-*(DNotícias-02.05.020)
quinta-feira, 30 de abril de 2020
"Heróis e heróis"
- Em Portugal chama-se "herói" a qualquer um que levante um dedo. E se envergar uma bata mal abotoada, e uma gravata em camisa de seda, holala! São heróis por exercerem ofício que dá nas vistas e é propagandeado, ou faz que carregam algo ao som de alarme e sirene. O carteiro que leva as cartas a Lisboa, ao vizinho e ao afastado familiar com a simples intenção de querer saber se está vivo e de saúde, desse nem se ouve falar. O carteiro que não pode interromper a entrega da notificação do tribunal, das finanças, do credor que lhe aviou fiado o paio com boroa, esse, mesmo fardado com colete à prova de vírus, ninguém sabe por que "perigos e guerras anda esforçado". O pedinte, que de porta em porta, expõe a mão estendida em busca de um naco de pão, sem luvas azuis, nem açaimo nojento na boca a fim de evitar o vírus ainda mais nojento, desses e do indigente e reformado, ninguém se lembra, e para eles não haverá homenagens nem perfomances, desde a varanda da rua até ao palacete das medalhas, dos bem-intencionados e protegidos por boa vida e melhor salário, e grande assistência qualificada. Tais "operários" que exercem o que lhes está atribuído e que requer competência e consciência, aplicação e esforço, com chuva e frio, não é motivo para ganhar direito a estátua no Terreiro das vaidades. Faz apenas o que está dentro das funções para a qual o país o preparou e pagou para as ter. Certo, que nem todos se arrastaram por lá atrás da cura do paciente apanhado pelo "bicho", agora também ele famoso, com o mesmo ardor e ao mesmo ritmo que os convictos na luta que é para vencer. A dança deu ainda para meter máscara, e fanfarra ouviu-se por todo o largo. A Comunicação Social, ajudou e fez o que lhe competia. Aumentou o ritmo, o espalhafato, e o número de "heróis", saídos do deserto da falta de meios, de condições, conforme as queixas que dia a dia, constantemente se ouviam e liam. Foi pena não as terem para evitarem o número de mortos alargado, que comparativamente a países bem mais populosos, foi exagerado e ainda não estamos curados nem livres do "bicho", Esperemos que a pressa de mandar crianças delicadas, frágeis para os albergues escolares, não traga arrependimento e mais sacrifício aos especialistas em varrer e desinfectar-nos da epidemia, que a qualquer momento pode levantar a cabeça e apanhar gente tão tenrinha, afastados da melhor assistência que tiveram até agora em suas casas - os pais, por quem se agarraram agora ainda mais, e de quem mais vai custar o afastamento. Mas estes também são os maiores "heróis" que eles têm e tiveram por perto e com infectados apoios e mau salário aguentaram, outros tesos como carapaus desinfectados - os pais heróis! *
-*(DNotícias-02.05.020)
-*(DNotícias-02.05.020)
sexta-feira, 24 de abril de 2020
Uma Reflexão que quer ser Poema!
-Talvez já o tenham dito melhor do que eu:
que é da terra que nasce o pão
e endurecem as mãos calejadas;
Que é dos braços que firmam a enxada,
que se abre o caminho de onde se colhe o amanhã;
Talvez seja por este caminho
que a mesa se conforta, e se abra espaço
que amacia a dor da fome, e da noite
por onde o morcego negro, esvoaça e assusta;
Em cada manhã, o sol quer estar presente,
rasgar a neblina densa, e iluminar o fruto
que nos alimenta, e nos dá vida;
Por vezes os dias tornam-se cruéis
e chegam vergados de dor;
O mundo rola e tropeça na desgraça
que nos ameaça, na maldição invisível,
imprevista, e nem sequer sonhada;
Somos frágeis como andorinhas,
que pouco se demoram na primavera,
e logo partem para melhor lugar,
até que de novo o sol, volte a brilhar,
e renove a esperança por entre os raios da manhã,
nos encontremos a entoar a canção da Primavera,
e nos anime a voltar ao caminho, de melhor e feliz Vida!
