O ex-presidente Cavaco Silva, bem se esforça por se
comportar como Júpiter, mas não consegue tal proeza por muito tempo. Mal o
convidam para um local combinado e asseado, aí aparece ele, a botar discurso
como quem deita fogo e metralha, julgando-se que é Luz, a iluminar o caminho e
o mundo. Cavaco leva ressentimento na mala, mesmo quando se aloja num hotel,
chame-se ele, Sol ou Serra, e por lá pousa a sua marca rural, e não raras
vezes, tal como, Marte, um Deus da palavra provocatória, que se situa entre
Júpiter e a Terra, uma pretensiosa lição. E é aqui na Terra, numa universidade
de verão a uma temperatura pouco recomendável, que ele fala para os seus,
enviando recados para fora e pedindo respostas. Virado para os jovens e seus
“alunos” numa plateia escolhida a dedo e a cor, pediu aos imberbes presentes na
Universidade de Verão 2017, que fizessem uma pergunta aos Partidos da
geringonça que defendem a saída de Portugal do euro, o que é que tal abandono
provocaria, se não colocar Portugal no mesmo patamar ou situação em que se
encontra a Venezuela. Usou desta “bazófia” filosófica, oca, barata e demagógica,
mas sobretudo provocatória, e “piou” como um mocho agoirento na noite escura.
Perguntou e respondeu. É assim um bom professor. Só que a pergunta deveria ser
feita ao Povo. O povo talvez lhe respondesse, que mesmo que Portugal ficasse
como o país de Bolívar, agora de Maduro, não tinha nada a perder, já que nada
tem, ou o que tem de pouco vale. Já Cavaco e os seus pares, acólitos, apaniguados,
todos os da sua “galáxia”, que comeram à sua mesa, teriam, esses sim, tudo ou
quase tudo a perder. O Povo sabe em que circunstâncias, que só perde quem tem.
“Fico-me por aqui”!
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
segunda-feira, 28 de agosto de 2017
"Os Penas de Ouro"
Há pelo país fora, uma data de escritores domésticos, que se
alistam por carta, para constar nas redacções de jornais, e aguardam serem
publicados. Penso que a ideia básica, é tais alinhadores de palavras, formarem
um pensamento que contenha uma ideia forte e credível. Então à falta de tal
ideia, o pensamento escoa-se e começam a alinhar palavras a torto e a direito,
contra o actual governo e a sua “inédita” base de sustentação, chamando-lhes
alguns, colo de esquerda. Facilmente se verifica que tais cartas de tão afamados escritores caseiros ou de mesa
de café, ou após saírem do barbeiro, se identificam com a política de direita,
e até, reaccionária de tão suspeita. Pegam de marcha à ré, e vão repescar a
governação anterior, para atribuir-lhe os feitos e grandezas que este governo
de António Costa (AC) está a implementar. Tudo quanto o António, faz de bom, é
oriunda ou é herança do Pedro, a quem já articulistas de renome disfarçam,
chamando-lhe, Peter. Eu até acrescento para maior brilho, Peter Steps, ao jeito
de taberna. Se A.C aumenta os reformados, é por causa das autárquicas. Se
melhora as condições de vida no geral, é tomado por medidas eleitoralistas e
populismo latino. Se corrige erros do passado na função pública, rectifica
colocações na docência, repõe condições na Justiça, descongestiona na Saúde, promete
diminuição da carga fiscal, aqui del-rei, que o 1ºministro anda à caça de
votos. Se o Emprego baixa é por causa das Exportações e do Turismo. Porém se há fogos, como nunca
na vida os viu, e os há sem tanques d´água cheios, nem Tancos
d´armas vazias, só pode ser por graça, obra e chama atiçada por António
Costa, que se defende sob o capacete da geringonça. Já sobre a mediocridade de
Pedro e dos seus passados passos desequilibrados de difícil estabilização e
normalização, os “cartistas” identificados, que se pronunciam no espaço que
lhes é possibilitado, nada escrevem, e omitem tudo aquilo que o governo
anterior, podia e devia ter feito, ou pelo menos terem aberto caminhos e
aceiros de projectos inovadores, que aliviasse e permitisse que a floresta de
tarefas que ficaram por fazer, ou mesmo bloqueadas, não caísse sobre quem os
rendeu por acto eleitoral, e desse modo pudesse agora reivindicar, que o
sucesso da política actual lhe fosse atribuída, e facilitasse aos “penas
d´ouro” e escritores de cartas com tempo, e a carteira mais composta com um quê
de fraude- com que Pedro acusa Costa de andar a enganar os portugueses- a exposição
da sua frustração, por a geringonça ainda se manter na marcha à frente, a
coleccionar êxitos e… azedumes - Como se vai lendo nas opiniões de alguns
especialistas na crónica e na má-língua, e outros de banco de jardim, que fazem
por isso, no espaço do leitor!
