- Não, não, não! A Epidemia, que cresceu e se fez pandémica só para dar mais trabalho a uns, e mais lucro a outros, como é sempre o que sobra dos campos de crise e de guerra para o saque das aves do agoiro, necrófilas, que a um só deus-mito menor, prestava serviço, não é Obra de um Deus Maior. Este não fez o Universo em sete dias, para que um cobarde vírus o extinguisse em menos de um tempo que não deixa a Humanidade construir a sua Felicidade. Foi o Homem na sua conduta louca, egoísta, que pretende mais do que lhe é devido ter, e a quem só o céu das chamas, satisfaz e o persegue, é que espalhou o terror. Porém o corvo teimou em ficar também junto a ele, para dividir os despojos. Deus foi condescendente, e não previu tais criaturas saídas também do seu barro, e agora tornou-nos nuns seres aflitos e de terço na mão e de oração na boca. Tornou-nos estafetas de um lado a outro à procura de solução para eliminar a lixeira amontoada por tais criaturas malditas, que o diabo alimentou, e de que Deus parece ter-se afastado para não os aturar, e deixar-nos agora entregues a tal bicharada. Deus é bom, e continua a ser companhia recomendada mas cada vez menos. Até o Papa, seu representante na terra, já não vai muito à Bola com ele, ainda por cima com ela suspensa, para piorar as coisas. Mas o Homem, essa criatura mal acabada mas imaginativa dentro do conceito da maldade, projectada para ser solidário, amigo, bom vizinho, familiar, contrariou a intenção do seu Criador e virou Vírus. Bicharoco com nome dado pelo latim e adoptado pela Ciência, que a Natureza desenvolveu no mau caminho, que arrasta consigo homens, mulheres e crianças, que o corvo agradece, estripa e mastiga, com convidado especial para o banquete que o diabo prepara nestas ocasiões. O Homem ainda é fraco e Deus e o Papa sabe-o melhor do que ninguém. Eles leram os clássicos dos homens sábios que nunca foram crentes em coisa vindas do além, misterioso e por isso suspeito, e outros até foram mortos. Nas catástrofes repetentes, incessantes, criminosas, Deus, o dito verdadeiro, por quem os Fiéis se ajoelham, não aparece em tais horas negras como o corvo faminto, para delas e dele nos livrar. A Salvação anunciada por anjo ou vendedores de banha da cobra, nunca se manifesta, e até o Papa dela já duvida, ou perdeu parte da pouca certeza que o vem também alimentando, embora vista de branco e de roxo, conforme a ocasião. O corvo e os especuladores, esses é que se disfarçam mais, só para aumentar a confusão. Nem sequer precisam de máscaras para respirar ares mais filtrados. A eles nunca lhes falta boas hospedarias, tratamento especial, e até álcool para esfregar em partes sensíveis, pelas mãos do diabo, seu contabilista e privilegiada companhia. Só brasileiro é que tem a mania, mesmo na hora finita de dizer:- Deus tarda mas nunca falta. Já português, não diz com tanta musicalidade sambista. Na mesa dele poisa sempre a ameaça da falha de pão, que mesmo com explicação e uma razão, de sábios governantes, não lhe dá cura nem mata a fome. À sua volta pelo Mundo inteiro só viu erguer lixeiras e miséria e focos de doença, que criou multidões de homens, mulheres e crianças, doentes, que agora não se aguentam de pé, e nem cama hospitalar encontram para se sujeitarem à cura merecida. Mesmo nestas condições não deixam de ser Heróis, com direito a um Céu qualquer junto a um coração gigante, do tamanho de uma Vida que foi Esperança num dia em que sonharam que podia haver. Mas nem Deus, nem Papa estiveram presentes, para dar o conforto final, da extrema e santa unção, mas de pouco remédio!
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segunda-feira, 23 de março de 2020
"A Obra de Deus embargada"
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