terça-feira, 23 de abril de 2013

A corda no canto,que "Abril" teceu


"Ó tempo, volta p´ra trás. Dá-me tudo o que eu perdi..."No antigamente eram os pobres, sim, com pão suado mas garantido. "Abril" aconteceu, malfadado como se sabe e logo se sente, e agora os pobres são mais pobres e sem o pão na mesa, nem à partida nem à chegada, enquanto os ricos, juntam ao seu, o ouro, que o pobre guardou de dedo em dedo, de mão em mão, e que hoje vai vendendo a conta-gotas de loja em loja, e os ricos ficam mais ricos. Antes de "Abril", o pobre sonhava menos, ou emigrava para realizar sonhos. Depois de "Abril", e de tantas promessas e verdadeiras mentiras, qualquer sonho actual desfaz-se num pestanejar, e num abrir ou fechar olhos, vira pesadelo, preocupação, angústia - suicídio. Antes da festa dos cravos vermelhos, eram côdeas, eram espinhos, e havia trabalho que dava pão. Duro podia ser, mas era pão. Agora é só floreado murcho,compadrio, conversa chocha ou da treta, encerramentos, abandono, desemprego e suicídio de novo, ou filas de homens e mulheres em busca dele, por tudo quanto é cantina, lar da misericórdia, paróquia, mão da caridade. Dantes era a emigração do pobre e analfabeto. Hoje é a emigração de quem continua atado à pobreza, que parte junto aos que se recusam a serem pobres, embora instruídos e cultos. Os envolvidos no "Abril", teriam feito melhor, se tivessem ficado nos quartéis, a descascar ervilhas, a cortar salsichas, a depenar galinhas, e nos intervalos dessa guerra, a limpar as armas, que para nada serviram e nada trouxeram, que nos faça mais seguros e mais felizes. Pobre, de barriga vazia, não come paleio e de pouco lhe serve a liberdade filosófica, da burguesia e do capitalismo "democrático". "Que saudades que tenho da minha alegre casinha, tão modesta quanto eu"... mas que dela nunca ninguém me despejou, até que "Abril" chegou. Hoje dormimos pior, cada vez mais estendidos debaixo da ponte da miséria. Apetece sob o seu arco, cantarolar em tom de alívio, "ó tempo volta p´ra trás..."

terça-feira, 2 de abril de 2013

Efeméride


Para não encurtar ainda mais a memória, e apagar a história, recordemos. A 04 de abril de 1968, assassinaram na América das oportunidades e da pólvora, um Homem, que lutava e sonhava ao mesmo tempo, por um mundo melhor, ou que lutava para que o sonho feito de preocupações se tornasse, uma realidade feliz - era "o messias negro". 45 anos depois, outro negro ocupa a Casa Branca, e tem o Poder do Mundo nas mãos. Porém, ainda falta cumprir muitos dos Direitos Civis, pelos quais Martin L. King, morreu. A sua luta, feita no sacrifício da vida, pela libertação do seu povo, ajudou a que Obama, ascendesse ao poder da nação tão rica quanto contestada, e se acomode hoje, na cadeira da Sala Oval, onde a hipotética virtude dá por vezes lugar ao pecado consumado, e onde o sonho continua a girar, enquanto o Mundo, às voltas, desespera no pesadelo, por entre tanta desordem e violência, com mat(r)izes diversas. Homens , como Martin Luther King, precisam-se. São urgentes. Recordêmo-lo também nestes dias cinzentos, e até perigosos, mas que se queriam ainda e sempre de Páscoa.