- Os jornais nacionais rejubilam com a vitória modesta
da nossa Selecção de futebol no jogo em Leiria contra a Selecção B da Bélgica.
Jogo em terreno luso que estava para ser disputado em casa do adversário, e que
foi alterado por via dos atentados terroristas. Mas vamos ao jogo, que é ao que
vim. Os jornais da paróquia que relatam a vitória pela margem mínima, usam títulos,
como por exemplo -"verdes anos", e ilustram a página com atletas que
em partida anterior foram um desastre, e contra uma outra Selecção sem os
pergaminhos daquela que nos defrontou em Leiria em tempo de Páscoa e de luto. É
incrível que não façam um comentário sobre a qualidade da equipa que
defrontamos, escamoteando que tal Selecção que nos visitou estava decepada dos
seus melhores oito titulares, o que nos facilitou a tarefa, e agora nos faz
embandeirar em arco, intitulando a nossa vitória como se de um grande feito se
tratasse. Outro jornais colam parangonas como,- "Agora com Cabeça", e
acrescentam,- "Vitória sobre o nº1 do ranking FIFA...". É com engodo
destes que os portugueses são embalados e conduzidos ao fracasso, quer seja no
desporto, quer seja nos contos das contas governamentais. Quando a realidade
supera a ficção então aí vemos e sentimos de imediato o engano em que nos
enfiaram e sem podermos defendermos-nos, de modo a evitar um maior fracasso,
uma maior derrota. Ficamos sem defesa. A Selecção de futebol, jogou o que sabe
e é pouco, tendo em conta os objectivos a que se propõem alcançar, e com alguma
complacência da equipa contrária, que não esboçou grande esforço nem interesse
para sair da recriação que demonstrou estar a fazer. No entanto os nossos
comentadores de bola, escrevem e outros relatam aquilo que é do domínio do
desejo e do sonho. Nenhum tem coragem ou visão, de friamente contornar a paixão
nacionalista e escrever a nossa fragilidade que não dá para ir longe. A
Selecção Búlgara que não valia um chavo, fez-nos ver e sentir isso, e a
Selecção Belga com as ausências assinaladas, demonstrou que, mesmo com os que
se mexeram em campo, a fazer com que o treino parecesse um jogo mais sério e a
contar para alguma coisa importante, pela qual valesse a pena correr ou dar o
litro. Não. Jogou para se entreter e cumprir calendário, dando com isto algumas
pistas ao seu técnico para a constituição da que virá a ser a sua Selecção e da
Bélgica nº1 da FIFA. O mesmo já não poderá dizer o nosso, pois anda muito
confuso com tanto talento de que dispõe para formar o onze mais eficaz e os 23
que hão de acompanhá-lo. É assim com actos
grandiosos como estes, que se enganam os tolos, mesmo sem papas e difíceis
bolos... golos quero dizer. A desilusão toma forma, quando moldada por tais
especialistas em paixões e tácticas serôdias para parolo ler, mais cedo ou mais
tarde!
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