sábado, 30 de abril de 2016

Vale tudo

Desculpem, o jornal e os leitores se por hoje esta crónica não se estender ao comprido, nem se alongar na dissertação, mas eu estou com pressa para ir a correr para o facebook, pois fervo de pressa e curiosidade, a querer saber o que é que o leonino Bruno de Carvalho, grande mestre em golpes baixos "postou" logo ao final do combate, que opôs os minhotos da cidade-berço do Fundador Afonso ao SLBenfica, clube da capital do reino, e que reina que nem rei da selva, no campeonato de futebol, neste momento. O que terá ele registado na sua página de combate sobre a actuação do árbitro Paixão, que Bruno também é, o que os familiariza por coincidência. E que apreciação faz do jogo de kikboxing apresentado e certamente aconselhado, antes de entrarem na arena, por Sérgio Conceição aos seus gladiadores, enquanto táctica no confronto contra a equipa da Luz, para travar o voo da Águia? Ouvido o técnico dos vitorianos no final da contenda, o Benfica não mereceu a vitória, e só a conseguiu porque o Bruno do apito, ajuizou com paixão desigual, alguns lances, que foram fatais e originaram a sua expulsão e derrota. Os cartões amarelos exibidos aos atletas de jiu jitsu vimaranense, não se justificavam, pois após cinco minutos de jogo, ainda não haviam pernas partidas nos atletas adversários, e já três amarelos estavam mostrados, o que condicionou a actuação da equipa do Conquistador, em baixo de forma esta época. Não se lembrou o mister Sérgio de dizer e culpar os seus guerreiros, de que perderam por falta de eficácia na hora de enfrentar a baliza e o seu guardião. À táctica posta no terreno, agressiva, violenta a exigir dureza por parte do juiz ao aplicar os castigos, perdoando-lhes até uma penalidade, o comandante dos minhotos, apenas encontrou desculpas para o desaire sofrido, incriminando o árbitro e o estado de espírito que se podia gerar no país se o SLB, não ganhasse o combate. Segundo ele a nação vinha abaixo, quer no desporto, quer até na Política nacional que conduz o seu destino austero e amarrado às cordas. E o tal Bruno de Carvalho, que dirá no seu facebook, aonde ele treina o verbo, se após isto que assim se passou, reza a lenda, regressar do Dragão sem conseguir usar da espada de bom gume que ali desembainha, e da língua afiada que o leve ao triunfo sobre a equipa azul e branco, no campo verde da batalha a norte, que o manterá em pé na luta que trava com o seu rival mais próximo e com uma história mais conseguida, e bem mais rica? Vamos ler então o que reclama o Bruno, dirigente muito verde, à procura da página da vitória, que se esconde sob a juba da fera, há muito tempo .


segunda-feira, 25 de abril de 2016

25 de Abril. Aonde?

Hoje, data da "Revo...loção" de Abril de 74, dia em que escrevo este lamento, uma vez que as horas que antecedem esta mágoa, dediquei-as a secar as lágrimas, que o depois deste confuso e promíscuo acontecimento veio a provocar em muitos de nós - Povo, para agora poder lavrar neste terreno da escrita a crítica capaz de por a nu a hipocrisia e o cinismo com que tal data é festejada. E não me venham com canções de embalar e com cravos de embelezar farpelas e palcos parlamentares, que nada disso torna os corações dos que sofrem, mais coloridos nem alegres. A data que se comemora hoje, e que nos remete para a idade em que sonhamos cheios de esperança com o amanhã, e que afinal se vem desde então a revelar um pesadelo, um sério fracasso. É com certeza uma data especial para os que souberam e tiveram arte e engenho para se desenrascarem, para os que se serviram do Estado, da Banca, e de todas as suas Repartições e Autarquias, para os que tinham amigos e por isso escaparam impunes à Justiça e à cadeia. Foi também um acontecimento que abriu as portas dos oportunistas e medíocres que se travestiram de revolucionários, de aderentes de última hora, e com tal habilidade e jogo de cintura e de rins, tiraram proveito de tal marcha triunfal. Hoje, passados 42 anos de tentativas e de ensaios para nos tirar da miséria em que vivíamos, de tentativas para nos libertarem da fome, da desilusão, do desemprego, do analfabetismo, do saco às costas a caminho das fronteiras, tudo são discursos de embalar, feitas as contas e como balanço, entre mais pobres e mais ricos que o pós Abril deu origem. Desde o regresso dos militares da guerra em África, os rapazes que passaram à "peluda", nunca tiveram qualquer apoio e tiveram que regressar à luta noutras terras para ganhar o pão e deles ninguém quis saber. E até hoje muitos não conseguiram trabalho digno, decente, consentâneo. Tudo foi ocupado pelos amigalhaços. Enquanto isso trataram de acalmar os chamados "retornados", dando-lhes todo os apoios e benesses para que viabilizassem a vida que tinham perdido e a que estavam habituados. E muito bem. Hoje ninguém os ouve a reclamar por coisa nenhuma. A solução foi eficaz. A vida é dos espertos activos e desenrascados. Mas para os rapazes que fizeram a guerra nas ex-colónias, só houve um caminho - o da emigração. Agora passados 42 anos da "Revo...loção" de 74, aos novos juntam-se os velhos, para retomarem o caminho da partida para terras aonde o pão é mais garantido, e lá longe por tais terras, fazerem o seu Abril, sem o adereço do cravo ao peito, e constituírem família fermentada com o aroma das rosas que o trabalho/emprego permite libertar. Hoje, na data em que escrevo esta lamuria séria e grave, sei bem quem herdou os bens da dita Revolução na madrugada que se mantém sombria para muitos de nós, povo, e Alvorada reluzente para os mesmos de sempre, e que vinham de ontem a que juntaram os filhos que agora a dirigem. De nada valeram tantas reivindicações, marchas por direitos, maior educação académica, se todos acabamos debaixo da ponte, de mochila ou de mala de cartão, na frustração, em busca da luz que aqui nos foi e é negada, como promessa de diabos, que de nós se apoderaram. Hoje dia 25 de Abril de 2016, já nem com água benta ou outra qualquer "revolta loção", a Política prosseguida pelos dirigentes herdeiros da oratória hipócrita e cínica apre(e)ndida nos partidos de onde saem para o governo, nos liberta e salva da fantasia em que nos fez afundar entre o ferro e o fogo, e nos prende em casa a curtir as mágoas por tanto desencanto enterrado na lama do abandono. 

