Negra", teve que rumar até Tomar e até Aveiro, para aí nos clubes locais dar continuidade ao seu ofício, envergando uma camisola estranha,exibir a sua arte, marcar a sua presença, fazer prova de vida e sangrar o seu talento histórico. Quase ninguém dá a cara por tais decisões, por tais castigos aplicados ao celeste atleta, bem como falham as explicações claras que nos ajudem a compreender e à geração actual e jovem, esse silêncio do vazio triste, esse período que o clube encarnado do SLB provocou cruelmente e com que privou de maior felicidade, o mais soberbo jogador de Portugal de todos os tempos - Eusébio, o Pantera Negra. Essa mágoa, também foi a enterrar com ele, mas a nossa memória provoca-nos a interrogação e causa-nos tamanha perplexidade de como foi possível ter acontecido uma mancha assim no clube da Luz, com tanto mau gosto e de reparação tão tardia. Mas foi também assim que o Rei se tornou um herói ao encontro com um deus maior.