quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Uma questão de pernil

Ao que se sabe, a porca torceu o pernil e não chegou ao destino desejado neste Natal. Talvez que tenha sido desviado para Copacabana, aonde junto à beira-mar, costumam ver-se em passo de corrida, uns belos pares de pernis bronzeados, que nos fazem espumar pela boca e arregalar a pestana. Na Venezuela bolivariana, Maduro também espuma pelo bigode e vocifera pelos dentes, por Portugal ter-lhe passado uma rasteira e retirar-lhe o cumprimento da promessa de levar à mesa do seu povo, o pernil prometido e tradicional nesta quadra festiva e muita cristã. Portugal parece ter enfileirado no boicote camuflado àquele país, mais produtor de petróleo do que de suínos, embora os lá haja semelhantes aos nossos. Pensa-se ainda que tal problema provocado ao líder Nicolás Maduro, tenha sido por uma questão de contas bloqueadas para pagamento da encomenda feita a tempo e horas. Portugal é por sua vez um país muito cristão, e seria incapaz de por um povo à míngua, retirando-lhe o pão da boca, quando por cá ele sobra e até é deitado ao lixo. Pelo nosso país, não há gente com fome. Há necessitados. Mobilizam-se portugueses junto dos grandes mercados, para angariar alimentos e depois doá-los, mas tudo não passa de um entretenimento natalício ou de ocasião. E são tantas e fartas dádivas, que não tendo a quem as dar, deitam-nas aos contentores do lixo, como aconteceu com um monte de bolos-rei. É certo, que no envio por barco, do pernil esperado na Venezuela, já não podia ter sido despachado junto, tal achado, para ser distribuído gratuitamente aos famintos do lado de “cima do equador”, e a banhos no Caribe, ou em protestos na rua e com o fogo pronto. Com a sabotagem ou outra manobra política, feita por Portugal, o povo venezuelano arrisca esticar o pernil, e apenas com tempo de celebrar com raiva, o credo sonhado e a santa unção ao próximo. Viva a solidariedade!

-*(publicdºno DN.madª.29/12/017)
-*(pubcdºno PÚBLICO - 31/12/017)

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Destaque em 1ªpágª

- a preocupação do JN, que devia ser a de Informar, é já de algum tempo, apenas a de tomar a defesa de réu culpado posto em tribunal. Um atleta, que é procurado pelo Fisco de Castela, e de quem aguarda cumprimento do crime de que está acusado, e a quem se "sentencia" dever pena de prisão. No nosso território, há compensação e aplausos de alguns por tais actos, e até se lhes põe nome em locais de gabarito, e até se lhes presta bajulação, e se espeta com um pedaço de bronze à porta de parques onde mijam os cães, ou outros que andam pelo ar aonde voa diversa passarada de bom bico. O nosso destino é este que o JN segura e leva ao colo. Depois fazem notícia sobre desvios de fortunas, deste e daquele, desta e daquela Instituição, empresário ou político, como quem busca protagonismo jornalístico e de título. Para um jornal de referência, fica-lhe bastante mal e feio o conluio com um trapaceiro. Incoerente sobretudo, naturalmente. Digam ao homem "omnipresente",dos afectos, beijo e abraços, que lhe mande uma medalha e o eleve à condição de "Conde"!

                       

(*autor repentista, na lista negra de certos matutinos)