-*(publicado no DNmadª a 29/08/2017)
-*(publicado no DNmadª a 29/08/2017)
sábado, 26 de agosto de 2017
O folhetim William
Sai, não sai. Vai não vai. Fica até ver, e mais cifrão menos
cifrão logo se verá. A questão parece-me é que nenhum clube de topo quer
verdadeiramente, o “fabuloso” estratega do SCPortugal. Excepto, se o clube
interessado, e que avança com proposta de aquisição do jogador, não hesita
muito e o dinheiro aparece aos milhões, uns atrás de outros. William Carvalho,
não tem potencial técnico superior para estraçalhar defesas, rebentar com balizas,
e correr como um desalmado, incapaz de ser detido. Joga lento, de passe
lateralizado e só por vezes em profundidade, mas não é atleta de área e não tem
golo. Ora estas características num jogador que pretende integrar um plantel de
topo e numa Liga de nomeada, quando não existem, o jogador vale pouco. Numa
Liga inglesa só uma equipa menor, de nível secundário, pode mostrar interesse,
e partir para o contratar. Mas o actual clube do leonino light, julga que tem
ali um leão feroz, e mia como quem ruge, que pretende umas dezenas de milhões,
acima do que o pretendente está disposto a pagar. Por estas e por outras é que
o médio do Sporting, ainda não fez as malas, embora se adivinhe que as tenha
preparado e junto à porta de saída. Mas isso é cenário que dura já há bastante
tempo. Se é um caso de teimosia por questões de mais ou menos milhão, o certo é
que demasiado adiamento em o despachar só resulta em prejuízo para ambas as
partes. Mas o Bruno do sopro negocial, é que sabe. Para onde quer que o jogador
vá, julgamos que ele se fizer uma dezena de jogos, já será assinalável. A ver
vamos!
*(- publicado hoje no DN.madª)
terça-feira, 22 de agosto de 2017
Férias. O que é isso?
O povo desapareceu. As cidades e as vilas estão mais vazias,
e não faltam lugares para estacionamento de veículos. Pergunto o que é feito dos
vizinhos, do povo em geral, e recebo como resposta de um infeliz que por cá
ficou, de que as pessoas foram de férias. Mas foram para onde se ao que ouço
não há ninguém com dinheiro para sair à rua e tais luxos? Replicam-me que
quando é chegada a hora para romper com rotinas, o dinheiro aparece como por
encanto. Uns amealharam uns patacos, outros recorrem à banca, e endividam-se. E
serão férias, estas preocupações, e as que se levantam, de ter que preparar e
carregar a tralha necessária para o dia-a-dia no lugar de destino escolhido para
as passar, levar na mala e no tejadilho do carro, bicicleta, prancha, e
carrinho de bebés, se for o caso de os haver, encher malas de roupa que
regressarão para serem lavadas, com mais uma ou outra peça que entretanto por
lá foi adquirida em saldo, e já no destino desejado, desmontar tudo, organizar
no mínimo a tralha nas instalações que se vão ocupar, este fica aqui, aquele
ali, e quem vai ajudar a despejar o carro, eu não que estou cansado, vai tu que
dormiste toda a viagem, vamos é beber qualquer coisa fresca ali mesmo naquela
esplanada, que parece em conta, e ainda temos que ir ao mercado para fazer umas
compras para o jantar. Vai tu mulher, que eu fico a arrumar e a dar um pouco de
ordem à tralha trazida, e que há de ir de volta. Reparo agora que não veio isto
e mais aquilo, ai os óculos e os auscultadores, e que é preciso ir ao grande mercado buscar.
