sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Cristiano - o mãos-largas

A notícia, se é que é notícia, é recente e tem muito de ridícula - "Cristiano Ronaldo doa cheque ao IPO". Mas a notícia, se é que é notícia, diz mais. Diz-nos que o CR7 é um unhas-de-fome. Eleito o melhor, após o jogo de preparação num particular a feijões com a Holanda, em agosto, já lá vão uns meses, o craque madeirense com estatuto universal, pago a peso de ouro e em cera brilhante, e que ganha um balúrdio em poucos minutos, doou ao IPO de Lisboa o prémio monetário que lhe foi atribuído no valor de 2500 euros, para "ajudar" na compra de tecnologia para a sala de radioterapia do Instituto com função importante e vital. Aprendi em tempos, que não se deve dar uma gorjeta que se confunda com trocos nem ao empregado de mesa que nos atendeu, abaixo do dignificável. Foi-me recomendado, que quando não se pode dar coisa respeitadora e reconhecedora do mérito, o melhor é não fazer ondas, é estar quieto. Ronaldo não foi educado nem alertado para tomar a atitude mais adulta e compatível com o seu tal estatuto, e a não se expor ao ridículo por minhoquices, deixando transparecer que tal atitude mais quer traduzir um golpe de publicidade foleira no período em que está em jogo a atribuição da Bola de Ouro pela FIFA. A esmola acrescida da demora que doou ao IPO, menor da que um particular oferece para a compra de uma cadeira de rodas, quando um jornal diário pede aos seus leitores ajuda, para alguém necessitado, e inferior ao preço de uma garrafa de uísque, pago num bar vadio que o jogador frequenta para dar nas vistas a uma qualquer Paris Hilton, não dá senão para comprar uma garrafa de oxigénio ou de soro, hospitalar. É claro que o Instituto que combate o cancro agradece, pois a penúria orçamental em que vivem os hospitais tornam-nos sensíveis a todas as dádivas. Já quanto ao multimilionário atleta, e aos seus assessores e a outros seus guias espirituais, aconselhamos-lhes uma intensa cura para melhorar o bom senso, numa qualquer Unidade de doentes apetrechada para o efeito, que trate tais incorrecções ou enfermidades, disfarçadas de benemerência. Esperamos que este reparo seja também, notícia.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

"Mensagem de natal"

O 1º ministro de Portugal, deve andar a treinar ou a estagiar para inteligente, mas ainda não passou de chico. Esperteza não lhe falta, e de mau carácter e muito cinismo tem diploma que chega e sobra. Na sua mensagem de natal aos rotos e aos nús sob o chicote da austeridade antiga, tentou dizer-nos com conversa mole e anestesiante, que os "melhores tempos hão-de vir", pois os 900 anos de história que carregamos isso nos revelam. Com tais palavras descaradas, nos tenta impingir e servir uma dose de ânimo que nos faça aceitar mais prolongamento do sofrimento a que estamos sujeitos, que nos atirou para o mais fundo de toda a marcha em direcção ao bem-estar, e todos os recuos a que nos tem obrigado e que mais virão. É com tais falas, que nos aponta o milagre, que nos aponta o osso com tutano, lá para um dia que nenhum dos rotos e dos nús actuais, será capaz de vir a experimentar, que nos tenta manter adormecidos. O que os actuais mortais que se mantêm de pé sabem, é que cada vez mais se vêem despojados do seu emprego, do seu rendimento, da sua refoma, da sua saúde, e dos seus direitos. E para adiarem um maior entalamento na vida, vão-se desfazendo dos seus bens, ora agora uma faca ora depois um garfo de bom metal que os pais lhe deixaram, para os trocar por pão e pagar dívidas. Os 900 anos enunciados pelo 1º ministro deste país, também nos ensinam, que Portugal caminha há séculos, de agonia em agonia, e que o seu povo nunca saíu da pobreza franciscana, e também nos revelam, que foi com dirigentes do calibre que formam o actual governo e anteriores próximos, que Portugal caiu na miséria agravada e na escuridão teimosa, que não pára a sangria que nos faz recusar viver nele e nos leva à diáspora, para não mais voltar, e viver sob a luz de quem nos acolhe, acarinha, e nos paga por trabalhar. Outra coisa que os 900 anos de história evocados nos transmitem, é que não há castigo para quem comete tais crimes de lesa povo - Infelizmente! Parafraseando o governante que nesta mensagem de natal apareceu, também um dia virá, que este povo então mais exigente, reclamará por Justiça. É pena, que nenhum de nós esteja cá para ver e intervir, e colher merecidamente "os primeiros frutos com a aplicação dessa estratégia" - Felizmente! 