domingo, 24 de dezembro de 2017

R.Mad.- 0 vs Barça -3





RM- 0 vs Barça 3

25 DEZ 2017 / 02:00 H.










    Em Madrid, Puigdemonte volta a ganhar a Filipe e a Rajoy. O melhor clube do mundo que tem na sua formação o melhor jogador de todos os tempos, alcança uma vitória soberba sobre o clube do regime castelhano. Resultado escasso para o show exibido, mas que mesmo assim rondou a goleada. Não vou salientar o Barça que na segunda parte deu baile, nem de Messi que soma e segue, nem do árbitro que não marcou um penalti a favor dos “culés” e da falta de cartão vermelho a Sérgio Ramos, na primeira parte. Não vou falar sequer dos dois portugueses que participaram na equipa blaugrana. Vou apenas relevar o pior jogador em campo, e da sua nojenta e pedante entrada no estádio. É ele o terceiro jogador luso que esteve em jogo, e se chama Ronaldo. Pode ser apenas um pormenor. Mas é daqueles que revela uma personalidade ou uma forma foleira de se dar a ver. Talvez uma coisa que passa despercebida a muitos, mas que outros topam à distância e através das câmaras de tv. Quando as equipas entram lado a lado em campo, e seguem em fila indiana, os jogadores levam pela mão um(a) jovem. Mas o mais vaidoso 7, a que junta as iniciais CR, só aparece no fim, a uns 5 metros do último da fila da sua equipa acabada de entrar no relvado. E não bastando este isolamento provocado, para se destacar, mal pisa a relva, larga a mão da jovem e dá dois pinchos e um salto, como forma de assustar que nem macaco, a saltar de galho em galho. A vaidade devia pagar imposto. mas o tal de CR7 já deu provas que é mau pagador, na hora de se chegar à frente. O fisco devia ter tal comportamento em conta, e os portugas órfãos também deviam olhar para a atitude ridícula deste “madrileno”, que vai para o museu. Ninguém lhe exige tanto, e até se dispensava bem esta má exibição!

    -*(publicdº no DNmadª e na Sábado-nº713)











    OUTRAS NOTÍCIAS
















    La muchacha

    24 DEZ 2017 / 02:00 H.






      A gente olha para ela e não vê se não uma garota de programa, para passar um tempo em Porto Santo ou em Olhão, nas areias delicadas de um e outro lugar à beira- mar, sob aveludado sol. No entanto há os que não pensam assim, e forçam para que a gente veja nela, só, uma líder política capaz de levar por diante um projecto que a ultrapassa e até a esmaga. Todas as leituras são legítimas. Quase todos analisam de acordo com os seus desejos e vontades, e poucos são, os frios e objectivos, distantes e neutros. As opiniões divergem, entendendo que ela ganhou as eleições autonómicas. Outros que tal vitória é inconsequente e que a Catalunha, continuará no impasse sem saída pacífica e aliviadora da situação existente. Vitória de Pirro do Épiro, chamam-lhe, os mais críticos e desalinhados. É um facto, que tal resultado obtido pela rapariga vistosa, não dá para que assuma a presidência da Generalitat. Nem a moça graciosa, tem fôlego e desembaraço para a luta que se avizinha. Não lhe bastaria o sorriso pela vitória agridoce alcançada. A Esquerda dos políticos batidos nestas batalhas, entre Filipes, Rajoys, regime viciado em franquismo, e os que se opõem ao artigo 155, desde o cárcere até Bruxelas, não permitiam à “muchacha” licenciada em Direito, com cara de bolacha da “cuêtara”, permanecer no cargo maior, durante tempo suficiente para provar a sua capacidade de governante de um povo, que quer viver em República, e renega a monarquia velha, e sem defesa nem razão para existir. De Bruxelas chega a voz do verdadeiro líder. Aquele que ainda é tratado por, Presidente. Não que ele represente todos os catalães, mas aqueles, que somados os “escaños” obtidos na área independentista, podem ditar de facto, o caminho a seguir, ou a retomar a direcção interrompida, pela acção da força e da repressão de Madrid, prendendo e exilando os líderes que lutam por um anseio velho de séculos. Por ora, a Catalunha, é uma espécie de cubo de Rubick, a precisar de quem dê as voltas necessárias para que as faces todas se apresentem certas, e com a exigência reclamada. Caso contrário, não lhe valerá de nada, partir para um modelo, tipo geringonça lusa. Espanha não é Portugal, e a muchacha não tem peso, se não para passar umas férias em Porto Santo ou em Olhão, sob um sol delicado e a sujeitar-se a um bronze de fazer inveja, a qualquer “zézé camarinha”




      terça-feira, 19 de dezembro de 2017

      Natal?





      Natal?

      19 DEZ 2017 / 02:00 H.
      O Natal é isso mesmo. Uma manifestação brilhante, presépio dispendioso, negócio, notícia e espectáculo de fazer corar, de coisa aborrecida, angustiante, deprimente e bastante cinzenta apesar das muitas luzes que alumiam a todos, e nos persegue durante a vida, entre a tristeza e a alegria. No entanto, para aqueles que sabem contrariar a lágrima sofrida, que dispõem de fartura dourada, e têm a arte de o fantasiar, embrulhando em seda, em papel, ou em veludo, mesmo que seja do chinês, o símbolo do amor e da recordação, que logo no dia seguinte se esvazia, e nos devolve ao ano padrão estabelecido e habitual, que nos percorre dia e noite, e ainda por cima com as finanças mais em baixo, um Feliz Natal, e Próspero Ano Novo. O que eu duvido venha a acontecer em muitos lares, nas passereles da ribalta violentada, no meio de guerras, à deriva nos mares escuros, e hospitais enfraquecidos. Paz para todos em família e no mundo, já seria bom. Mas é pedir muito, não é?











