Desculpem, o jornal e os leitores se por hoje esta crónica não se
estender ao comprido, nem se alongar na dissertação, mas eu estou com pressa
para ir a correr para o facebook, pois fervo de pressa e curiosidade, a querer
saber o que é que o leonino Bruno de Carvalho, grande mestre em golpes baixos
"postou" logo ao final do combate, que opôs os minhotos da
cidade-berço do Fundador Afonso ao SLBenfica, clube da capital do reino, e que
reina que nem rei da selva, no campeonato de futebol, neste momento. O que terá
ele registado na sua página de combate sobre a actuação do árbitro Paixão, que
Bruno também é, o que os familiariza por coincidência. E que apreciação faz do
jogo de kikboxing apresentado e certamente aconselhado, antes de
entrarem na arena, por Sérgio Conceição aos seus gladiadores, enquanto táctica
no confronto contra a equipa da Luz, para travar o voo da Águia? Ouvido o
técnico dos vitorianos no final da contenda, o Benfica não mereceu a vitória, e
só a conseguiu porque o Bruno do apito, ajuizou com paixão desigual,
alguns lances, que foram fatais e originaram a sua expulsão e derrota. Os
cartões amarelos exibidos aos atletas de jiu jitsu vimaranense, não se
justificavam, pois após cinco minutos de jogo, ainda não haviam pernas partidas
nos atletas adversários, e já três amarelos estavam mostrados, o que
condicionou a actuação da equipa do Conquistador, em baixo de forma esta época.
Não se lembrou o mister Sérgio de dizer e culpar os seus guerreiros, de que
perderam por falta de eficácia na hora de enfrentar a baliza e o seu guardião.
À táctica posta no terreno, agressiva, violenta a exigir dureza por parte do
juiz ao aplicar os castigos, perdoando-lhes até uma penalidade, o comandante
dos minhotos, apenas encontrou desculpas para o desaire sofrido, incriminando o
árbitro e o estado de espírito que se podia gerar no país se o SLB, não
ganhasse o combate. Segundo ele a nação vinha abaixo, quer no desporto,
quer até na Política nacional que conduz o seu destino austero e
amarrado às cordas. E o tal Bruno de Carvalho, que dirá no seu facebook, aonde
ele treina o verbo, se após isto que assim se passou, reza a lenda, regressar
do Dragão sem conseguir usar da espada de bom gume que ali desembainha, e da
língua afiada que o leve ao triunfo sobre a equipa azul e branco, no campo
verde da batalha a norte, que o manterá em pé na luta que trava com o seu rival
mais próximo e com uma história mais conseguida, e bem mais rica? Vamos ler
então o que reclama o Bruno, dirigente muito verde, à procura da página da
vitória, que se esconde sob a juba da fera, há muito tempo .
sábado, 30 de abril de 2016
segunda-feira, 25 de abril de 2016
25 de Abril. Aonde?
Hoje, data da "Revo...loção" de Abril de 74, dia em que
escrevo este lamento, uma vez que as horas que antecedem esta mágoa,
dediquei-as a secar as lágrimas, que o depois deste confuso e promíscuo
acontecimento veio a provocar em muitos de nós - Povo, para agora poder lavrar
neste terreno da escrita a crítica capaz de por a nu a hipocrisia e o cinismo
com que tal data é festejada. E não me venham com canções de embalar e com
cravos de embelezar farpelas e palcos parlamentares, que nada disso torna os
corações dos que sofrem, mais coloridos nem alegres. A data que se comemora
hoje, e que nos remete para a idade em que sonhamos cheios de esperança com o
amanhã, e que afinal se vem desde então a revelar um pesadelo, um sério
fracasso. É com certeza uma data especial para os que souberam e tiveram arte
e engenho para se desenrascarem, para os que se serviram do Estado, da Banca, e
de todas as suas Repartições e Autarquias, para os que tinham amigos e por isso
escaparam impunes à Justiça e à cadeia. Foi também um acontecimento que abriu
as portas dos oportunistas e medíocres que se travestiram de revolucionários,
de aderentes de última hora, e com tal habilidade e jogo de cintura e de rins,
tiraram proveito de tal marcha triunfal. Hoje, passados 42 anos de tentativas e
de ensaios para nos tirar da miséria em que vivíamos, de tentativas para nos
libertarem da fome, da desilusão, do desemprego, do analfabetismo, do saco às
costas a caminho das fronteiras, tudo são discursos de embalar, feitas as
contas e como balanço, entre mais pobres e mais ricos que o pós Abril deu
origem. Desde o regresso dos militares da guerra em África, os rapazes que
passaram à "peluda", nunca tiveram qualquer apoio e tiveram que regressar
à luta noutras terras para ganhar o pão e deles ninguém quis saber. E até hoje
muitos não conseguiram trabalho digno, decente, consentâneo. Tudo foi ocupado
pelos amigalhaços. Enquanto isso trataram de acalmar os chamados
"retornados", dando-lhes todo os apoios e benesses para que
viabilizassem a vida que tinham perdido e a que estavam habituados. E muito
bem. Hoje ninguém os ouve a reclamar por coisa nenhuma. A solução foi eficaz.
