Momentos
brancos de escrita chocha
- Os tempos não vão
para escrita controversa ou polémica. Quem ousar erguer a pena contra os
costumes, desalinhar dos assuntos dominantes e que fazem as capas dos diários,
é arquivado no fundo do balde dos critérios, com rodas esquinadas em direcção
ao contentor colorido e selectivo, ao fechar do dia, pela noite na rua escura.
As redacções não estão ao dispor da palavra livre. Barricam as letras
provocantes que teimam serem palavras mordazes, agressivas, que acordam causas
e factos inconvenientes. Os jornais do dia atarefam-se em calar as vozes e
abafar os sonhos que as palavras levam dentro propositadamente como armas. Eles
fazem das folhas de papel do jornal em que trabalham, o seu testamento, os seu
livro de doutrina. Pior. A sua verdade. Cuidam que são memória geral,
histórica, para, mais que servir o povo ferido de cegueira, guiá-lo. Trazer-lo
manipulado, atado, confundido às escuras por falta do contraditório. De luz
independente.
Os jornais não gostam
de quem sai fora do correctinho. Da prática que a casa impõem. A liberdade de
expressão, é uma expressão gasta e pouco livre. O autor só não é proscrito,
porque é anónimo, não consta da lista dos escribas da casa que detêm a coluna especial.
Aquela que julgam ser por quem todos esperam. Também a dos amigos e eleitos ou
convidados, quase residentes. Os compinchas. Os que não passam da futilidade e
aonde registam apenas os seus arrotos. Os jornais estão ao dispor da família,
em que cada um conforta o outro. Mas os tempos estão difíceis. Para eles ainda
mais, quando se comportam como tesouras. E nós como silenciados!
- (hoje 26-07 no DN.madª)
Os tempos não vão para escrita controversa ou polémica. Quem ousar erguer a pena contra os costumes, desalinhar dos assuntos dominantes e que fazem as capas dos diários, é arquivado no fundo do balde dos critérios, com rodas esquinadas em direcção ao contentor colorido e selectivo, ao fechar do dia, pela noite na rua escura. As redacções não estão ao dispor da palavra livre. Barricam as letras provocantes que teimam serem palavras mordazes, agressivas, que acordam causas e factos inconvenientes. Os jornais do dia atarefam-se em calar as vozes e abafar os sonhos que as palavras levam dentro propositadamente como armas. Eles fazem das folhas de papel do jornal em que trabalham, o seu testamento, o seu livro de doutrina. Pior. A sua verdade. Cuidam que são memória geral, histórica, para, mais que servir o povo ferido de cegueira, guiá-lo. Trazer-lo manipulado, atado, confundido às escuras por falta do contraditório. De luz independente.
Os jornais não gostam de quem sai fora do correctinho. Da prática que a casa impõem. A liberdade de expressão, é uma expressão gasta e pouco livre. O autor só não é proscrito, porque é anónimo, não consta da lista dos escribas da casa que detêm a coluna especial. Aquela que julgam ser por quem todos esperam. Também a dos amigos e eleitos ou convidados, quase residentes. Os compinchas. Os que não passam da futilidade e aonde registam apenas os seus arrotos. Os jornais estão ao dispor da família, em que cada um conforta o outro. Mas os tempos estão difíceis. Para eles ainda mais, quando se comportam como tesouras. E nós como silenciados!
Joaquim A. Moura
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