Conversa em dia!
- Agora anda muita gente a treinar para, crítico. Um cada vez maior número de leitores-escritores com tempo disponível, vai como é seu costume, até ao café da cidade, vila ou até do bairro, abre o jornal da casa, e entre conversa com o vizinho do lado da mesa, e na esquina do assunto que faz página, trata de criticar tudo e todos os que intervêm na governação. Erguem-se como gente possuidora das soluções que nos afligem. Eles atacam ministérios, administrações diversas, directorias, magistérios da Saúde e da Cultura, com toda a sua sabedoria, e o cheiro a café no ar. "Eu também colaboro em tal alucinação doida e disforme", como diria o autor alentejano, Fialho. E escrevem, e aguardam a sua "obra" publicada por um qualquer generoso matutino, que tal como um certo vírus que viaja por aí, nos chegará de modo generoso ou de borla, quase perverso, mesmo sem beijocas. Queixam-se de tudo. Ou dos hospitais, do pessoal que nos trata se ali caídos, das condições que o país não tem e devia ter. São estes "artesãos de palavras virulentas", que têm o elixir para todos os males. Em vez de abordarem as questões pelo lado que eles causam, na Economia, Emprego, Ensino, etc. preocupam-se mais com coisas rasteiras. As máscaras que rareiam, a qualidade da assistência que é pouca, o número de infectados, os reduzidos mortos, o pessoal hospitalar insuficiente, as ambulâncias mal equipadas, etc. Meias verdades. Esquecem que sem investimento atempado, o Futuro é que vai apanhar uma doença de caixão à cova. E para que tais condições existam, é necessário de facto gente saudável e que possa trabalhar e render, criar riqueza, ganharem para sabão, e não só discutirem à mesa ou no jardim público, a falta do tudo e do nada. Fazem o alarido que podem e os consome. Tais "escritores e pensadores de café", julgam que o Estado, os governantes e demais responsáveis, devem sacar seja de onde for, normalmente do nosso bolso já roto, o antídoto para um mal importado, que voa por ar e por perdigoto, até nos entrar pela garganta abaixo. Eu também exijo deles mais acção. Mas sem riqueza que sai do trabalho, e isto sim, é histórico neste país, isto sim, é que deve ser discutido até bem antes do café arrefecer. Agora só criticar para não estar calado e armar em especialista, não leva o país a lado algum, o que dá uma vantagem em não o por a viajar. Não se expõe a trazer no regresso, um vírus mais grave, que obrigue à crítica dos reformados-pensadores de café, com solução para tudo. Deixem quem sabe o que quer, pedir o que entende ser urgente ter, para assistir quem precisa hoje e amanhã. Por agora deixem-se calmos e adociquem as palavras remexidas, sem perder de vista os objectivos sãos, e não especulativos só para armar ao pingarelho a norte ou carapau de corrida mais a sul!
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