"Ó tempo, volta p´ra trás. Dá-me tudo o que eu perdi..."No
antigamente eram os pobres, sim, com pão suado mas garantido. "Abril"
aconteceu, malfadado como se sabe e logo se sente, e agora os pobres são mais
pobres e sem o pão na mesa, nem à partida nem à chegada, enquanto os ricos,
juntam ao seu, o ouro, que o pobre guardou de dedo em dedo, de mão em mão, e
que hoje vai vendendo a conta-gotas de loja em loja, e os ricos ficam mais
ricos. Antes de "Abril", o pobre sonhava menos, ou emigrava para
realizar sonhos. Depois de "Abril", e de tantas promessas e
verdadeiras mentiras, qualquer sonho actual desfaz-se num pestanejar, e num
abrir ou fechar olhos, vira pesadelo, preocupação, angústia - suicídio. Antes
da festa dos cravos vermelhos, eram côdeas, eram espinhos, e havia trabalho que
dava pão. Duro podia ser, mas era pão. Agora é só floreado murcho,compadrio,
conversa chocha ou da treta, encerramentos, abandono, desemprego e suicídio de
novo, ou filas de homens e mulheres em busca dele, por tudo quanto é cantina,
lar da misericórdia, paróquia, mão da caridade. Dantes era a emigração do pobre
e analfabeto. Hoje é a emigração de quem continua atado à pobreza, que parte junto
aos que se recusam a serem pobres, embora instruídos e cultos. Os envolvidos no
"Abril", teriam feito melhor, se tivessem ficado nos quartéis, a
descascar ervilhas, a cortar salsichas, a depenar galinhas, e nos intervalos
dessa guerra, a limpar as armas, que para nada serviram e nada trouxeram, que
nos faça mais seguros e mais felizes. Pobre, de barriga vazia, não come paleio
e de pouco lhe serve a liberdade filosófica, da burguesia e do capitalismo
"democrático". "Que saudades que tenho da minha alegre casinha,
tão modesta quanto eu"... mas que dela nunca ninguém me despejou, até que
"Abril" chegou. Hoje dormimos pior, cada vez mais estendidos debaixo
da ponte da miséria. Apetece sob o seu arco, cantarolar em tom de alívio,
"ó tempo volta p´ra trás..."
terça-feira, 23 de abril de 2013
terça-feira, 2 de abril de 2013
Efeméride
Para não encurtar ainda mais a memória, e apagar a história, recordemos.
A 04 de abril de 1968, assassinaram na América das oportunidades e da pólvora,
um Homem, que lutava e sonhava ao mesmo tempo, por um mundo melhor, ou que
lutava para que o sonho feito de preocupações se tornasse, uma realidade feliz
- era "o messias negro". 45 anos depois, outro negro ocupa a Casa
Branca, e tem o Poder do Mundo nas mãos. Porém, ainda falta cumprir muitos dos
Direitos Civis, pelos quais Martin L. King, morreu. A sua luta, feita no
sacrifício da vida, pela libertação do seu povo, ajudou a que Obama, ascendesse
ao poder da nação tão rica quanto contestada, e se acomode hoje, na cadeira da
Sala Oval, onde a hipotética virtude dá por vezes lugar ao pecado consumado, e
onde o sonho continua a girar, enquanto o Mundo, às voltas, desespera no
pesadelo, por entre tanta desordem e violência, com mat(r)izes diversas. Homens
, como Martin Luther King, precisam-se. São urgentes. Recordêmo-lo também
nestes dias cinzentos, e até perigosos, mas que se queriam ainda e sempre de
Páscoa.
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