Se não for eu mais ninguém se lembra. Quando a mulher vier já vai ouvir. Temos
que comprar um guarda-sol, que este afinal está roto e carunchoso. Os chinelos
ainda dão para ir e vir da praia. Os calções compro aí numa feira ou ao cigano,
que os há bonitos e contrafeitos de marca a dar nas vistas, que os meus estão
gastos O bronzeador para já não faz falta e a mulher sempre tem no seu saco
doméstico algum resto de outro. Preciso de guardar o carro e uma sombra vinha a
calhar, mas em sítio que por cima não sobrevoe a passarada, que o deixa
irreconhecível ao fim de alguns dias. Depois tenho-o que o lavar e é mais um
custo a pagar. Bom. A mulher já chegou das compras orçamentadas, eu já dispus
as coisas mais ou menos dentro do espaço arrendado, e vou descansar um bocado
que bem preciso, que a viagem foi cansativa. Amanhã, logo cedo, vamos até ao
areal tomar uma banhoca. Talvez no programa ainda haja um momento para visitar
a terra aonde assentamos barraca. Logo se verá. Temos que aproveitar, pois já
passaram dois dias, dos quinze disponibilizados para o efeito. Montado o
bivaque na praia, em espaço que nos pareceu o melhor ou que sobrava, vou ali ao
quiosque e compro o jornal da bola. Queres alguma revista para ti? Não, prefiro
um gelado e aproveita traz uma garrafa de água. Eu para o bebé tenho o
habitual. Amanhã, temos que ir ao mercado de peixe e da fruta, bem cedo,
comprar umas coisas para o almoço, e encher o frigorífico com produtos
necessários para as refeições. A garrafa de gás parece que vai dar só para dois
dias, embora ele seja misto. Veremos para quanto dará, considerando as tomas de
banho após fim de praia com a areia colada ao corpo, e lavar as toalhas e uma
ou outra peça de roupa. Vou sair e volto já que vou encher os pneus da
bicicleta, que afinal esvaziou. O jornal não li todo, mas guardo-o para melhor
ocasião e no sofá de casa. Tens aqui umas revistas que os inquilinos anteriores
deixaram, se quiseres dar uma vista d´olhos. Os baldes de lixo estão cheios, e
enquanto fazes o jantar vou lá fora despejá-lo no contentor público. Hoje temos
que voltar ao super mercado, que fica aqui a 6 km, mas trazemos o que nos faz
falta para o resto dos dias. Papel higiénico, fraldas, guardanapos, água, ovos,
carne, sumos, e alguma coisa mais que esteja em promoção, e ainda bronzeador
que o que trouxemos já acabou. O peixe há no mercado bem fresco e eu gosto de
ir até lá. Tu se quiseres ir indo mais o miúdo, vai, mas toma cuidado. Hoje é
dia de recarregar tudo de novo, que é o último. Vamos regressar a horas que não
coincidam com o maior trânsito. Quando chegarmos a nossa casa, à terra aonde
vivemos o ano todo, a primeira coisa que farei é deitar-me a descansar. Tu descarrega
o carro como puderes e arruma como for tua vontade. Eu depois tenho a lida
doméstica, fazer alguma coisa para se comer, tratar do bebé, lavar a loiça, passar
a ferro, e ficar a pensar naquilo que me disseste e não me agradou, sobre os
gastos a mais que fizemos, e que mais valia ter ficado por cá. Eu vou-te dizer
que nestas condições, também não quero partir para lado nenhum. Eu descanso
mais se ficar aqui na minha casinha. Férias cansativas e perturbadas pelos
poucos tostões de que dispomos, e pelas dívidas contraídas no banco para o
empréstimo para pagar o alojamento e o aluguer do carro, deixam-me de rastos e
apreensiva. Agora como os vamos pagar? Não olhes para mim com essa cara, tá
bem?