      OUTRAS NOTÍCIAS

      sábado, 16 de dezembro de 2017

      O Poder das mulheres

      Elas têm muito poder, e quando disso têm ainda consciência, tal poder torna-se invasor e perigoso. Começam sempre por saber rodearem-se de boas companhias e de amigos próximos com capacidade de intervenção e decisão. Reunidas as condições ideais e acima de básicas, aproveitam-se da sua feminina condição e ambição e lançam a rede ao mar das influências. Na armadilha acabam por cair os disponíveis voluntariosos de relevo, primeiro, e de seguida os desejosos de aventura, mas fragilizados. Um jogo começa a construir-se. Dentro de portas não demora muito a entrar na dança, a libido e o “ai se eu ti pego”. Os comprometimentos aumentam, e as dependências alinham-se. O jogo fica dispendioso, mas a aposta nele é aliciante. Anuncia-se então qual a proposta que atrai tanta gente influente. O projecto requer muitos milhões de euros. Aqui não há lugar a bitcoins. A moeda é aquela que o governo assegura e vai injectando. A Imprensa surge, toma lugar, e investiga os avanços da equipa que por lá se move e se orienta. A mulher que está na base de tudo, chega ao domínio da Associação que cria. Ela é bem formada. Começou a vender jornais num quiosque, e suspeita-se que os tenha lido, e assim se tornou mulher informada e culta. Os jornais são para isso que também servem. Porém chega o dia, em que os sinais de riqueza e o fausto exibido, faz surgir a desconfiança. O visual da mulher do quiosque que vendia jornais, agora é outro. Chamam-lhe doutora. Tem força, arrojo, determinação e vontade esta doutora. Arrasta para perto de si, gente importante, que se deixa enlear e enroscar na rede lançada para apanhar peixe graúdo. Mas a imprensa não desarma e vai no encalço dos intervenientes em tão magnânima Obra que requer milhões sem governo. O aperto é cada vez maior e surgem denúncias graves sobre os comportamentos dos personagens envolvidos em tamanha “generosidade social da Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras”. Ninguém lhe nega méritos. Mas descobrem-se com o tempo, os pecados, vícios, compadrios, desfalques, exageros em proveito próprio dos dinheiros públicos dispensados por bem e em boa causa. As relações quentes sobem à primeira página. Tornam-se notícia viral. São dados à estampa as viagens em busca de felicidade e de mãos dadas por areias escaldantes ou ao som de tango. Às perguntas dos jornalistas, as respostas são vagas e titubeantes. Não convencem. Mas a imprensa não desarma. Até que o caso aumenta de gravidade, e de tão sério, faz cair por terra quem foi consultor e secretário de Estado, vice-presidente e ministro de topo, e a fundadora e presidente da Obra erguida, que está agora em maus lençóis e sob investigação. Às mulheres ambiciosos e que aspiram ao luxo, para serem poderosas, está visto, que lhes basta uma pequena greta onde escondem grande engano, camuflado em tão relevante Casa das Raríssimas, capaz de derrubar um marco e um governo. Moralmente, o actual já está enfraquecido e a precisar de ser internado na Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras!


