Corre por aí de norte a sul, certamente para manter a forma ou para a
língua não enferrujar, uma afiada e "sustentada" conversa, sobre o
que se passa com e à volta de um ex-1º ministro. Estamos em crer que é esse o
tema a que uma jovem deputada do hemiciclo de S.Bento, chamou de "balanço
semântico", embora noutro interrogatório e a outra personagem numa Comissão
de Perguntas sem Respostas. Não há português que precise de momento de
consultar uma obra específica e profunda, que bem podia chamar-se -"Saiba
tudo sobre José Sócrates", ou "O que gostaria de saber e não
sabe sobre um ex-1ºministro posto atrás das grades". Todos à lareira,
no café, do campo à cidade, na net, estão mestres na matéria que condena o
homem que agora espera que os que o julgam consigam ou recolham provas para que
de facto todos fiquem finalmente convencidos das culpas de que está acusado e
feito réu. Não sabemos quanto irá custar ao erário público tais recolhas de
provas pela banca internacional, e de Portugal até à Suíça, com paragem e
estada pagas por onde rola o soberbo pilim, que os altos magistrados e polícias
têm que fazer. Daí o tal "balanço" bem dispendioso. Mas os portugueses
parecem andar interessados(!) nas boas e bem empregues contas do Estado ,
e aguardam resultados sobre as pesquisas, que hão de arrumar de vez com o preso
célebre, que adormece no calabouço alentejano, e ao som do "cante"
agora elevado à condição de Património Imaterial da Humanidade. No meio desta
trapalhada toda, já todos se esqueceram dos casos que vinham a fazer furor, e
já ninguém fala com o mesmo acérrimo, de uma velha senhora morta no mato do
Brasil que apanhou boleia de um português agora em apuros, do autarca de Oeiras
e dos autarcas em geral, do descalabro da governação na Madeira e do País, das
informações privilegiadas de accionistas de topo ligados a Oliveira e Costa e a
Dias Loureiro, do caso Portucale, da pedolilia evangélica, do sucateiro, dos
submarinos e dos pandur, dos "visa dourados e olhos em bico", dos
banqueiros ilustres e milionários conhecedores do aroma do caviar, nem sequer
do "palito" dos bosques que se alimentava de raízes e de frutos
silvestres, quando não encontrava o padeiro. Etc,etc. De repente, já nem o
preso nº 44 é expectante, mas sim o seu advogado. Ele sim virou a atenção de
todos nós, e por ele suspiramos quando ele chega ou sai do Estabelecimento
prisional de Évora. A forma como ele aborda as perguntas dos jornalistas e os
desabafos que faz, é que o tornam no personagem central do processo em curso. O
que é que ele vai dizer e como. Ele não é "marquês" mas príncipe do
Direito. Depois disto, só nos resta aguardar, que as investigações sobre o
engenheiro mais filósofo do país, que aguarda também fundamentadas acusações
com toda a bravura que o carecteriza, dê em alguma coisa credível e
irrefutável, ou se falhadas as investigações que justificam a medida mais
gravosa aplicada por um filho de um mensageiro e de uma operária fabril, a
alguém da élite política, constituído detido sem culpa provada, não vão
transformar o preso mais visitado e mediático de Portugal num caso que mereça
também ser apresentado e elevado à condição de Património da Cultura e de
Matéria de Estudo Nacional, pelos falsetes no "cante" Judicial na
Magistratura portuguesa.
Sem comentários:
Enviar um comentário