sexta-feira, 15 de julho de 2016

Quem atenta e atentou, quem!

A pergunta é singela, parece provocatória, mas parece-me pertinente fazê-la, até porque ela faz relembrar o mal histórico feito. Antes dos derrubes dos Líderes e das invasões das terras governadas por Sadam Hussein e por Khadafi, e tendo hoje na mira o chefe da Síria, quantos atentados e assassinatos eram cometidos nas ruas e avenidas de França e em outro qualquer lugar em estado de alerta permanente sem qualquer eficácia? Eu não sei se a pergunta está bem formulada, mas sei com a idade que tenho, que os acontecimentos  que têm surgido por cá e junto de nós ocidentais ou europeus, que os terroristas só começaram a deitar a cabeça de fora e as bombas assassinas com estrondo, depois de Bush, Blair, Barroso e Aznar se terem reunido entre beijos e abraços nos Açores. Concluo assim que não é só por uma questão de religiões nem fanatismos com várias explicações feitas por especialistas académicos, historiadores de cá e até vindos do Oriente já não de camelo mas em carros de gama alta, analistas de barriga consolada em conferências floridas, estúdios de têvê com ar condicionado, redacções bem equipadas e com peritos na escrita de adivinhação, mais casa, cama e roupa lavada, que os homens e mulheres que levam a cabo as missões suicidas, se fazem estourar e rebentarem com os outros, entre multidão de preferência. Na minha ingenuidade, muito de habitante da terra selvagem, e detentor de valores como da dignidade, que interpreta, os insultos, ofensas, canalhices de que foram vítimas pelos Ocidentais e sobretudo pelo seu Aliado yank, aqueles povos e seus Líderes, com fins e interesses também diversos e já condenáveis, estes fazem-se explodir, de modo a mandar pelo ar o mundo que os quis ou tornou assim. Sendo também nós vítimas de muita injustiça e cheios de pretextos para nos revoltarmos contra quem nos governa, qual a razão que nos trava e a eles não? Somos nós mais cultos, mais inteligentes ou mais nabos, pertencentes à classe dos "come e cala"? Não estou a fazer apologia do crime nem a animar a qualquer levantamento ou andar de cinto diabólico e infernal. Estou tão somente a lembrar quem foram os culpados dos crimes que amiúde, cada vez mais, e impossíveis de evitar de todo, estiveram na base que se reuniram na Base dos Açores, com o credo na boca e no bolso a fortuna, e que até hoje não foram julgados pelo TPI, e quase só por poucos habitantes da terra, como eu. Pensem nisso e na ineficácia do Vaticano, que discursa desde a janela que pouco vê e menos age, ou é irrelevante, repetidamente. Benção para todos!


quinta-feira, 14 de julho de 2016

Linhas Tortas

No seu espaço habitual no JN, o deputado europeu Nuno Melo escreve. Escreve e quase sempre esforça-se por dizer alguma coisa. O destaque que aquele diário do Porto lhe concede, demonstra a generosidade da Direcção do jornal e da gente do norte. Na sua resenha, "Portugal, que maravilha", o Nuno conduz as palavras a seu gozo e táctica, e remata, com o registo que transcrevemos, de modo a emocionar o leitor que lhe concede também algum tempo de leitura - "Num simples gesto, a natureza de todo um povo. Que maravilha ser português". E isto disse ele, após ter-se servido do exemplo  de uma criança lusofrancesa, que consolou um adepto francês adulto que chorava o seu azar de por a sua selecção de futebol ter perdido a Final em Saint Denis contra a nossa Selecção, como nos foi dado a ver pela têvê, ambos os acontecimentos, e que até correram o mundo. A frase final do Nuno, essa é que não tem direito senão a ser derrotada sem direito a consolação por parte de ninguém. É que ele bem podia ter-se lembrado de nos recordar os feitos gloriosos do seu amigo político, Durão Barroso, e do seu magnânimo gesto em aceitar o lugar na Goldman Sachs, após ser rejeitado como professor(!) em Princeton nos E.U, com o mesmo despudor com que abandonou o governo de Portugal para abocanhar o lugar de presidente da Comissão Europeia, sem pestanejar e nem olhar para trás a ver o lixo que deixava para outros removerem. Por outro lado, o deputado europeu e autor em "Linhas Direitas", podia debruçar-se num têxtozinho idêntico ao agora publicado, a analisar a obra imensa do ex-ministro desertor e implicado nas guerras do Iraque e derivações criminosas desencadeadas, e ainda enquanto esteve à frente da "Comissão Bruxeleante". É que assim confirmava e até nos convencia mais facilmente de que Durão Barroso, com "tais e simples gestos e atitudes sensíveis e saltitantes, demonstrava toda a natureza e maravilha de ser português". O mundo aplaudia, saía à rua feliz a festejar com Nuno Melo à frente a empunhar a bandeira nacional- Temos a certeza disso!


