Eu não sou psicólogo, nem para lá caminho, mas aprendi com a vida a
saber ler rostos e o que eles nos dizem. A partir deles consigo, sem certezas
absolutas, ler as suas almas. Dos desesperados sobretudo. Quando assisto pela
têvê às prédicas do deputado preso a um pin, faz tempo, Pedro Passos Coelho
(PPC), vejo-lhe no semblante a dor que ele realmente sente, desde que
foi afastado do poder ganhando as eleições, estando-lhe gravado a derrota na
lapela e no visual. Sou assim uma espécie de Blimunda, com a diferença de que
eu faço leituras das imagens com os olhos abertos, e depois revelo-as no
coração-estúdio. E é assim que consigo sentir o que vai de frustração, de raiva
e de inveja, que o coração de PPC revela também, quando se refere ao governo e
às medidas que ele toma ou promete pôr em marcha. Todas as vezes que ele toma a
palavra, em frente de alguns desiludidos que se atrevem a ouvi-lo, é sempre
para proclamar que o governo em funções, conhecido na praça pública como,
geringonça, é mau, que vai no pior caminho, que vai aumentar a desgraça que ele
deixou, que trará atrelado o diabo mais lua menos dia, que promete o que não
pode, por uma só razão – a de que estamos perto de eleições locais. E na
pretensão de as não querer perder, PPC, dá-nos uma lição de sapiência e de
matemática, explicando-nos o método de que o governo de Costa se serve para as
ganhar. Diz o deputado frustrado, por entre lábios finos mas aonde recolhe o
cinismo e liberta a hipocrisia, de que os aumentos aos funcionários públicos e
aos reformados, e a integração nos quadros de milhares de outros e de
professores, a recibo verde, obedece a uma lógica primária - "ora deixa
cá ver. Os funcionários são à volta de seiscentos mil, mais dois milhões e meio
de reformados, dá isto... bom! é o nº que precisamos para ganhar as autárquicas".
Com este discurso, PPC revelou, agora ele a nós, como calculava as suas
demagógicas benesses, com uma fórmula que ele nunca soube aplicar bem, que
agora repõe esperança e alguns rendimentos das pessoas e não de os diminuir
como ele fez enquanto ocupou a pasta de 1ºministro. Temos que admitir e acreditar
que a fórmula denunciada e que aproveita ao actual governo, é boa e verdadeira,
pois PPC, líder ainda do PSD, sabe do que fala, ou não tivesse ele acabado aos
34 anos a licenciatura que exibe, em contas de subtrair, mais do que de somar,
com a matéria mais fresca, revista e aumentada, e em como não prestar contas ao
fisco na data, o que lhe confere uma imagem e estaleca de autoridade técnica e
superior competência aritmética, para poder dizer mal das medidas tomadas pelo
actual executivo, que só pensa nas próximas eleições,segundo ele, fazendo de
todos nós, burros, virados para o quadro que ele pinta teimosamente de negro,
como se de castigo e vontade do diabo anunciado. E esta heeem!
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