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
Carta aberta a um benfiquista
Meu Caro, acabo de chegar de Guimarães, aonde assisti a uma partida do calendário desportivo nacional, fácil de explicar e sem polémica, apesar dos 29 graus sentidos deste calor de agosto. Assim indicava o placard, aonde se iam somando os golos. O SCPortugal marcou bem cedo e chegou aos 5, mas bem que podiam ser 7. Um resultado histórico para os lagartos. Os “Conquistadores! da cidade berço, pareciam bebés bastante macios, e foram derrotados sem apelo nem agravo, e a imagem que trago, é aquela que se costuma aplicar a uma equipa que é incapaz demais. Isto é. Se o Vitória ainda andasse a maltratar a bola naquele relvado, sem soluções visíveis nem previsíveis, a esta hora, o que lhe podia acontecer era perder por mais golos, e nunca marcaria um golo de honra ou para diminuir a desonra. Irreconhecível este clube da terra do Fundador. Parece que há equipas que se agigantam só em jogos em que defrontam os da Luz, e comportam-se como se fizessem o jogo da vida deles. O Sporting exibiu capacidade, eficácia, foi sempre superior e marcou o ritmo durante o tempo regulamentar, sem dar hipótese alguma, excepto num ou outro desacerto dos leões menos concentrados, e uma ou outra fífia de Patrício, que podia fazer alterar o score sem expressão no resultado final. Foi um belo espectáculo. O Estádio dos vimaranenses está bonito, bom relvado, assistência agradável e duas claques que fizeram espectáculo com superior comportamento. Já há muito que não assistia a um jogo ao vivo. Há uma grande e feliz diferença, entre assistir na TV e estar no Estádio entre tanto ânimo de tanta garganta equipada a rigor com as cores agitadas por cachecóis e bandeiras, umas grandes, outras gigantes. Se quiser ouvir hinos afinados e cânticos estudados, que nos fazem estremecer, e até emocionar, mesmo a mim que era um adepto neutro, que marquei presença apenas porque ansiava ver um jogo de futebol que à partida me pareceu interessante, constatará que no Estádio D. Afonso Henriques é o local que nos pode surpreender, no bom sentido. A derrota foi bem mastigada pelos da casa e bem gerida pelos leões que saíram a sonhar mais com o objectivo de ganhar o título. Ordeiramente, todos se dirigiram para as portas de saída que nos retêm por tempo demasiado e desesperante, terminado o jogo, e calmamente todos tomaram o rumo dos seus destinos. Um belo espectáculo, aonde todos digeriram o resultado acontecido. Vitória justa dos orientados por Jesus. Eu que desejava que assim não fosse. Agora que ligo a TV, tomo conhecimento que o nosso glorioso, também aplicou a chapa 5, aos do Restelo, que não têm Jesus mas ostentam a Cruz de Cristo no peito. Somos os maiores, e o penta parece estar ao alcance. Capacidade, querer e “muchas ganas” é o que é preciso. Não podemos descolar!
