Afonso Dias foi a entregar-se à justiça(!) no dia notificado para o
efeito, como acusado e condenado por um rapto por provar, e com contornos
suspeitos que parecem querer agradar a quem precisa é de tratamento ou
acompanhamento médico, e não de uma aligeirada satisfação justiceira para fazer
de conta que fecham um processo, todo ele ferido de certezas. Alguém, sabe-se
lá aonde, está neste momento a esfregar as mãos raptoras de contente, e uma
figurante que se movimenta nas matas a rir-se, e pouco ou muito incomodada com
a sentença escabrosa que levou à prisão um inocente, como são todos os
presumíveis acusados por acto do qual não há provas de crime evidentes. O à
vontade de homem derrotado que Afonso Dias reflecte, motorista e chefe de
família, que rola a trabalhar pelo asfalto do mundo, mergulhado na cabine do
camião e do pensamento, de ter de cumprir pena, sem que a Lei que o captura
adquirisse a legalidade, como só a prova irrefutável e a convicção de Juízes
sem sombra de dúvida podiam determinar, dá-nos a certeza de que algo aqui está
errado. Existe neste caso, uma cegueira
mal enxergada para encontrar um "cristo" que pague a pena a
pedido, animada por um advogado protagonista nos meios vários da Comunicação
social e na de cor de rosa, e a dar corda ao motor gripado durante todo o percurso sinuoso deste lamentável e
misterioso caso. Causídico que por coincidência tem telhados por onde se
passeiam gatos manhosos e elásticos, que aparecem em tudo quanto proporciona
espectáculo e dinheiro. Os pais incansáveis e baralhados do Rui Pedro, perderam
a bússola e confiaram numa obcesssão que lhes foi inculcada pelo elemento
externo e explorador da dor, e seguiram-no com o sentido da fé frágil mas
peregrina, e louvável contudo, porque são pais esmagados pela mágoa da falta do
filho querido, perdido em condições miseráveis e talvez promíscuas. Afonso
Dias, com a lucidez possível, com a razão da consciência, a dignidade que
sempre lhe vimos no rosto quase neutro, entre a reflexão calma e a perplexidade
que estupidifica o mais sábio, disse antes de passar para trás das grades com
que o cercaram, que a sua prisão não irá trazer de volta o rapaz mais precioso
que em Lousada tanto gostava de se recriar com a sua bicicleta da cor que mais
reluzia aos olhos da sua sofredora mãe, e do seu constrangido pai. Porém nunca
se encontrou a felicidade e o mínimo consolo, através da vingança sobre seja
quem for, doa a quem doer. Assim, apenas só o remorso e a intranquilidade
triunfarão nas vidas que seguirão no “percurso
sinuoso” dos que falharam. É pena!
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