Os portugueses são uma espécie sobre a Terra das que necessitam de um
maior estudo. Todos os dias refugiados, foragidos, infiltrados, criminosos sob
disfarce de coitadinhos, gente que se diz envolvidos em perigos mil, dão à
costa em Itália, na Grécia, na antiga Jugoslávia, e que em breve com a
conivência dos governantes lusos hão de chegar ao All garve, com destinos
diversos mas sempre para países superiores com que eles sonharam desde
pequeninos como os jogadores de futebol, como sejam a Alemanha, a Inglaterra,
Áustria, Holanda, e afins, e nunca para Portugal como referiu diante das
câmaras de TV uma dessas migrantes bem informada e a saber o que quer, com véu a tapar a cabeça e uns olhos
esperançados. Enquanto tudo isto se passa e se repete até à náusea na
Comunicação, parece que nenhuma Instituição de Acolhimento ou outra Autoridade
adulta se quis interessar a sério, por vários portugueses que vivem em
condições das mais desumanas que se pode imaginar. Pelo que nos é dado a ver
nos vários canais televisivos, dos vários grupos de refugiados vindos desde a
Líbia, Iraque, Afeganistão, Síria, etc, nenhum apresenta sinais no rosto nem no
corpo, de fome ou ferimento preocupante, nem na vestimenta mostra sinais de
desgaste ou podridão, bem pelo contrário, todos com boa cara, bem nutridos,
aspecto relaxado e ambicioso, e não o aspecto como nos mostrou de uma
portuguesa da Moita que vive na maior e mais profunda miséria, no meio de lixo
repugnante e entre paredes bombardeadas pelo fogo que em tempos lhe lambeu os
cacos que a decoravam e o colchão onde teimava dormir que nem numa guerra se
consegue esburacar. A mulher em causa, desgastada por tanto infortúnio e
abandono naquela pocilga lá respondeu ao que lhe foi perguntado pelo repórter
que a desenterrou lá onde a encontrou, e que de seguida ouviu outros com culpas
no cartório, como autarcas, técnicos, e vizinhos especialistas no deixa-andar,
e como de costume se concluíu que tal caso e tal situação já há muito que está
"sinalizado" pela (in)Segurança Social. Os portugueses, essa
espécie que merece estudo sobre o seu comportamento nas questões de
caridadezinha e solidariedade ao estranja, não se condói nem se mobiliza
para travar e eliminar casos como este da Moita e outros da mesma
"monta" noutros lugarejos do país. São vários os escribas,
sociólogos, psicólogos, politólogos, que desenvolvem as mais profundas teorias
sobre as causas dos migrantes que fogem de uma situação grave que a nós nos
parece menos precária do que aquela em que sobrevivem bastantes irmãos
lusitanos, e com os quais pouco se condoem ou tecem comentário no espaço que
lhes é facultado nos media. Sabemos há muito desta característica deste
povo e do que ele pensa sobre tudo o que tem por cá origem ou tem etiqueta
nacional. Torcem o nariz, mas nada mais fazem para purificar o ar que o nosso
compatriota respira e vive sem o obrigar a procurar nos caixotes do lixo,
restos de roupa e de comida, para meter e conservar no frio da barraca. Somos
assim e por isso estamos como estamos. Ah povo do caraças!
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