Joaquim A. Moura*
-(hoje no DN.madª)
-(hoje no DN.madª)
terça-feira, 15 de agosto de 2017
O Diabo à solta na ilha da flor
Não sei se o diabo anunciado, é este, de que a Madeira não consegue ver-se livre. As tragédias no Funchal sucedem-se de tempos a tempos, e sem explicação compreensível. São já demasiados episódios de desgraça que têm lugar na ilha atlântica e banhada de razões para ser feliz. No entanto, vá-se lá saber porquê, os ilhéus são convocados sem que para tal se fizessem convidados, a participar ora num comício que acaba mal, ora numa festa religiosa que tem um fim deplorável e nada protegido pela paixão que a fé alimenta. No Lugar da Fonte, o povo comemorava a Nª.Senhora do Monte, na maior paz e no conforto do bom convívio, quando o diabo se soltou da terra, e fez cair sobre quem ali se recriava, uma árvore de grande porte, mas de nenhuma solidez. Uma árvore que estava de pé sem segurança e sem vigilância do seu estado de saúde, e por isso doente. Portugal tem experimentado nos últimos meses, uma série de acontecimentos maus, qual deles o mais reles e mortífero, que nenhuma divindade, mais ou menos deste ou doutro mundo pode justificar. Agora uma tragédia, que se segue a outras, abateu-se mais uma vez, sobre o povo simples da Madeira, que só queria festejar a sua Padroeira, e ali mesmo no Monte, passar um feriado calmo e feliz. Mas tanto a ilha como o país, está sob o signo da desgraça, que se repetem para nosso descontentamento e pesadelo. Episódios sem rosto mas que deixam rasto, contam-se vários, desde quedas de aviões, cheias a deitar por fora e a invadir vidas que se apagam, e quedas de árvores que se não aguentam de pé, de raízes podres e demais cansaços e sem diagnóstico especializado por parte dos responsáveis e autoridades civis que devem zelar e são responsáveis por tais assuntos de lazer e de morte, consoante o desfecho com que nos surpreendem. Os fogos encheram-nos de morte e as cinzas ainda pairam no ar, e agora uma árvore de porte considerável que prometia oferecer conforto, desabou sobre uma pequena multidão, que se recolhia à sua sombra, descansadamente, e sob ela pereceu ou dela saiu ferido. Demorará inquéritos, após muitas comissões formadas, até que as causas sejam do domínio público, para que saibamos o que realmente esteve na base e falhou para este desmoronamento daquilo que à priori se julgava seguro, e se transformou numa arma assassina de um povo que se apresentou para uma missa, e em festa convivia entre amigos e família. Que resposta irá ser dada, para esta e as outras desgraças ainda mal resolvidas, ou conjugar-se-ão esforços por dentro de inquéritos, para que a culpa morra solteira mais uma vez? As nossas condolências ao povo sofrido do Funchal e à Ilha da Madeira sempre bela e formosa, mas receosa de ir até à fonte, assim tão mal calçada!
Joaquim A. Moura
Concordo
sexta-feira, 11 de agosto de 2017
A Classe
É preciso e é urgente meter os médicos na ordem. Esta classe
de privilegiados faz finca-pé na exigência por mais e mais regalias. Já não
lhes basta o chorudo nível de vida que gozam, as deslocações em topos de gama,
as viagens injustificadas para suspeitos Congressos sem lá terem posto os cotos,
as ricas férias em paraísos à sombra da bananeira, as benesses facilitadas
pelos Laboratórios, e ainda querem mais e melhor. Senhores de vantagens
diversas, proprietários em pouco tempo de bens e de ganhos arrecadados por
vários ganchos praticados em espalhados centros de saúde e clínicas sob suas
gestões, ainda têm tempo para lançar ultimatos ao governo da nação e ao
ministro que os tutela, com o apoio arrogante do bastonário que os incita à
greve. Bastonário que entende que aqueles praticantes de actos médicos, alguns
profissionais e outros apenas receitadores
de fármacos, levam uma vida de risco e de desgaste, por tão poucas horas de
trabalho, e tanta dedicação no assédio dentro das unidades hospitalares e nos
consultórios particulares, salvaguardando contudo os investigadores e os que
queimam as pestanas na descoberta de soluções para cura dos males que nos
afligem. Outros porém, até tentam encavalitar-se nas pacientes, enquanto estas
se submetem a consulta, nas horas vagas ou dedicadas às suas clientes expostas
sobre as marquises, e sem que o bastonário e os sindicalistas ruidosos e
ameaçadores, reivindiquem severo e exemplar castigo para tais “especialistas”.
