quinta-feira, 30 de abril de 2020

"Heróis e heróis"

- Em Portugal chama-se "herói" a qualquer um que levante um dedo. E se envergar uma bata mal abotoada, e uma gravata em camisa de seda, holala! São heróis por exercerem ofício que dá nas vistas e é propagandeado, ou faz que carregam algo ao som de alarme e sirene. O carteiro que leva as cartas a Lisboa, ao vizinho e ao afastado familiar com a simples intenção de querer saber se está vivo e de saúde, desse nem se ouve falar. O carteiro que não pode interromper a entrega da notificação do tribunal, das finanças, do credor que lhe aviou fiado o paio com boroa, esse, mesmo fardado com colete à prova de vírus, ninguém sabe por que "perigos e guerras anda esforçado". O pedinte, que de porta em porta, expõe a mão estendida em busca de um naco de pão, sem luvas azuis, nem açaimo nojento na boca a fim de evitar o vírus ainda mais nojento, desses e do indigente e reformado, ninguém se lembra, e para eles não haverá homenagens nem perfomances, desde a varanda da rua até ao palacete das medalhas, dos bem-intencionados e protegidos por boa vida e melhor salário, e grande assistência qualificada. Tais "operários" que exercem o que lhes está atribuído e que requer competência e consciência, aplicação e esforço, com chuva e frio, não é motivo para ganhar direito a estátua no Terreiro das vaidades. Faz apenas o que está dentro das funções para a qual o país o preparou e pagou para as ter. Certo, que nem todos se arrastaram por lá atrás da cura do paciente apanhado pelo "bicho", agora também ele famoso, com o mesmo ardor e ao mesmo ritmo que os convictos na luta que é para vencer. A dança deu ainda para meter máscara, e fanfarra ouviu-se por todo o largo. A Comunicação Social, ajudou e fez o que lhe competia. Aumentou o ritmo, o espalhafato, e o número de "heróis", saídos do deserto da falta de meios, de condições, conforme as queixas que dia a dia, constantemente se ouviam e liam. Foi pena não as terem para evitarem o número de mortos alargado, que comparativamente a países bem mais populosos, foi exagerado e ainda não estamos curados nem livres do "bicho", Esperemos que a pressa de mandar crianças delicadas, frágeis para os albergues escolares, não traga arrependimento e mais sacrifício aos especialistas em varrer e desinfectar-nos da epidemia, que a qualquer momento pode levantar a cabeça e apanhar gente tão tenrinha, afastados da melhor assistência que tiveram até agora em suas casas - os pais, por quem se agarraram agora ainda mais, e de quem mais vai custar o afastamento. Mas estes também são os maiores "heróis" que eles têm e tiveram por perto e com infectados apoios e mau salário aguentaram, outros tesos como carapaus desinfectados - os pais heróis! *

-*(DNotícias-02.05.020)


sexta-feira, 24 de abril de 2020

Uma Reflexão que quer ser Poema!







-Talvez já o tenham dito melhor do que eu:
que é da terra que nasce o pão
 e endurecem as mãos calejadas;
Que é dos braços que firmam a enxada,
 que se abre o caminho de onde se colhe o amanhã;
 Talvez seja por este caminho
 que a mesa se conforta, e se abra espaço
que amacia a dor da fome, e da noite
por onde o morcego negro, esvoaça e assusta;


Em cada manhã, o sol quer estar presente,
 rasgar a neblina densa, e iluminar o fruto
que nos alimenta, e nos dá vida;
Por vezes os dias tornam-se cruéis
e chegam vergados de dor;
 O mundo rola e tropeça na desgraça
que nos ameaça, na maldição invisível, 
imprevista, e nem sequer sonhada;
Somos frágeis como andorinhas,
que pouco se demoram na primavera,
 e logo partem para melhor lugar,
até que de novo o sol, volte a brilhar,
e renove a esperança por entre os raios da manhã,
nos encontremos a entoar a canção da Primavera,
 e nos anime a voltar ao caminho, de melhor e feliz Vida!

