segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Mixórdia política



Abro com Eduardo Galeano, escritor uruguaio - " a primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la". Dentro do pouco que julgo saber por dentro da minha ignorância tamanha, permito-me pensar que a cambada de personalidades, com muitos rapazes à mistura, que chegam ao coro do Poder em vários países da UE e que apoiam os EE.UU cegamente, e que são responsáveis por muito desequilíbrio sócioprofissional e familiar, e muito dos seus efeitos e vincados males que percorrem algumas nações que lutam pela sua soberania económica ou independência territorial e financiamento capaz, mostram a verdadeira face quando são chamados a intervir nos conflitos dolorosos que vão estalando pelo mundo. Portugal, moço dos pregos, incluído. A sua forma de actuação diverge ou difere sempre de acordo com os seus mais elevados interesses, sejam políticos, estratégicos, geográficos, económicos, e escondidos. Desestabilizadores, sobretudo. Todos incendeiam e minam tudo quando podem e lhes convém. De seguida fazem de conta que deitam água na fogueira que atearam "diplomáticamente" e para acalmar excessos quando acham que estão a ser ultrapassados, ou a perder o controlo da besta ou inferno que originaram. A esses países vítimados, pobres, frágeis e por tal, de fácil manipulação, espoliados das suas riquezas ou aonde pretendem entrar para os explorar ainda mais, catalogam-nos de ditaduras ou pertencentes ao "Eixo do Mal". Vejam só. Chamam-lhes aquilo de que deviam ser chamados eles mesmo. Deixemos as maldades históricas levadas a cabo em todo o Oriente Médio, Ásia e África, e passemos ao que se passa hoje na Venezuela, mas sobretudo na Ucrânia, mas sejamos sintéticos devido ao espaço que é pouco e ao talento que é menos ainda. A UE em conluio com os Estados Unidos e a Nato, apoiam os rebeldes que erguem a desordem civil e exortam-nos à luta contra os governos legítimos nesses países de continentes afastados e atractivos bem diferentes, eleitos pelo povo sem ou através de iguais manigâncias às de cá. As razões desses povos que os levam aos protestos são as mesmas razões que no nosso país bastam. Mal-estar, fome, desemprego, destruição das estruturas culturais, de protecção social, dos bens pessoais e da família e nenhuma perspectiva de futuro, e cada vez menos liberdade e igualdade de oportunidades, e com uma grande mistura por lá de fascismo disfarçado, que renasce e se espalha com sustento Ocidental. Mas os EE.UU. essa sim, nação valente e dona da NATO, que está por detrás de quase tudo o que é convulsão de estratégias e de paz social no planeta – e aqui regressamos a Galeano, que não é cá de modas, mas o autor de”As veias abertas da América Latina”, quando disse que “de cada vez que os estados unidos vão salvar um povo convertem-no num cemitério ou num manicómio”- carregado ao colo pelos moços dirigentes da UE, pretendem convencer-nos que estão sempre do lado do Homem, do Bem e da verdadeira Democracia. Deve ser por isso que se imiscuem até na Justiça Suprema da Ucrânia, ao exigirem a libertação da mulher da rosca entrançada, a cumprir pena por crime de corrupção, Iulia Timochenko, como condição para assinar um Acordo de Associação, enquanto na Turquia Ocalam continua detido como terrorista e na “lista americana”, e não como rebelde que luta pela independência do seu “curdistão”, tal como o fizeram Xanana em Timor ou Yasser Arafat na Palestina e outros. Sendo assim e estando nós a precisar de derrubar tudo quanto nos ofende, compromete, e agride no dia-a-dia, esperemos que quando na rua levantarmos barricadas contra o governo em funções, incendiarmos praças, pegarmos em armas, para exigirmos melhores condições de vida, o regresso dos filhos e dos pais “expulsos do país”, e à semelhança da Timochenko a libertação de Vale e Azevedo, de Isaltino, Lima, etc, possamos contar com os apoios dos que agora aplaudem, incitam e financiam os movimentos e grupos fascistas na Venezuela e na Ucrânia, a uma Revolução sem projecto e de sentido perigoso.



sábado, 15 de fevereiro de 2014

Depilagem


Uma dúzia de médicas e de outros técnicos de saúde do Hospital S.João, estão acusadas e indiciadas de prática de crime por uso e abuso e de falsificação, em gastos e despesas em tratamentos de embelezamento íntimo a suportar pela ADSE, em montantes ridículos quando comparados com o que se segue, embora não deixem de ser graves e inadmissíveis. Eu só em parte as condeno porque compreendo os desvarios da sua actuação em área onde se busca bem-estar. Não acredito qua as despesas por elas apresentadas a reembolso à sua Direcção-Geral de Protecção Social, fosse com intuitos de enriquecimento ilícito. Não creio que recorrer aos serviços de uma Clínica do Pelo para remover um buço, limpar um sovaco ou acarecar a púbis, em suma, tornar o corpo mais macio constitua crime severo. Atendendo à profissão que exercem até considero uma vantagem aquele pessoal ou "corpo hospitalar" estar bem depilado, não vá um pelo cair durante uma intervenção médica, no soro ou num preparado a aplicar ao doente que têm em mãos, que estando consciente até há-de apreciar a macieza do acto a que se sujeita. As acusações que sobre elas pendem são várias. Burla, falsificação de documentos, e aproveitamento da profissão para favorecimento de familiares. Coisa banal em todas as áreas do Poder neste país. No que me toca, eu prefiro o atendimento por uma médica ou enfermeira macia, suave, bem feminina, e por isso aceito a sua preocupação com a beleza e apresentação no hospital, do que ser atendido em autarquia por um peludo ou peluda qualquer e que nos rapa a carteira se puder. Elas com certeza só querem agradar aos doentes. Dá saúde e encanta mais ver umas mulheres assim mesmo em bata de trabalho, do que mirar na praia aquelas, em maillot, com a pelugem a sair pelas bordas fora. Agora que estão debaixo de sanções e que lhes querem chegar ao pelo com penas desproporcionadas, eu pergunto: - não será bem mais grave e constitui um crime mais reprovável e que devia levar à prisão todos aqueles que estão envolvidos no Caso dos Submarinos, que lesaram o Estado português, ou seja o povo, em muitos milhões de euros e em proveito privado e que agora foram absolvidos pela Justiça, sem pudor, enquanto as "depiladas" a operar no HSJ já estão sob investigação e sanção preventiva, sem que se tenha provado ainda, que foram reembolsadas pela sua "caixa"? E que dizer dos tantos benefícios obscenos que os deputados da Assembleia da República ou Casa do Povo(!) retiram, até nos preços irrisórios que pagam ou devem ao balcão do bar lá instalado e que são por nós subsidiados? Incongruências à portuguesa. Que ninguém se arrepie por mais esta delapidação. Perdão, - depilação!