- Agora vêm todos dizer da sua sapiência. Eles são geólogos, engenheiros, académicos, ministros, empresários e autarcas de várias cores, e autoridades da protecção civil. Todos armados em especialistas de pedreiras, e de mármores como se fossem Cutileiros. Fazem lembrar treinadores de bancada ou comentadores após os jogos e sabido o resultado. Que era assim, assim é que se devia ter ou não, procedido. Já se previa, mas ninguém quis ouvir-nos. Todos os alertas, as campainhas, os estouros, foram dados até à queda, ao desmoronamento, ao desastre fatal. Até eu, leiam bem, acabado de chegar, me pronuncio. Eu, que só conheço o mármore do altar da igreja, aonde se prestam cerimónias por quem casa ou morre, e ainda por onde escorre a água benta. A exploração do caso é feita, como o foram as pedreiras - até ao tutano. Até não ficar nada para rapar, e que sobrasse ainda para uma estátua, ou uma simples placa de homenagem a quantos lá morreram. Mais um inquérito às causas do acontecimento. Ao desleixo se o houve, às licenças se as passaram e quando e quem. Quem não barrou esta actividade e a estrada, por onde se escoava o lucro e a irresponsabilidade imperava. Por que ninguém se antecipa e vai já em cima das ilegalidades espalhadas pelo país, e ameaçadoras de morte? Os autarcas, deputados, e os ministérios, ficam sentados à espera de quê? De mais tragédias, para mais discursos? Agora os políticos pedem mapas e relatórios dos buracos do país, roto e ao Deus dará. O presidente já lá chegou. Pode-se descansar agora. O povo é sereno, e sabe que os lamentos não resolvem nada, mas consolam os órfãos e viúvas. O costume!*
-*(pbcd.hoje 22.11. in DN.madª)
-*(tb.no IMEDIATO.23.11)
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