A vida é dos espertos activos e desenrascados. Mas para os rapazes que fizeram
a guerra nas ex-colónias, só houve um caminho - o da emigração. Agora passados
42 anos da "Revo...loção" de 74, aos novos juntam-se os velhos, para
retomarem o caminho da partida para terras aonde o pão é mais garantido, e lá
longe por tais terras, fazerem o seu Abril, sem o adereço do cravo ao peito, e
constituírem família fermentada com o aroma das rosas que o trabalho/emprego
permite libertar. Hoje, na data em que escrevo esta lamuria séria e grave, sei
bem quem herdou os bens da dita Revolução na madrugada que se mantém sombria
para muitos de nós, povo, e Alvorada reluzente para os mesmos de sempre, e que
vinham de ontem a que juntaram os filhos que agora a dirigem. De nada valeram
tantas reivindicações, marchas por direitos, maior educação académica, se todos
acabamos debaixo da ponte, de mochila ou de mala de cartão, na frustração, em
busca da luz que aqui nos foi e é negada, como promessa de diabos, que de nós
se apoderaram. Hoje dia 25 de Abril de 2016, já nem com água benta ou outra qualquer
"revolta loção", a Política prosseguida pelos dirigentes herdeiros da
oratória hipócrita e cínica apre(e)ndida nos partidos de onde saem para o
governo, nos liberta e salva da fantasia em que nos fez afundar entre o ferro e
o fogo, e nos prende em casa a curtir as mágoas por tanto desencanto enterrado
na lama do abandono.
sábado, 16 de abril de 2016
O Bloqueio do Bloco
O Bloco de Esquerda(B.E), partido representado na Assembleia da Repúplica e
associado ao Governo, parece querer andar a brincar com as palavras. Para o
Bloco, não há nada de momento que mais o preocupe, se não um cartão que quer
que seja também, uma cartona. É capaz de ser um trauma, próprio de umas meninas
que estão isentas de problemas com filhos e maridos, emprego, salário, e sem
sentirem na pele a violência dentro de portas por onde não reina a paz, e por
onde não entra o pão por falta de trabalho, e qualquer meio de rendimento que
melhore o sustento da acalmia. Dedicam-se por isso essas "beldades",
a propor ao Governo de todos os portugueses, que acabe com o tal cartão de
identificação, que diminuiu de tamanho mas aumentou a polémica. Cá para mim são
miudices de mulheres ou de género por identificar com exactidão, desde o
embrião. Tais rapazas não querem descriminação em relação aos rapazes,
e vai daí exigem uma mudança do nome do cartão de cidadão, para nome sem
género. Para coisa neutra. Uma igualdade(!) se possível. Em tempos, quando
alguém aborrecia a mona do pai, por fazer o que não devia ou estragava o que
ele montava, este dizia-nos em modo de reprimenda-"está quieto. Larga
isso. Vai brincar com a pilinha". Ora está bom de ver que tal
repreensão só podia ser dada aos rapazes, assim nascidos e sem mudança de
género pelo caminho. Elas escapavam por razões óbvias. Já vários colunistas e
articulistas com assento nas redacções dos média, se debruçaram sobre esta
matéria e sobre o material de que se fazem futilidades como a que consome a
mona do BE. E bem que o fizeram, que agora pouco mais haverá a acrescentar. Mas
há nesta pretensão de querer um cartão que se chama de cidadão, e
que o BE quer que se passe a chamar de - "cartão de cidadania",
uma falha por explicar, ou será uma falha por distracção minha. É que não li,
como é que o Bloco quer chamar ao "cartão" daqueles cujo género
permuta do dia para a noite, uma vez que já há quem reconheça a existência de
um 3º género, e se calhar de um 4º. É só apalpar melhor e sentir-se-à. Se há já
quem dê palpites para que o "cartão" substituto do antigo B.I. se
possa chamar de - "cartão de cidadão e cartão de cidadâ",
contemplando assim,todos, eu proponho que se venha a designar de "Cartão
do Género Animal", pois que se fosse "do Género Humano", levantava-se
de novo o problema para o BE, pois elas são "do Género Humana". Ora
se se optasse por "...Género Animal" até dava para lhes recomendar de
vez em quando, que se as preocupações maiores que elas/eles têm, são deste
género, a gente sempre podia dizer-lhes - "vão-se catar". Debrucem-se
mas é sobre coisas, assuntos, causas sérias, que ajudem a melhorar e a resolver a vida das
pessoas, e parem de brincar com a ... a... inha!
