segunda-feira, 5 de abril de 2021

"PÁSCOA"

- A Páscoa é isto. Parece pretender ser uma Festa Santa, sagrada até mais não, mas não deixa de ser apenas um ovo gigante, do tamanho do universo, mas com um recheio de infelicidade, injustiça, maldade, crime, fome, abandono, perseguição, matança pelo mundo onde Ela se celebra e se lhe dá relevo comercial, e se silencia a miséria. Fazem-se promessas de prosperidade e votos de bem-estar uns aos outros, para de seguida, cada um pensar em si e na sua gastronomia. As pessoas juntam-se aos magotes à entrada das superfícies comerciais, e aquilo é um espectáculo ver sair carrinhos de carga pessoais, e sacos a abarrotar de necessidades e de inutilidades de onde irá sobrar o que a muitos irá faltar para aconchegar o estômago e a família que pena. Nesta época ninguém parece padecer martírio. É uma Festa Sagrada ou muito disfarçada de falsa fartura, de doçaria que azeda depressa e aumenta o colesterol e a diabetes. Mas é uma Festa acarinhada e Louvada, por políticos e agentes comerciais, que quanto mais ganham logo querem mais. Estão "todos em crise", à excepção dos pobres de sempre, que nem por esta Época são bafejados por milagre santo, que dessa condição os salve. Época também de hipocrisia, desde um qualquer altar até um Conselho de Ministros beneméritos, sentados num qualquer parlamento a chupar umas amêndoas variadas. O pobre em casa ou no casebre onde arrepia de pesadelo, nem pão amargo lhe chega ou côdea como brinde saído de dentro de ovo decorado. A Páscoa é isto. Uma festa em azáfama, correria para a luxúria, votos cobertos de cinismo, pobres cheios de amargura à procura de cama e mesa desde há séculos e de salários nos dias de hoje. Gente que foge de guerras, povo em busca de paz e de Terra. Páscoa é qualquer coisa ainda sem grande explicação e dádiva de conforto. Páscoa também vem no carrinho de compras do supermercado cheia de hipocrisia. De qualquer maneira, desejo aos sobreviventes, a melhor Páscoa possível. Um abraço para todos eles e aos que eles amam, mesmo envoltos no tanto frio da escassez e do esquecimento, trazidos sempre ao colo da mentira e da promessa sempre adiada pregada na falsidade; 

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