Ao que se sabe, a porca torceu o pernil e não chegou ao
destino desejado neste Natal. Talvez que tenha sido desviado para Copacabana,
aonde junto à beira-mar, costumam ver-se em passo de corrida, uns belos pares
de pernis bronzeados, que nos fazem espumar pela boca e arregalar a pestana. Na
Venezuela bolivariana, Maduro também espuma pelo bigode e vocifera pelos dentes,
por Portugal ter-lhe passado uma rasteira e retirar-lhe o cumprimento da
promessa de levar à mesa do seu povo, o pernil prometido e tradicional nesta
quadra festiva e muita cristã. Portugal parece ter enfileirado no boicote camuflado
àquele país, mais produtor de petróleo do que de suínos, embora os lá haja
semelhantes aos nossos. Pensa-se ainda que tal problema provocado ao líder
Nicolás Maduro, tenha sido por uma questão de contas bloqueadas para pagamento
da encomenda feita a tempo e horas. Portugal é por sua vez um país muito
cristão, e seria incapaz de por um povo à míngua, retirando-lhe o pão da boca,
quando por cá ele sobra e até é deitado ao lixo. Pelo nosso país, não há gente
com fome. Há necessitados. Mobilizam-se portugueses junto dos grandes mercados,
para angariar alimentos e depois doá-los, mas tudo não passa de um
entretenimento natalício ou de ocasião. E são tantas e fartas dádivas, que não
tendo a quem as dar, deitam-nas aos contentores do lixo, como aconteceu com um
monte de bolos-rei. É certo, que no envio por barco, do pernil esperado na
Venezuela, já não podia ter sido despachado junto, tal achado, para ser
distribuído gratuitamente aos famintos do lado de “cima do equador”, e a banhos
no Caribe, ou em protestos na rua e com o fogo pronto. Com a sabotagem ou outra
manobra política, feita por Portugal, o povo venezuelano arrisca esticar o
pernil, e apenas com tempo de celebrar com raiva, o credo sonhado e a santa
unção ao próximo. Viva a solidariedade!
-*(publicdºno DN.madª.29/12/017)
-*(pubcdºno PÚBLICO - 31/12/017)
-*(publicdºno DN.madª.29/12/017)
-*(pubcdºno PÚBLICO - 31/12/017)
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