quarta-feira, 8 de novembro de 2017
Na Web, pouco summit...
Vendo bem as coisas que a têvê nos permite conhecer e
avaliar, decorre em Lisboa, uma feira internacional, a que chamam, conferência
de tecnologia sob o nome de, WebSummit. Evento maior, de que o país se deve
orgulhar, e conta por isso com o apoio babado dos governantes, e presença ao
mais alto nível. Futurismo e moda que produz grande alvoroço, e, dizem, momento
de grandes lucros para os cofres internos. Pode ser que sim. Mas o que eu vejo,
daqui de cima do monte da minha aldeia, e já sem eucaliptos a estorvar - que
tudo são esqueletos negros, e secos na paisagem árida - é que ali chegam,
oriundos de todo o mundo, uma malta jovem, com ar feliz, folgazona, e à procura
de realização pessoal e empresarial, embora não saibam identificar e
diferenciar uma folha de loureiro, da de limoeiro. Uma rapaziada cheia de
ideias e projectos, para apresentar novidades, comprar e vender, ou aliar-se a
parceiros com boas ofertas naquele teatro de ciência avançada, composta por
plástico, lata, fibras, e placas impressas. Mas sobretudo inteligência humana. Acontecimento
que arrasta até à capital do país, contentores de material sofisticado, e uma
barrigada de jornalistas dos mais diversos órgãos de comunicação da
especialidade. Mas a têvê, também nos mostra, e isso retenho, que os
intervenientes falantes, e candidatos-génios a intervenientes, quando cai a
noite, parece que apreciam mais as zonas dos copos e do divertimento, como
Mouraria e Bairro Alto, do que propriamente a dita Feira das Tecnologias futuristas,
aonde até marcou presença o cientista famoso, Stephen Hawking, que usa a sua
inteligência e não a artificial. Também em mau estado, surgiu abonecado, o
físico, Einstein, a falar com uma moça, que não é deste mundo. De tal maneira
me impressionaram as imagens que vi, que me provocou umas quantas
interrogações. Será que aquela maralha ganha o suficiente para se deslocar a
Lisboa, alojar-se, pagar forte e feio o que paga para entrar no recinto aonde
tem lugar a conferência, que se repete, e ainda tem carcanhol suficiente para a night
copofónica e bem animada? Pelos vistos tem. Só que a impressão que me
deixa, é que tal feira, devia chamar-se, Feira da TecnoEnologia 2017. E aí nós
dávamos cartas e lições na matéria, e revolucionávamos os cérebros que nos
visitam, e as exportações do néctar das nossas vinhas mais avançadas, que se
transaccionam, e se consomem nos bares que eles frequentam durante a estadia,
aumentavam exponencialmente, e até a “Sofia-robótica” saía de cá a cantar o
fado, numa dança de fantasia. Seria isto mau negócio? Bem. Vou ali ordenhar a
minha cabrinha, pelo método tradicional, e já volto. Méeeeh…!
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