      As USF

      As USF

      16 DEZ 2017 / 02:00 H.
        Já ando para abordar este tema há algum tempo, mas os dias têm vindo a ser ocupados pela preocupação em saber, como vou juntar migalhas para por na mesa, nesta época de Natal e de maleitas. Todos ou quase todos, têm em casa alguém a padecer de constipação com tosse mais ou menos seca, e até da virose gripal que viaja de corpo em corpo, e que um copinho de Douro fino, ou de cachaça e mel, não consegue aliviar. Então neste estado frágil e de arrepios, pensamos ir à procura de tratamento mais eficaz. Assim caminhamos ou não, para as Unidades de Saúde Familiar - as USF - tão badaladas e disseminadas quanto ineficazes, a atender em espaços exíguos onde funciona a regra do tudo a monte e fé em Deus. E é aqui que se encontra o mal da questão, que nos leva a pensar que elas foram implantadas para não sobrecarregar os Centros Hospitalares com coisas menores(!) de saúde, o que obriga o utente afectado e a precisar de cuidados médicos, a fazer em casa a sua própria avaliação( e a isso quase aconselhado), e a ser o primeiro a fazer o seu diagnóstico, para depois concluir para onde se deve dirigir à procura da cura. Isto se não ousar auto-medicamentar-se, como é costume fazer-se e o que a casa gasta. Pesado o mal e a indisposição que tal estado febril provoca com sérios prejuízos, o doente corre para onde lhe dão mais garantias de sucesso no atendimento. É que as USF, não servem se não, para medir a barriga, pesar o corpo, verificar a tensão arterial, fazer um curativo de ferida, e para requerer a prescrição de fármacos recomendados e indispensáveis, e de vez em quando para submeter a análise do médico de família (que não se pode perder), os exames clínicos mandados por ele fazer em consulta anterior, para prevenção ou detecção de algo suspeito, a que o médico não dará seguimento ou resposta adequada, por limitações várias, pois olha para eles como quem olha para o boletim do placard. É que as USF não servem mesmo para mais nada, e são um sorvedouro de dinheiro público, que saem caros aos contribuintes e utentes isentos e não isentos da taxa moderadora. Por isto é que as pessoas afectadas pela fruta da época, recorrem às urgências dos hospitais, entupindo-os, com queixas irritantes e incómodas, porque ficam impedidas de levarem a vida na normalidade que só a saúde permite, em busca da cura eficaz. E esperar por esperar, então que tal demora se faça no lugar onde se julga estar a solução para a doença sinalizada na auto-consulta, feita no domicílio pela vítima, e que são as Urgências Hospitalares. Quem entender que o povo deve encarneirar-se para e nas USF e o manter doente nos seus males, aí ou em qualquer outro lugar, deve ponderar melhor sobre se vale a pena apostar tamanho Orçamento Estatal, em tais unidades de saúde no estado de eficácia em que elas se encontram, e na capacidade de resposta que elas dão à população esmagada na dor.
        Joaquim A. Moura*
        - (publicado hoje no DN.madª)

        terça-feira, 12 de dezembro de 2017

        Pão de chumbo

        De acordo com o relatório PIRLS 2016, que analisa e avalia o sucesso escolar dos alunos portugueses, regista que são estes, na Europa, que mais chumbam e marcam passo. De imediato a darem explicações para este estado do sistema de ensino, velho e cheio de histórias de raposas nas sacolas de livros e cadernos, apressam-se técnicos especialistas, presidentes de organismos da Educação, vices e adjuntos. Todos com teorias repetidas e gastas, mas convictos que descobriram a razão do mal e da pólvora seca. Tendo em conta, o que nos é relatado, poderia concluir-se que os jovens portugueses são os mais burros, ou que para raposas espertas, só lhes falta o rabo peludo, que orelhas moucas já têm. Mas não é assim. Os especialistas elaboram teses sobre as metodologias a aplicar nas salas de aula, e sobre processos de maior envolvimento dos discentes, professores e matérias mais adequadas aos tempos. Andam tais técnicos, de longe a longe, preocupados e em “luta contra as retenções”. E a uma medida aplicam outra. Podem ter várias origens as retenções. Para algumas bastará as escolas terem o WC por perto. Para que os alunos portugueses aprendam mais e melhor e saiam a ler como gente grande, pelo menos, é preciso que lhes dêem condições e às famílias indefesas, que os cobrem de cuidados, possíveis. Numa casa onde não haja pão, todos passam frio e fome, entre paternal sermão. Modelo de vida, para a qual tais técnicos especialistas e presidentes coadjuvados, não dão solução. E se no agregado medra o desemprego, e falta o dinheiro, o lar enche-se de sombras. E se numa casa o ambiente é de tristeza, ela atinge todos, e os mais novos são os que captam mais depressa tal ambiente negativo e é absorvido facilmente. E reagem mal. Estas condições aonde predominam, não produzem bons resultados, quer na escola ou noutra qualquer disciplina. Há projectos, relatórios e mais estudos, e por divulgar, com anos e em arquivo, com peso e medida, traçados a régua e esquadro, que não têm tido o mérito de desbloquear os problemas inventariados desde há muitas décadas. Famílias desestruturadas, são agregados desavindos, aonde só amor não basta e não enche barriga, nem dá sabedoria saudável e ânimo para a aprendizagem. No meio disto tudo, há os que lucram com tantos estudos sobre as razões para tanto insucesso dos alunos portugueses, que abandonam a escola cedo, para irem em busca do pão. E a diferença, “mamma”, não está na massa, com que se cose o produto a trabalhar. Está na aplicação de uma governação competente, interessada e mais atenta, aos valores da vida e das vias do progresso do seu povo que constroem o país. O resto, é patuá!*