sábado, 7 de dezembro de 2013

Gigante, Raro e Terreno

Já quase tudo vai sendo dito e redito sobre "Madiba". Não há palavra, discurso ou elogio por encontrar nas bibliotecas e excelsos arquivos, que não tenha sido usado para enaltecer a grandeza do Homem, Nelson Mandela - a maior personalidade de África desde o norte até ao sul protagonizada nestes dois séculos, e um dos mais elevados exemplos de vida e de humanismo de sempre. Parece que não há ninguém indiferente ao acontecimento, e que não seja de repente especialista em "Mandelismo". Todos se repetem, mas cada qual julga-se mais entendido na matéria histórica e na obra do mortal. Até eu poderia pôr-me aqui a recitar o seu percurso, e outra coisa não faria senão repetir. Tornáva-me igual aos demais, mesmo àqueles que sobre ele se pronunciam e que nem sequer eram nascidos quando o líder histórico e perigoso activista era notícia no mundo, e pesado silêncio em Portugal. Passos Coelho é no caso, um deles. Mas da minha parte, e a fim de combater a ignorância, que trago por dentro e que escondo da lapela, sobre o Homem negro, mártir e herói, que agora recolheu ao lugar da memória eterna, vou estar atento ao que diz e vai dizendo o nosso presidente Cavaco Silva, que, como é sabido, é homem de luta e de convicções fortes, também, e desde o tempo em que fardou o caqui. E uma coisa extraodinária já aprendi com ele. Quando acordou, descobriu, e começou a mastigar de que há homens que são maior exemplo na Vida do que outros. E bastou falar em algarvês e não em africâner, para que nós o admirássemos, agora mais e com maior respeito. Quem se pronuncia com tão elevado conhecimento e igual moral, que difere da que tomou há uns anos em conluio com os E.U e a Inglaterra,deve ser escutado com muita fé e com a esperança de que ele venha a imitar o ex-presidente histórico da África do Sul, Nelson Mandela, e libertar-nos da miséria em que vivemos. Seria de Homem!



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A Árvore de Mortal

A minha árvore de natal esta época, vais estar apagada. Sobre ela caiu um manto de tristeza, e dela não se acenderá qualquer brilho. Será decorada com sombras duras, pesadas e que ferem. As crianças não terão bonequinhos de chocolate em forma de pai-natal, nem sininhos, estrelinhas, nem meias-luas, nem moedas de imitação doces, para comer no fim da quadra festiva, no dia em que ela se desmancha. As moedas a sério do salário e da reforma que nos tiraram de junto das que não temos, despem-na da alegria com que a ornamentavamos noutros tempos. Agora só podemos dependurar em cada ramo, o cotão áspero e amargo a fazer de algodão. Com alguma fantasia e outro tanto de imaginação, ainda podemos apanhar na rua uns caixotes de cartão, e neles desenhar e depois recortar umas figuras ou uns símbolos para a decorar. Talvez que com algum engenho, um pouco de jeito e uma tesoura animada, até nem fique feia. Tudo embalado em prata dos maços velhos do tabaco terá efeito e engano no coração. Não há dinheiro como havia para comprar uma iluminação oriental que a ponha a piscar, nem sequer umas velinhas de cera que a aqueçam e à casa, e façam os olhos luzir na noite tornada negra e que se queria mais feliz. Vai ser uma árvore para esconder. Não terá em redor do seu pé, prendas para pôr no sapatinho de ninguém, e os filhos quando forem mais crescidos hão-de emigrar, e então lá nesse longe, comprarão a prenda adequada ao seu sapatão, e fazer dessa noite e em família, “coisa mais linda e cheia de graça”. Acabou-se “o luxo e a vaidade” de outrora para a exibir no melhor sítio da casa. Arranjei no entanto, lugar para ela. O meu frigorífico está vazio. A minha despensa está vazia. Vazia do que foi costume lá ter para o dia-a-dia para consumo, e para uma ou outra extravagância. Em lugar dos pacotes de arroz, açúcar, farinha, ovos, massas, atum, salsichas, alho, cebola, batatas, conservas, azeite, óleo, detergentes que limpam manchas mas não eliminam mágoas, e um espaçozinho reservado para o bacalhau às postas, que agora foi cortado da lista, e de uns livros velhos que contavam a “estória” de uma noite mágica, vou lá colocá-la. Armada em árvore festiva mas envergonhada é certo. Às escuras, já que a despensa não tem lâmpada no tecto. Há muito que a desenrosquei para poupar onde se pode, e desenrascar-me melhor nas contas a pagar. Ali,naquele cubículo, também não é um lugar de convívio, antes passou a ser um reservatório onde agora se guarda a fome. Mas vai ter companhia. É lá que vou pôr a minha árvore de natal e de mortal. As lágrimas que abundam, é que não se consegue prendê-las em lado nenhum. São demasiado líquidas e salgadas, e escapam-se sem a gente querer, cheias de raiva, por onde entra a miséria e o frio. - Feliz Natal, senhores ministros!