domingo, 10 de abril de 2016
Um domingo diferente
É tanta a matéria ao nosso dispor neste domingo sem sol, mas cheio de
cor, de fé, e de casos, que torna-se difícil saber por onde pegar-lhe. Em Paços
de Ferreira, o FCPorto, clube em queda e sob o mistério da doença que padece,
evidenciou o descalabro, a via sacra que calcorreia. Em Loulé a procissão da
Santa Mãe Soberana, que os homens de fé carregam aos ombros como uma pluma
pelos caminhos do povo crente. Na Ilha da Madeira, ilha do encanto e da Festa
da Flor, aonde paira a alegria e o aroma, o colorido e a fantasia, que mais a
embeleza e atrai. A nomeação do novo ministro da Cultura, Luís F. Castro
Mendes, homem da poesia, criador de diplomacias, e de outros géneros do domínio
do belo. São hoje, neste domingo percorrido pelo frio, assuntos interessantes e
delicados para serem submetidos a análise séria e decente. Mas são também por
isso mesmo, alvo de apreciação mais profunda por parte dos meios de comunicação
que aceitam ou rejeitam receber esta minha intervenção. Há jornais para os
quais enviamos a nossa opinião, que puxam logo da tesoura e do caixote do lixo,
só porque a assinatura que se lhes prega no fim do têxto, não é reveladora de
indivíduo sonante, e intelectual reconhecido. Alguns jornais até nos têm numa
lista de banidos. No mínimo, de "articulistas" pouco atractivos e sem
sumo, com quem é uma perda de tempo e de espaço publicá-los. Recuemos. No FCP,
há de haver uma ou mais razões para o que sucede naquele rosário de queixas
contra tudo e todos. Não é da SAD, não é do treinador nem dos jogadores, e
ouvindo os responsáveis, a culpa só pode estar nos árbitros. Clube mais rico do
que o Tondela e do que o Paços, é com certeza um clube mais organizado. Por
conseguinte, não será aqui que se encontra a culpa dos desaires acontecidos.
Mas eles hão de estar em algum lugar. Clube milionário, quando comparado com os
referidos atrás e com o Nacional da Madeira ou Marítimo, apresenta trabalho
mais vergonhoso em campo desde há 3 anos. O treinador, embora seja confundido
com um forcado, pega-lhe como pode e sabe, e foi escolhido como competente pelo
presidente eterno da Sociedade do mistério azul-e- branco, embora a gente
adivinhe vida curta, quer a um quer a outro. A procissão já vai longe, e o
clube já perdeu toda a fé de acompanhar o compasso. Em Loulé a Fé maior,
suporta e faz esquecer qualquer dor, e a Senhora da Piedade ajuda quem sofre.
Na Madeira os aromas e as cores floridas tomam conta da ilha e da atmosfera, e
novos e velhos dão ares de felicidade e de disposição para não baixarem na
tabela do sucesso e do encanto. Dançam e cantam. No governo, depois das
promessas da festa das latadas ou das galhetas nas beiças de dois cronistas,
provocadores, insolentes, com acertos pessoais por fazer que se arrastam do
passado, feitas no facebook, por um ministro dentro da madrugada e em pijama,
que parece ter pesado mais que qualquer andor e que a pasta responsável
esquecida nos ombros, que o pagador de promessas sentiu e por tal, arreou.
Neste domingo, está difícil escolher qual o tema capaz ser eleito como melhor e
mais feliz, para o tornar simplesmente agradável. Talvez o novo ministro-poeta,
da Cultura agora, traga a resposta e diplomaticamente a ponha em marcha, e seja
capaz de limpar a má imagem que na SAD portista demonstra, e que as bofetadas
salutares, e as crónicas insultuosas deixem de entrar no desfile da vida
nacional. Que a Nª Srª e Mãe Soberana, tenha Piedade de todos nós e ilumine os
que usam e abusam da pena e do verbo.