        *-(publicdº in JN.18.01.018-truncado/adulterado)

        sábado, 9 de dezembro de 2017

        Variações

        A figura de António Variações ainda é ao cabo de 33 anos após a sua morte, venerada, ou pelo menos recordada e louvada. Carismático como poucos, este ex-cabeleireiro do lugar de Fiscal ali no Minho, em Vila Verde, é hoje recordado e homenageado como sendo um intérprete único, algo enigmático. Avançado na obra criada, e nos disfarces assumidos, foi um intérprete que marcou indelevelmente, um tempo. Há um antes dele, e outro, após a sua partida e no vazio deixado. Não foi alvo de manifestações populistas, por parte de gabinetes assediados, ministérios, presidências, grupos de forcados, palradores oficiais, nem de deputados a louvar em assembleias de pouca fé, o seu génio e a sua arte. Não recebeu o calor humano que merecia, nem foi nomeado o seu trabalho como género futurista, que ainda hoje foi motivo para a realização de um colóquio e um Concerto, na Faculdade de Letras na Univ. de Coimbra, e no Teatro Gil Vicente, respectivamente. A Deolinda de Jesus, assim se chamava a sua mãe, foi por ele criado e dedicado um tema, que subiu ao palco, cantado pelos seus irmãos. Dele muito se diz actualmente. Do que partiu, por entre “xutos e chutos”, dados aos “pontapés” por qualquer casal ventoso, ao som de uma má voz, e por entre as veias duma guitarra apaparicada mas de pouco alcance, mas muito ruído levantado pelos seus apaniguados, ninguém daqui por 33 anos falará, ou escreverá uma linha, uma semifusa que seja. Mas do Variações, um rapaz sem o melhor sorriso do mundo, mas com imensa alma, teremos sempre notícia do seu som, e da sua genial figura barbuda e talento como compositor!

        -(DN. madª)

        Variações

        09 DEZ 2017 / 02:00 H.




          A figura de António Variações ainda é ao cabo de 33 anos após a sua morte, venerada, ou pelo menos recordada e louvada. Carismático como poucos, este ex-cabeleireiro do lugar de Fiscal ali no Minho, em Vila Verde, é hoje recordado e homenageado como sendo um intérprete único, algo enigmático. Avançado na obra criada, e nos disfarces assumidos, foi um intérprete que marcou indelevelmente, um tempo. Há um antes dele, e outro, após a sua partida e no vazio deixado. Não foi alvo de manifestações populistas, por parte de gabinetes, ministérios, presidências, grupos de forcados, palradores oficiais, nem de deputados a louvar em assembleias de pouca fé, o seu génio e a sua arte. Não recebeu o calor humano que merecia, nem foi nomeado o seu trabalho como género futurista, que ainda hoje foi motivo para a realização de um colóquio e um Concerto, na Faculdade de Letras na Univ. de Coimbra, e no Teatro Gil Vicente, respectivamente. A Deolinda de Jesus, assim se chamava a sua mãe, foi por ele criado e dedicado um tema, que subiu ao palco, cantado pelos seus irmãos. Dele muito se diz actualmente. Do que partiu, por entre “xutos e chutos”, dados aos “pontapés” por qualquer casal ventoso, ao som de uma má voz, e por entre as veias duma guitarra apaparicada mas de pouco alcance, mas muito ruído levantado pelos seus apaniguados, ninguém daqui por 33 anos falará, ou escreverá uma linha, uma semifusa que seja. Mas de Variações, teremos sempre notícia do seu som, e da sua genial figura barbuda e talento como compositor!