Portugal é um país com forte intimidatório desemprego. Território
privilegiado, cheio de praias para consumo dos que delas desfrutam, porque
sempre em folga subsidiada e de marmita cheia, e a abarrotar de turistas
endinheirados e refastelados nas esplanadas de costas para os brexit e
espreitar apenas os portugexit. Quem assistiu às milhares de horas de
reportagem televisiva sobre a coisas da selecção Nacional e a sua natureza, que
entupiram as nossas casas que buscavam agulha em palheiro, ou seja, um canal de
TV limpo e desocupado do assunto que fez arrastar até presidentes e ministros
da nação, constatou que o país está sem trabalho. Nem todos os que prestam contas
apreciaram tal manifestação, excepto aqueles que deviam e devem exercer com
responsabilidade e seriedade os destinos do torrão de areia que se estende de
norte a sul, e dos seus ameaçados interesses, que se agravam grão a grão. Mas o
país é feito de desocupados e por isso têm tempo e tempero no bolso, que lhes
permite ir a todos os folclores e embandeirarem em arco com carradas alegóricas
e bandeiras desfraldadas, para se entregarem ao gozo que só rende e faz
felizes, os que embolsam milhões e aos parasitas que os acompanham enquanto
adjuntos de sabe-se lá o quê, mas com nome pomposo - staff. Milhares de
pessoas, vindas ao que dizem os comentadores, de todos os lados, corriam como
desalmados atrás do descapotável autocarro triunfal, atrás de uns "heróis"
com pés de barro e feitos de papel de jornal, após esperarem horas a fio num
aeroporto que os manteve longe e ao sol, de que os portugueses tanto apreciam.
Não. No avião não vinha nenhum cientista, compositor, artista de renome
mundial, nem do FMI. Vinha gente da bola, e dos media. O sol nestas alturas não
faz mal. É sol de Portugal e não há cancro que nos vença nem médico nem
bronzeador preciso nem lembrado. O cancro do desemprego, também está nestes
repetidos dias na prateleira, e não é momento para tão profundas e sérias
reflexões sobre as suas causas e efeitos. O fado
bem trinado é nosso. Chorem guitarras baixinho que não é hora de ir embora. O
que é preciso é fazer girar este folclore. É festa, é correria até cair para o
lado. O subsídio e a gasolina hão de chegar e a comparticipação estatal, para
curar o mal que daí possa resultar. Preocupar-nos para quê se até o presidente
anda também no meio desta confusão? Sanções? O que é isso! Bahh! sejamos
patriotas pelos menos de longe a longe. Com pessimismos é que não assustamos
ninguém e muito menos as Agências de rating, a Comissão Europeia e os seus
ministros que nos ameaçam com martelinhos que fazem doer. Sejamos espertos.
Praia e folguedo, pipocas, tremoços e francesinhas, ginginha, umas cervejinhas
geladas, caracóis, afagados depois por um chupa-chupa do pirata, é que ficará
para sempre na história e na memória de um povo... Valente e imortal!
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