terça-feira, 21 de julho de 2015

Eleições e jornais à porta

(reflexão)
As Eleições aí estão a chegar. Os jornais perfilam-se para as assinalar e dar-lhes o ritmo, segundo os critérios que os recados e as pressões impõem e que entram ou se alojam nas Redacções. Caso haja por lá quem bata o pé e abane a pena, logo se processa uma mudança na linha do corpo  editorial teimosa, para que a porta, ceda nuns e se escancare mais noutros. A "operação lava-leitor" começou. Assim como quem lava "lulas" para tirar qualquer areia que possa levantar questões incómodas ou faça emperrar a corrente e o objectivo pretendido seja afogado. Jornais de referência assim procedem há já algum tempo. São casas de melindre e de colaboracionismo por vezes. Ora recuam, depois avançam consoante os resultados e o vencedor. A mó de cima é a que mói melhor. Em conclusão tornam-se órgãos manipuladores e dançarinos. Fontes perigosas. Coisa velha e muito sabida, mas também esquecida de repente por gente enfraquecida. Os mais atentos e robustos terão a tarefa de o recordar de quando em vez. Remar, remar, contra a corrente que quer lavar o cérebro a tal gente. Se em cada Redacção estiver pelo menos um Homem tal desígnio não passará, mas os tempos são de pão difícil e de poucas alternativas. Alinhar, alinhar é o que é preciso e manda quem pode, o resto arreia nos escombros da honradez. Nos jornais não há lugar a desinseridos no sistema. Nas redacções está-se a redigir segundo o Acordo entre as partes. Quem mijar fora do penico já sabe que fica num fanico e vai escrever, marcar o compasso e assobiar para outras bandas. Nos estúdios redactoriais do presente só se recebem e emitem quem não desafina e aguenta o coro. Quem entra na equipa. Que quem se armar em esperto, levanta a voz e afia a pena, vai parar à lixeira como se fosse a vala comum dos resistentes, porém perdedores. Coisa temporal. O país que o consente é o mesmo que realiza os seus funerais quando a isso houver lugar. O poder de compra e de vontades também está a mudar, e jornal que não se vende e não é lido, é órgão sem poder de afirmação e comunicação, e ao lixo também está destinado. A consciência quando recita o verbo lutar, a derrota dos directivos e seus escribas de mão nomeados a preceito, é certa, e seguirão no enxurro por si criado na "operação lava-leitor" em tempos de Eleições e outras manias classicistas mas de ridículo estofo, e vingadoras até. Lamentáveis? Repugnantes sobretudo!
                                    

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