Queimei toda a poesia que fiz.
Se em algum dia fiz poesia
cortei essa fantasia pela raiz,
que me iludiu a vida e a alegria
e me trouxe até aqui infeliz;
Fui inquisidor e dono da fogueira
na causa própria que incendiei
e em que pequei na braseira
por faltar à verdade que a palavra diz
quando reclama do amor, da morte e sua lei;
Recusei na noite incómoda, as palavras
que me roubavam o ar, a vida, a paz e o sono
e destruí os papéis onde escrevi e teimei
falar de nós - mais de ti do que dos sonhos;
Rasguei os versos que pediam adorno
mas que não encontrei
se não silêncios medonhos
que chamavam pelo errante dono
com que tão mal me dei e tratei.
E nesses silêncios e nessas lavras
regadas por sangue morno
com tudo em cinza acabei,
debaixo de uma lua com o brilho de falsa flor
vermelha por fora, mas por dentro sem cor.(-15/08/2015)
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