segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

"Filosofando"

Corre por aí de norte a sul, certamente para manter a forma ou para a língua não enferrujar, uma afiada e "sustentada" conversa, sobre o que se passa com e à volta de um ex-1º ministro. Estamos em crer que é esse o tema a que uma jovem deputada do hemiciclo de S.Bento, chamou de "balanço semântico", embora noutro interrogatório e a outra personagem numa Comissão de Perguntas sem Respostas. Não há português que precise de momento de consultar uma obra específica e profunda, que bem podia chamar-se -"Saiba tudo sobre José Sócrates", ou "O que gostaria de saber e não sabe sobre um ex-1ºministro posto atrás das grades". Todos à lareira, no café, do campo à cidade, na net, estão mestres na matéria que condena o homem que agora espera que os que o julgam consigam ou recolham provas para que de facto todos fiquem finalmente convencidos das culpas de que está acusado e feito réu. Não sabemos quanto irá custar ao erário público tais recolhas de provas pela banca internacional, e de Portugal até à Suíça, com paragem e estada pagas por onde rola o soberbo pilim, que os altos magistrados e polícias têm que fazer. Daí o tal "balanço" bem dispendioso. Mas os portugueses parecem andar interessados(!) nas boas e bem empregues contas do Estado , e aguardam resultados sobre as pesquisas, que hão de arrumar de vez com o preso célebre, que adormece no calabouço alentejano, e ao som do "cante" agora elevado à condição de Património Imaterial da Humanidade. No meio desta trapalhada toda, já todos se esqueceram dos casos que vinham a fazer furor, e já ninguém fala com o mesmo acérrimo, de uma velha senhora morta no mato do Brasil que apanhou boleia de um português agora em apuros, do autarca de Oeiras e dos autarcas em geral, do descalabro da governação na Madeira e do País, das informações privilegiadas de accionistas de topo ligados a Oliveira e Costa e a Dias Loureiro, do caso Portucale, da pedolilia evangélica, do sucateiro, dos submarinos e dos pandur, dos "visa dourados e olhos em bico", dos banqueiros ilustres e milionários conhecedores do aroma do caviar, nem sequer do "palito" dos bosques que se alimentava de raízes e de frutos silvestres, quando não encontrava o padeiro. Etc,etc. De repente, já nem o preso nº 44 é expectante, mas sim o seu advogado. Ele sim virou a atenção de todos nós, e por ele suspiramos quando ele chega ou sai do Estabelecimento prisional de Évora. A forma como ele aborda as perguntas dos jornalistas e os desabafos que faz, é que o tornam no personagem central do processo em curso. O que é que ele vai dizer e como. Ele não é "marquês" mas príncipe do Direito. Depois disto, só nos resta aguardar, que as investigações sobre o engenheiro mais filósofo do país, que aguarda também fundamentadas acusações com toda a bravura que o carecteriza, dê em alguma coisa credível e irrefutável, ou se falhadas as investigações que justificam a medida mais gravosa aplicada por um filho de um mensageiro e de uma operária fabril, a alguém da élite política, constituído detido sem culpa provada, não vão transformar o preso mais visitado e mediático de Portugal num caso que mereça também ser apresentado e elevado à condição de Património da Cultura e de Matéria de Estudo Nacional, pelos falsetes no "cante" Judicial na Magistratura portuguesa.



Sem comentários:

Enviar um comentário