*texto publicado no DNotícias em 11/04/2016(truncado)
sexta-feira, 8 de abril de 2016
"As bofetadas salutares"
Ao que parece, por cá não se aprecia que um Homem se assuma na hora de o
fazer. Por tal razão se diz que quem não se sente não é filho de boa gente.
Vai daí um sociólogo e um cronista, ambos bem conhecidos na praça do peixe
podre e de maldizer, com bancada em pedra tosca num jornal aceite como limpo,
abrigados por detrás do biombo da liberdade de expressão, julgam poder ofender
com a pena afiada e impúdica, quem lhes não presta favores, não os reconhece, e
não lhes dá conversa mole. No entanto tais provocadores, julgando-se
merecedores de importância no meio cultural e intelectual, um como sociólogo, e
outro como historiador do faz-de-conta, mas cuja "importância" só é
reconhecida na capital parola e povoada por filhos de provincianos, a saber-
Augusto M.Seabra -A.M.S. e Vasco Pulido Valente -V.P.V. torturam-se há alguns
anos a tentar vingar-se desde esse "tempo velho" que os traz
enraivecidos, contra um homem que já foi ex. de várias coisas que os incomodou,
e que é hoje ministro da Cultura, que os perturba em contínuo. Às ofensas, o
Homem, João Soares -J.S. respondeu como só os Homens sabem fazê-lo no tempo
certo, mesmo que ao nascer do dia, e quem sabe se ainda em pijama, e no
Facebook, e não de fato e gravata em algum gabinete ministerial e em papel
timbrado. Oficial. No entanto, saltaram à praça, logo uns comparsas desses dois
vilões da escrita da má criação, aonde revelam as suas frustrações. São de
reprovar as análises feitas pela família Costa - um 1º ministro, e outro chefe
do jornal Expresso, que vieram tornar um caso entre pessoas desavindas, num
caso político quase de Estado, ao pronunciarem-se no estilo(!) como o fizeram.
Erro crasso. Nada mais falso, embora tal atitude errada, beneficie os
provocadores de língua e de pena bífida. Estes polémicos, caquéticos
articulistas que a direita tanto aprecia, que agora se acham vítimas do ataque
de João Soares, que demonstrou coragem como só no sec.XIX e Camiliano se era
capaz de tornar resolvido, à bengalada ou à ripeirada, e que ainda hoje se tais
maldizentes ousassem fazê-lo por cá, no norte, logo haveriam de experimentar
tal método "salutar", pois por cá ainda resistem os que conservam a honra
e a dignidade, e a não dependuraram atrás da porta. Com uma diferença em
relação à "sentença" feita por J.S. Nós bofetamos primeiro e
prometemos fazê-lo depois. E não haveríamos de ter em consideração as
debilidades, e fragilidades físicas, quer de um quer de outro, pois eles também
não as demonstraram no acto de ofender quem muito bem lhes apeteceu ofender,
nos termos tornados “públicos” e que todos sabemos. Esse biombo de onde
pretendem agora tirar piedade, e em que se escondem agora, levantando a
bandeira da liberdade de opinião e de expressão, que serve de pretexto para
esgrimir contra J.S. aqui de nada lhes valeria. Levavam as que tinham de levar
e ficavam com elas para contar aos netos. Se tiveram "no tempo novo",
capacidade e com quê para os ter. Bravo João Soares, só pelo susto que lhes
pregastes, embora nos saiba a pouco!
terça-feira, 5 de abril de 2016
FCPortovsTondela
....no fim do tempo regulamentar e mais 5 minutos extra, logo após terem
chegado ali ao campo verde do Dragão sagrado, a tribo dos comandados por Petit,
erguendo o cálice de tinto do Dão, em oposição ao "Oporto tawny",
virou-se aos olhos de todos, bem à frente dos milionários azuis e brancos,
obedientes(!) às ordens do forcado Peseiro, carregados de moedas, de elmos e
mais equipamento em ouro importado dos vários cantos do mundo, disse-lhes e aos
seus, do alto da sua vontade e do muito querer:- "tomai e bebei esta
pinga. Isto é o resultado do nosso trabalho. Memorizem tal acontecimento, em
memória de mim, e de nós tondelenses, sobretudo!. Ditas estas palavras, estes
seguiram para os balneários, a fim de se banharem e purificarem da ofensa
cometida em tão estranho relvado. E ali se abraçaram e riram, enquanto do outro
lado só o silêncio se ouvia, a raiva crescia e a cabeça baixava. O Dão fazia
efeito e muitos estragos nas hostes portistas!
