A cidade de Penafiel, encontra-se de alto-abaixo toda engalanada. Adivinha-se logo
que vai entrar em festa. Festa rija certamente, a avaliar pela distribuição dos
adereços coloridos e flamejantes. Esta Terra, que sempre soube receber, ao que
sempre se ouviu, os forasteiros, e maltratou os seus naturais. Terra, aonde as
gentes aqui nascidas nunca beneficiaram dos mesmos atendimentos enquanto
filhos, como os que foram facilitados aos seus enteados. A uns foram dadas as
oportunidades de se instalarem por cá com bons empregos, bons negócios,
favorecimentos misteriosos vários que lhes permitiram bem-estar e até o
sucesso, e demais coberturas. Gente de fora foi sempre muita querida e mais
bonita. E então se tivesse duas pernas bem torneadas, então o negócio
fechava-se logo ali. Os indígenas, esses buscaram desde há anos, trabalho,
emprego, a partir das estações de transporte que os levasse ao ganha-pão que
aqui lhes fora sempre negado, ou dificultado. Se o zé do burgo não era oriundo
de apoios fortes e reconhecidos não tinha hipótese de entrar em lado algum, a
não ser a tomada de posse do varrisco ou como apanha-lixo. Escorraçado para
outros lugares, era o seu destino. O povo aprendeu depressa que esta cidade foi
sempre mãe dos estranhos, e madrasta para os filhos. Pai pobre e socialmente
afastado, sem ligações perigosas aos capatazes e senhores das cadeiras
municipais, instituições de crédito, finanças, cooperativas, tribunais,
bibliotecas, correios, unidades de saúde, hospitalares, lares e albergues, e
até sem vocação para bombeiro ou para lambe-botas, só dava aos filhos as
condições marginais e só lhes podia animar a partir no comboio ou na camioneta
que por cá existia ou por cá passava. Foi assim e assim continua embora mais
suavizado, já que a política partidária veio alterar alguns factores de
avaliação de qualidades e valências dos aspirantes a arranjar trabalho ou
emprego, e por aqui continuarem a viver. Mas o que é preciso é festa. E ela aí
está dependurada em cada candeeiro, montra, pela avenida, por jardim público,
por todos os cantos e esquinas. Ma o que eu quero dizer fundamentalmente, é que
a cidade se cobriu de vermelho e branco. E tal bicolor preparou-a, creio eu,
embora a intenção não seja esta, para a festa maior que se pretende venha a
acontecer. O vermelho e branco predominante, parece querer anunciar que o Spor Lisboa e Benfica caminha para se repetir Campeão da Liga de Futebol em
Portugal. E se assim acontecer, será aqui o lugar certo aonde muitos
portugueses poderão aproveitar para festejar o título e ao mesmo tempo visitar
a cidade que comemora o seu nascimento em 1770 e foi com certeza mais feliz que
os que nasceram nas margens dela e perto do desprezo, e que com ela tiveram que levar e com os que a governaram
sem pudor, e com interesses de complexidade enriquecedora para si mesmos e só
para os da suas cores. Infelizmente, tal situação ou comportamentos nestes tons, não são exclusivo
desta "nossa e tão querida cidade". Viva o vermelho e branco!
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