quarta-feira, 13 de julho de 2016

País sempre em folga

Portugal é um país com forte intimidatório desemprego. Território privilegiado, cheio de praias para consumo dos que delas desfrutam, porque sempre em folga subsidiada e de marmita cheia, e a abarrotar de turistas endinheirados e refastelados nas esplanadas de costas para os brexit e espreitar apenas os portugexit. Quem assistiu às milhares de horas de reportagem televisiva sobre a coisas da selecção Nacional e a sua natureza, que entupiram as nossas casas que buscavam agulha em palheiro, ou seja, um canal de TV limpo e desocupado do assunto que fez arrastar até presidentes e ministros da nação, constatou que o país está sem trabalho. Nem todos os que prestam contas apreciaram tal manifestação, excepto aqueles que deviam e devem exercer com responsabilidade e seriedade os destinos do torrão de areia que se estende de norte a sul, e dos seus ameaçados interesses, que se agravam grão a grão. Mas o país é feito de desocupados e por isso têm tempo e tempero no bolso, que lhes permite ir a todos os folclores e embandeirarem em arco com carradas alegóricas e bandeiras desfraldadas, para se entregarem ao gozo que só rende e faz felizes, os que embolsam milhões e aos parasitas que os acompanham enquanto adjuntos de sabe-se lá o quê, mas com nome pomposo - staff. Milhares de pessoas, vindas ao que dizem os comentadores, de todos os lados, corriam como desalmados atrás do descapotável autocarro triunfal, atrás de uns "heróis" com pés de barro e feitos de papel de jornal, após esperarem horas a fio num aeroporto que os manteve longe e ao sol, de que os portugueses tanto apreciam. Não. No avião não vinha nenhum cientista, compositor, artista de renome mundial, nem do FMI. Vinha gente da bola, e dos media. O sol nestas alturas não faz mal. É sol de Portugal e não há cancro que nos vença nem médico nem bronzeador preciso nem lembrado. O cancro do desemprego, também está nestes repetidos dias na prateleira, e não é momento para tão profundas e sérias reflexões sobre as suas causas e efeitos. O fado bem trinado é nosso. Chorem guitarras baixinho que não é hora de ir embora. O que é preciso é fazer girar este folclore. É festa, é correria até cair para o lado. O subsídio e a gasolina hão de chegar e a comparticipação estatal, para curar o mal que daí possa resultar. Preocupar-nos para quê se até o presidente anda também no meio desta confusão? Sanções? O que é isso! Bahh! sejamos patriotas pelos menos de longe a longe. Com pessimismos é que não assustamos ninguém e muito menos as Agências de rating, a Comissão Europeia e os seus ministros que nos ameaçam com martelinhos que fazem doer. Sejamos espertos. Praia e folguedo, pipocas, tremoços e francesinhas, ginginha, umas cervejinhas geladas, caracóis, afagados depois por um chupa-chupa do pirata, é que ficará para sempre na história e na memória de um povo... Valente e imortal!


segunda-feira, 11 de julho de 2016

"A Tomada de Posse"

Agora que terminou o Euro 2016 do chuto na bola, com equipas que desfilaram a sua carteira de milhões gastos com os seus elementos, esperemos que o Senhor Marcelo Rebelo de Sousa, tome posse no cargo para que foi eleito e pare de andar pelas aldeias armado em roberto de feira. Já é tempo de deixar em pista o Falcon, e regressar ao trabalho com concentração e sabedoria. Com grande paixão ou igual paixão com que se apoiou a Selecção das Quinas, por toda a França de Holland e levando pela mão ou por arrasto, o 1º ministro da Nação. É provável que tenhamos tirado desse passatempo, algum lucro, mas duvidamos que só o levantar e descer da aero nave presidencial, gaste em combustível o equivalente a meia nação a andar de BMW. Talvez que nem todos reprovem tal ou tais atitudes que se confundem com apoios a qualquer coisa, que dela saiam dividendos e encha os ex-cofres da Maria Luís. A Maria Albuquerque que disse que com ela a governar as finanças, o país não sofreria sanções da Comissão Europeia. E eu agora estou tentado a acreditar nela, pois ela não cederia as verbas necessárias para atestar o tanque de gasolina extra super aditivada, do Falcon, para que Marcelo andasse por aí a voar como o Ronaldo voa para o golo e voa de seguida para Marrocos. Mas essa despesa do craque sai-lhe do bolso e para seu próprio gozo. Já a do "futuro Presidente, que tomará posse por estes dias", e a começar nesta 2ª feira, pensamos nós, já corre o risco de ser paga(embora ele tenha dito que não) por todos os entusiastas ainda de camiseta lusa enfiada até aos olhos, e os que assistimos aos engraçados bonecos, que andam de feira em feira metidos numa casota verde e vermelha, a fazer de pequeno palco de um teatro diminuto. Os robertos já tiveram melhores dias e o seu regresso não está previsto e em força, como deve estar a tomada de posse a sério, do Presidente da República eleito!