quarta-feira, 22 de abril de 2020
"As missas dos "galos"
- vai aí uma preocupação com a reiniciação das missas,quer pelo poder Episcopal, quer pelas entidades governamentais, que nem no tempo do Cerejeira aconteceu. A fome negra sempre que se gruda ao estômago vazio, e a miséria faz soar os sinos, a salvação e a acalmia pode estar nas santas mas ineficazes missas, já que futebol nem vê-lo, e o fado esse toca ao ritmo antigo, cada vez mais. Reentramos na política dos 3 efes, tão criticado em tempos, que qualquer campainha que soasse assustava mais que acalmava. Ao que parece as autoridades também se batem por elas de mãos erguidas, e o credo na boca. Mas elas andam por aí, através de meios modernos com tecnologia de ponta e sem auxiliares, que ajudam o padre de serviço a espalhar a Fé que resiste e tudo salva. Tal como dizia Vitorino Nemésio - " eu sei que o que é preciso é Fé, mas ela a mim falta-me". Ora eu interrogo-me sempre que as calamidades acontecem, por que elas caem sempre sobre as cabeças dos eternos pobre e desvalidos, mais vezes do que em cima dos abonados e confinados a viver na abundância e rodeados de mil cuidados, instalados em reais condições e bons aposentos, e não em barracas à beira de uma tigela de sopa sem feijão, dada de tempos a tempos, e enriquecida por uma qualquer Oração de um qualquer Cerejeira que tenha escapado ao "vírus pacífico" que levou o adjunto de Salazar? Desde há séculos que a miséria fez dobrar a Humanidade e a entorpece e a emudece, e a mete fechada em casa, já que o povo não pode sair para lado nenhum, pois não tem posse nem para ir dar esmola ao padre, nem para dar um simples passeio de bicicleta, até pelas redondezas da sua barraca. Os políticos, interpretam isto, como tal comportamento se deve a sermos um povo bem mandado. É verdade. Somos de facto um povo submisso, e por isso vivemos no meio de lixo e da fartura deitada ao bidão, pelos que não conseguem consumir tudo e desnudar os indigentes. As missas estão assim descapitalizadas, a caixa de esmolas não dá para o pároco beber um copito do das missas, e o povo anda desconsolado, como andou sempre. Nem o terço enrolado nas mãos lhes recompensou por tanta Fé, ausente, agora de junto ao Altar. Porém a Conferência Episcopal daqui e dali, os quer de regresso, que o vinho está a acabar, e as flores vão murchas que outras santas beatas costumam ir lá embelezar com amor e paixão, mal o sol nasça, a manhã rompa, e dobrem as badaladas que as reclamam. O governo actual, que veio da discussão de Abril, também que o povo sereno, e a continuar em casa cheio de esperança e de coração ao alto!*
-*(DNotícias.Mdrª-23.04.020)
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sexta-feira, 17 de abril de 2020
O Povo é quem mais sabe agir
- Embora o número de infectados confirmados até há poucos dias, seja de "apenas 110", e zero mortos, agora que o covid-19 está a desfalecer, vem o presidente da Câmara de Penafiel, divulgar através do jornal, com um atraso que introduz, espanto, dizer que vai "dar" máscaras à população, certamente para se proteger de uma calamidade que caminha para estacionar junto aos novos contentores de recolha de lixo, colocados quase debaixo das janelas dos prédios a eles encostados, sem as poderem abrir. Cinco meses ou mais decorridos sobre o estouro do vírus assassino e viajante, a CMPenafiel, acordou e descobriu que em Penafiel habita muita gente espalhada pela cidade e outra zonas mais escondidas. Talvez que o município, ainda vá a tempo de evitar que no mapa dos acontecimentos provocados pelo bicharoco que já matou tantos como em guerras com outras armas letais. Ou será que o Concelho seja privilegiado e esteja imune, porque assim a Natureza quis, e o presidente interpretou tal virtude? Mas atenção ao pormenor. As "máscaras" só serão distribuídas em número de três, gratuitamente, a quem as solicitar. Estou mesmo a ver, pois possuo o mesmo dom do autarca, que alguém vai ficar com um montão delas, porque poucos já se vão incomodar em requerê-las mesmo à borla, excepto empresas que a tudo e a todos os processos recorrem para obter vantagens. Mas mais vale tarde do que nunca. Já o dizia a dona Rosinha dos limões e do chá de urtigas. De louvar a dádiva de ventiladores ao HPadre Américo pela C.C Agrícola, e a elevada atitude da generosa gente da freguesia de BOELHE que se uniu para adquirir mais ventiladores para serem doados ao mesmo Hospital, substituíndo assim, o Município e os eleitos que o dirigem ;
A Grande Crise ou Depressão com crime na forja
- Agora que o covid 19 parece estar a ser varrido para debaixo da lay-off e passarmos a estar submetidos a vivermos em estado de emergência, e a colocar cerca de 2 milhões de pessoas na inquietação, por dentro da depressão e miséria que disso advém, a crise verdadeira vai aumentar sem Futuro reluzente e será sempre presente, que tal como dizia Einstein, esse imaginado Futuro não existe. E é no agora com as condições criadas pelo covid-19, que estão à vista ou à flor da pele que nos vamos ter de confrontar. E as condições criadas não são nada animadoras, excepto para aqueles que são hábeis a "trabalhar" e a safarem-se nas crises sociais e laborais. Suspensos ou interrompidos os meios legais e morais de ganhar a vida como até aqui estava a vida estruturada e aceite como o real garante de sustentação de socialização limpa, todos os que foram parar ao vazio, que o desemprego provoca, vão ter de arranjar um meio que dê para a sobrevivência. De entre esses todos, vão surgir os que para comer e pagar despesas contraídas e a fazer, vão bater à porta do crime, e nele vão tentar o sucesso, que procuravam enquanto tinham emprego e salário limpo e os dignificava na família e na sociedade. Porém o corona-vírus, veio virar o modo de vida que se sustentava na moral e na família equilibrada e decente. Então perdidas tais bases, muitos dos que não beneficiam das benesses que os "padrinhos" de sempre garantem quando toca ao "desenrascanço" vão ter enveredar pelo crime, juntando-se àquele que já existe e nesse mundo, sempre nele soube desenrascar-se. Os portugueses há séculos que são exímios na "arte", pois séculos de miséria fizeram-nos peritos no domínio do grande crime e no pequeno delito para sobrevivência. À crise do covid ainda no ar, vai surgir e reforçar-se a epidemia de doença social, que vai necessitar de mais polícia com máscaras de combate, ou luvas e bastões, sem flores de Abril, agora na ponta aguçada que a depressão em todos se pegou, e pela violência por falta de pão ou melhor alternativa, que este país pode fornecer! -*
-*(DNot.17-04.020)
-*(JN.05Mai020)
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