                                                   

quarta-feira, 22 de abril de 2020

"As missas dos "galos"

sexta-feira, 17 de abril de 2020

O Povo é quem mais sabe agir

                                                                


                                                          O Povo é quem mais sabe agir

- Embora o número de infectados confirmados até há poucos dias, seja de "apenas 110", e zero mortos, agora que o covid-19 está a desfalecer, vem o presidente da Câmara de Penafiel, divulgar através do jornal, com um atraso que introduz, espanto, dizer que vai  "dar" máscaras à população, certamente para se proteger de uma calamidade que caminha para estacionar junto aos novos contentores de recolha de lixo, colocados quase debaixo das janelas dos prédios a eles encostados, sem as poderem abrir. Cinco meses ou mais decorridos sobre o estouro do vírus assassino e viajante, a CMPenafiel, acordou e descobriu que em Penafiel habita muita gente espalhada pela cidade e outra zonas mais escondidas. Talvez que o município, ainda vá a tempo de evitar que no mapa dos acontecimentos provocados pelo bicharoco que já matou tantos como em guerras com outras armas letais. Ou será que o Concelho seja privilegiado e esteja imune, porque assim a Natureza quis, e o presidente interpretou tal virtude? Mas atenção ao pormenor. As "máscaras" só serão distribuídas em número de três, gratuitamente, a quem as solicitar. Estou mesmo a ver, pois possuo o mesmo dom do autarca, que alguém vai ficar com um montão delas, porque poucos já se vão incomodar em requerê-las mesmo à borla, excepto empresas que a tudo e a todos os processos recorrem para obter vantagens. Mas mais vale tarde do que nunca. Já o dizia a dona Rosinha dos limões e do chá de urtigas. De louvar a dádiva de ventiladores ao HPadre Américo pela C.C Agrícola, e a elevada atitude da generosa gente da freguesia de BOELHE que se uniu para adquirir mais ventiladores para serem doados ao mesmo Hospital, substituíndo assim, o Município e os eleitos que o dirigem ;

A Grande Crise ou Depressão com crime na forja



- Agora que o covid 19 parece estar a ser varrido para debaixo da lay-off e passarmos a estar submetidos a vivermos em estado de emergência, e a colocar cerca de 2 milhões de pessoas na inquietação, por dentro da depressão e miséria que disso advém, a crise verdadeira vai aumentar sem Futuro reluzente e será sempre presente, que tal como dizia Einstein, esse imaginado Futuro não existe. E é no agora com as condições criadas pelo covid-19, que estão à vista ou à flor da pele que nos vamos ter de confrontar. E as condições criadas não são nada animadoras, excepto para aqueles que são hábeis a "trabalhar" e a safarem-se nas crises sociais e laborais. Suspensos ou interrompidos os meios legais e morais de ganhar a vida como até aqui estava a vida estruturada e aceite como o real garante de sustentação de socialização limpa, todos os que foram parar ao vazio, que o desemprego provoca, vão ter de arranjar um meio que dê para a sobrevivência. De entre esses todos, vão surgir os que para comer e pagar despesas contraídas e a fazer, vão bater à porta do crime, e nele vão tentar o sucesso, que procuravam enquanto tinham emprego e salário limpo e os dignificava na família e na sociedade. Porém o corona-vírus, veio virar o modo de vida que se sustentava na moral e na família equilibrada e decente. Então perdidas tais bases, muitos dos que não beneficiam das benesses que os "padrinhos" de sempre garantem quando toca ao "desenrascanço" vão ter enveredar pelo crime, juntando-se àquele que já existe e nesse mundo, sempre nele soube desenrascar-se. Os portugueses há séculos que são exímios na "arte", pois séculos de miséria fizeram-nos peritos no domínio do grande crime e no pequeno delito para sobrevivência. À crise do covid ainda no ar, vai surgir e reforçar-se a epidemia de doença social, que vai necessitar de mais polícia com máscaras de combate, ou luvas e bastões, sem flores de Abril, agora na ponta aguçada que a depressão em todos se pegou, e pela violência por falta de pão ou melhor alternativa, que este país pode fornecer! -*

-*(DNot.17-04.020)
-*(JN.05Mai020)