sábado, 9 de julho de 2016

O Tal Jogo

O tal jogo

 
Joaquim A. Moura
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Et voilá! tudo se passou em França e na cidade de Lyon. Três países que têm em comum o terem sido ocupados por Romanos. Reunidos no Stade de Lyon, só dois porém é que se confrontaram para vencer e dessa luta nesta Era mais que Moderna, entre filhos de Viriato e Celtas, habitantes de um território fundado no século I a.c. Dois povos que foram ocupados mas que se desenvencilharam do ocupante através do sangue, suor, lágrimas e heroicidade, pois claro. Tanto Lusos como os teimosos e irredutíveis Celtas, resistentes desde Magno Máximo, cristãos valorosos que ousam falar a língua galesa só para nos confundir, mesmo tendo sido derrotados pelo Rei Eduardo I de Inglaterra, voltam a sentir o sabor da derrota. Porém no palco que já foi Stade de Garland, e aonde Portugal já tinha sido em menos de um mês feliz contra húngaros que regressaram a casa mais cedo entre lamentos e lágrimas, os novos “ocupantes” agora chamados de Emigrantes e não Romanos, que ali trabalham e labutam, puderam encher a alma de alegria e de orgulho, e erguerem ao mesmo tempo a bandeira do seu país e fazer do Hino a sua Oração, que os vai levar a S. Denis, com a vitória por 2-0, que preenche mais um capítulo da história deste povo que se espalha e que se junta nos momentos em que a pátria os chama. A diáspora lusa reunida e a uma só voz sai consolada de Lyon, e pronta para o próximo desafio que em Paris acontecerá com uma imprevisibilidade igual ou parecida com a que nos tocou até hoje e desde que começou este Campeonato Europeu. Vitória justa e desta vez merecida e a contrariar todos os pessimismos que é coisa também que nos invade demasiadas vezes. Umas com e outras sem razão, afinal. Domingo logo o saberemos, seja qual for o adversário!
 


quarta-feira, 6 de julho de 2016

Passistas e Cristassos

Qual será a verdadeira razão que move o ex-ministro de pin táctico em funções, e Assunção Cristas, escritora de cartas centristas junkerianas, a juntarem-se às vozes de 2ª fila do coro que exigem que a Comissão Europeia-CE- não aplique sanções a Portugal por causa do incumprimento do défice martelado entre 2011 e 2015, período em que foram governo e tratantes da qualidade dos sacrifícios dos portugueses? Não será para evitar ficarem para a história como os governantes que mais maltrataram as contas das dívidas, e mais mentiram até ao último comício, afirmando mesmo uma ex-ministra, de sua graça, Maria Albuquerque, de que até tinha os cofres a abarrotar de money, money, money, e que todos percebíamos de que esse depósito não era nosso, e muito menos dela, embora estivesse à sua guarda? Por que será que tais vozes comprometidas, fazem coro cá dentro com os de 1ª fila afinada, caso do governo actual e outros especialistas nacionais e da estranja, e quando se rebolam e ajoelham lá fora diante de Shauble e de Dijsselbleom, afinam disfarçadamente pelo discurso destes desassosssegados mandantes que nos querem a rastejar no compasso que eles, Passistas e Cristassos, marcaram nos 4 anos que governaram(!) e deles receberam até louvores de serem "bons alunos"? Não será, para se caso Portugal e António Costa conseguirem que tais sanções não sejam aplicadas, estes ex-exceles ministros saiam branqueados, limpem a folha, e até possam cantar vitória e passarem à 1ª fila do coro, como bons elementos/autores do cante lusitano? Ou porque não estão calados e ocupem a última fila sem pin na lapela,mas com a bandeira nacional empunhada lá bem atrás mas bem visível, como o fazem os ranchos folclóricos do nosso Malhão e Corridindo, e mais agora que a Selecção Nacional está a precisar de todo o apoio e arreganho, para sair vitorioso da contenda nos diferentes cenários em que andamos metidos, e deixavam de se relevarem como primeiros comediantes, na embrulhada teatral que criaram, mas que agora pretendem empurrar, segurando ainda o "velho cavaquinho", a responsabilidade do incumprimento e agravamento do défice de 2015, para o actual governo? Será isto um mistério para Poirot desvendar?

*-(publicado hoje no "PÚBLICO"-:truncado)