domingo, 3 de abril de 2016
Frase feita
Sempre que morre alguém com notoriedade, ou até sem ser por aí além, mas
que deu nas vistas numa ou noutra coisa mais ou menos controversa, ou singular,
e enquanto nessa função deu a "mamar" aos amigos algum ouro, ou dele
tiraram protagonismo e proveito, aparecem logo oriundos dessa banda, uns outros
a lamentar tal morte, com elogios bem badalados, do género - "com o seu desaparecimento,
o mundo fica mais pobre". Esta frase que me anda aqui no ouvido a
incomodar faz tempo, e que já não de lá sai, nem com cotonete embebida em
bagaço forte, tem-me feito reflectir sobre o valor da pessoa que partiu e o que
fez com brilhantismo em vida, e do daquele que profere tal frase feita saída da
boca, que de outro berço ou alma seria difícil, quando interrogado por um meio
de propaganda social, à entrada ou à saída do luto florido que o cangalheiro
encenou com pompa. E a frase tem razão de ser, certamente. Se o gentio que
feneceu era poderoso e tinha influência, conseguindo por sua actuação mexer os
cordelinhos na área que dominava e com isso se enchia de importância, mais o
parceiro oportuno, que disso tirava proveito, este "mamão" não tem
mais do que tecer loas ao falecido e gabar-lhe a obra deixada ou mal explicada,
e todos os dotes que com ele se foram, e que a partir de agora deixaram de
contar para a soma do já arrecadado. Pelo contrário, se aquele que morre, não
tinha aonde cair morto, anónimo como enquanto espermatozóide, sobre ele não se
ouvirá uma frase feita ou por fazer, excepto, o adivinharmos que alguém largue
uma lágrima por ele na hora do adeus e por dentro do escuro da tristeza. E
mesmo isto não é certo. Sendo assim, não custa aceitar que a morte de alguns
tornam o mundo mais pobre, e com a morte de outros, a maioria, o mundo fica
mais rico. Eu esclareço. Se por exemplo morre um vigarista, que fez fortuna à
custa de golpes e trapaças, mas com essa prática encheu ainda os bolsos do
núcleo de amigos, estes lamentam a sua morte pois o seu apagamento é ao mesmo
tempo a morte da riqueza que ele gerava e dele sobrava, e fazia a alegria e as
delícias dos comparsas. Mas se morre um pobre, não há nada para esperar, e
muito menos a herdar, por isso a lamentar. Como é pobre e banal, tal “como uma frase batida”, que riqueza
perde o mundo com o seu fenecimento? Se assim é, conclui-se que o mundo ficará
sempre menos pobre se só morrerem os indigentes, sem vintém, e sem qualquer
interferência nos "tachos" que há para arrebanhar e distribuir pelos
amigos, e que só estão sob tutela e à guarda da legião a que pertencia o vilão
muito considerado e agora velado. No exemplo que perseguimos, podemos também
concluir, que, embora os ricos e personalidades tais como banqueiros
criminosos, dirigentes de organismos desportivos criminosos, políticos de
vários graus com cargos de chefia que cometem fraudes, administrativos
corruptos ao serviço da causa pública, em mar, no ar e em terra, etc. quando
morrem, têm sempre algum personagem ou até um bando deles a vir a terreiro,
discursar, bater palmas, ainda o cadáver não arrefeceu, a tecer-lhe os maiores
encómios, loas, elogios, enaltecimentos, proezas, heroicidades que em nenhum cartapácio
cívico está descrito, mas que eles sabem ser fundamental entoar para limpar
alguma suspeita e lixo que se tenha pegado ao defunto de renome sem saída limpa.
Quer isto dizer que sempre que se prende ou morre um destes figurões, surge ou
é imediatamente eleito outro, que lhe segue o percurso e o imita na acção. Aqui
está a solução abreviada, para que o mundo nunca fique mais pobre. Pelo
contrário, temos a garantia que com estes substitutos e oradores com dotes
demonstrados em congressos, reuniões de negócios à porta fechada, assembleias
aonde se elegem piratas, ou se confirmam lideranças, o mundo ficará sempre mais
rico. Pobres para que vos quero, se em vós só vejo braços para me servirem,
agitando bandeiras e enquanto colam cartazes?
*publicado no DNotícias em 04/04/2016
*publicado no DNotícias em 04/04/2016
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