Nenhum deles é hoje um joão semana.
Hoje são quase todos comerciantes e negociadores do queijo da serra e do
presunto pata preta, regado com Dom Pérignon, depois de aturadas análises. Já
entram e saem das Escolas com o livro da conta-corrente e após codificado
juramento. É uma sorte encontrar um que fuja deste padrão, que os há, raros com
certeza. Precisamos de um governo que ponha travão a tanto ultimato
classicista, que se levanta por dá cá aquela palha, e sem qualquer promessa de
dar em troca deveres e obrigações de mais aplicação e de melhor entrega no
serviço público que lhes é exigido dar, aos que a eles recorrem com alguma
legítima confiança. Tal classe que se julga merecedor de tratamento superior,
não pode passar sem reparo e crítica cuidada e séria, pois eles já lucrando com
o desempenho da função, e alargado privilégio, contribuem nas acções desmedidas
e comerciais que pretendem obter, para a exploração do povo e para o
agravamento da sua saúde, que lhes paga. Alguém conhece um médico pobre, ou
sequer remediado? Não, pois já se extinguiram de morte natural, os joão semanas, imortalizados na memória e
na literatura romanesca. Pede-se ao governo e ao ministro em particular,
serenidade, clarividência, firmeza q.b. para submeter estes “profissionais” ao
tratamento que eles estão a pedir. Em nome da saúde do Povo!
terça-feira, 1 de agosto de 2017
Fora de jogo
Corre por aí um esforço imenso, desde o varredor de lixo
público até aos meios de comunicação em modo compacto, passando pelos sempre
prontos para selfis, os
representantes do país político, para branquear a mega fuga-fraude ao fisco(3F), levada a cabo por um atleta de gabarito,
a jogar pelo mundo fora, e com nome no ar da ilha aonde nasceu. Coisa que nem
todos encaixam, já que um nome assim, não dignifica o espaço que ocupa e o mapa
de navegação da decência que se exige. Mas a leviandade com que se exerce o
poder entre nós, dá nisto. Se fosse outro que tivesse praticado idêntico crime,
e até se chamasse Vale e Azevedo ou Isaltino Morais, por exemplo, iria dar ao
mesmo, mas já não tinha préstimo para uma foto mil vezes repetida, e muito menos
para ser nome a ostentar no alto de um aeroporto, como se da maior flor do mundo e mais cheirosa, se tratasse. Nem Marcelo se colaria a tais
cenas com personagens sem ou pior prestígio, nem os donos da ilha mais formosa,
se reviam em jogadas com rasteiras à socapa. Marcelo, o senhor Sousa, como um
dia dirá quem eu cá sei, deve já ter alinhavado uma desculpa discursiva, para
qualquer pergunta mais incómoda que lhe venham a colocar no momento em que a
angústia apita, e seja motivo de lhe mostrarem o cartão laranja, por tanto
desejar acompanhar e realçar, ao jeito do fala-barato, exemplos iguais aos que
agora pisam os caminhos da Justiça, por terem andado em gozo com os 3F. Na ilha
também não se percebe, o gozo que dá ao povo maravilhoso e festivo, quando estendem
o olhar até ao alto do aeroporto de stª Catarina, aonde ainda abana o nome
conspurcado, de figurão, sem obra intelectual de relevo nas artes e nas
ciências, que lhe desse estatuto de, figura, ou personagem marcante no universo
da inteligência humana sempre à descoberta, do útil para a vida colectiva, e
como é provável existir nela, nessa Madeira nascido. Por que raio, sina, fado,
ou carga d´água, teremos que ser sempre os melhores em tudo quanto é mau, e nos
tornam medíocres teimosos, na fotografia desfocada e pretensiosa? Não bastam só
as tragédias naturais e outras levianas sem comando, que nos acontecem, e que
juntas, nos fazem cair no ridículo?
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