Agora que andava esperançado em vencer o Prémio Nobel da
escrita e do comentário, é que a Academia dos Sábios destas coisas, decidiu não
o atribuir. Não que já não tivesse dúvidas de que tal viria a acontecer, pois
tenho sido marginalizado e mandado para reciclagem nos diversos ecopontos e
contentores espalhados por quanto é canto e praça sem canção, nas redacções dos
diários em papel, que afinam pelo mesmo tom. Sinto que se vivem tempos de
boicote e marginalização de quem não alinha as suas opiniões, críticas e
remoques, com os jornais que ganharam assento nas bancas, e aonde já os
redactores internos publicaram as suas análises, os seus comentários, ajustados
à exigência do admissível editorial e correctinho politicamente. Um pensador
autónomo, é um abusador, quase agressor, que teima em usar os seus neurónios,
pensar por si, e escrever o que lhe vai na alma com que vê o mundo. Esbarra
esta ousadia com os critérios definidos, só porque voa contra a corrente que
percorre o leito traçado e bem limitado nos jornais. Ou repete o que
cansativamente foi escrito pelos “cabeças” da casa, o que foi espalhado para
ser lido em toda a parte e consumido por homens e mulheres em momentos de lazer
e à mesa de café, e entra para o “clube, ou saindo fora deste estatutado esquema - prateleira, e
lixeira com ele. Não fará parte do coro nem aponta ao mesmo penico conveniente.
Quando muito pode tentar o reajustamento do seu texto, infligindo-lhe tesoura e
lápis azul, cosendo o fato à medida, e esperar que pegue no próximo envio, em
jeito de táctica que satisfaça o ego. A Liberdade, esquisita que se respira, também
se pratica fora de tempos de servidão inesperados. Quem for desalinhado, já
sabe. Ou baixa a “bolinha e a pena”, ou serve-se de iguais cartas de trunfo com
palas, para que as suas palavras sejam luz, que ilumine mais além, com o
alcance da polémica que elas possam provocar. Mas só porque são, livres e
sentidas, mais raras e justas, sobretudo. Por isto e por outras coisas mais, é
que o “rebelde Nobel nesta especialidade, suspenso”, não será entregue a este
pobre escriba, porque se emaranha no novel…o
da censura camuflada por entre uma democracia pouco aberta, bem disfarçada e
suspeita! O que posso não dizer mais?
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