sábado, 16 de abril de 2016

O Bloqueio do Bloco

O Bloco de Esquerda(B.E), partido representado na Assembleia da Repúplica e associado ao Governo, parece querer andar a brincar com as palavras. Para o Bloco, não há nada de momento que mais o preocupe, se não um cartão que quer que seja também, uma cartona. É capaz de ser um trauma, próprio de umas meninas que estão isentas de problemas com filhos e maridos, emprego, salário, e sem sentirem na pele a violência dentro de portas por onde não reina a paz, e por onde não entra o pão por falta de trabalho, e qualquer meio de rendimento que melhore o sustento da acalmia. Dedicam-se por isso essas "beldades", a propor ao Governo de todos os portugueses, que acabe com o tal cartão de identificação, que diminuiu de tamanho mas aumentou a polémica. Cá para mim são miudices de mulheres ou de género por identificar com exactidão, desde o embrião. Tais rapazas não querem descriminação em relação aos rapazes, e vai daí exigem uma mudança do nome do cartão de cidadão, para nome sem género. Para coisa neutra. Uma igualdade(!) se possível. Em tempos, quando alguém aborrecia a mona do pai, por fazer o que não devia ou estragava o que ele montava, este dizia-nos em modo de reprimenda-"está quieto. Larga isso. Vai brincar com a pilinha". Ora está bom de ver que tal repreensão só podia ser dada aos rapazes, assim nascidos e sem mudança de género pelo caminho. Elas escapavam por razões óbvias. Já vários colunistas e articulistas com assento nas redacções dos média, se debruçaram sobre esta matéria e sobre o material de que se fazem futilidades como a que consome a mona do BE. E bem que o fizeram, que agora pouco mais haverá a acrescentar. Mas há nesta pretensão de querer um cartão que se chama de cidadão, e que o BE quer que se passe a chamar de - "cartão de cidadania", uma falha por explicar, ou será uma falha por distracção minha. É que não li, como é que o Bloco quer chamar ao "cartão" daqueles cujo género permuta do dia para a noite, uma vez que já há quem reconheça a existência de um 3º género, e se calhar de um 4º. É só apalpar melhor e sentir-se-à. Se há já quem dê palpites para que o "cartão" substituto do antigo B.I. se possa chamar de - "cartão de cidadão e cartão de cidadâ", contemplando assim,todos, eu proponho que se venha a designar de "Cartão do Género Animal", pois que se fosse "do Género Humano", levantava-se de novo o problema para o BE, pois elas são "do Género Humana". Ora se se optasse por "...Género Animal" até dava para lhes recomendar de vez em quando, que se as preocupações maiores que elas/eles têm, são deste género, a gente sempre podia dizer-lhes - "vão-se catar". Debrucem-se mas é sobre coisas, assuntos, causas sérias, que ajudem a melhorar e a resolver a vida das pessoas, e parem de brincar com a ... a... inha!
                 

domingo, 10 de abril de 2016

Um domingo diferente

É tanta a matéria ao nosso dispor neste domingo sem sol, mas cheio de cor, de fé, e de casos, que torna-se difícil saber por onde pegar-lhe. Em Paços de Ferreira, o FCPorto, clube em queda e sob o mistério da doença que padece, evidenciou o descalabro, a via sacra que calcorreia. Em Loulé a procissão da Santa Mãe Soberana, que os homens de fé carregam aos ombros como uma pluma pelos caminhos do povo crente. Na Ilha da Madeira, ilha do encanto e da Festa da Flor, aonde paira a alegria e o aroma, o colorido e a fantasia, que mais a embeleza e atrai. A nomeação do novo ministro da Cultura, Luís F. Castro Mendes, homem da poesia, criador de diplomacias, e de outros géneros do domínio do belo. São hoje, neste domingo percorrido pelo frio, assuntos interessantes e delicados para serem submetidos a análise séria e decente. Mas são também por isso mesmo, alvo de apreciação mais profunda por parte dos meios de comunicação que aceitam ou rejeitam receber esta minha intervenção. Há jornais para os quais enviamos a nossa opinião, que puxam logo da tesoura e do caixote do lixo, só porque a assinatura que se lhes prega no fim do têxto, não é reveladora de indivíduo sonante, e intelectual reconhecido. Alguns jornais até nos têm numa lista de banidos. No mínimo, de "articulistas" pouco atractivos e sem sumo, com quem é uma perda de tempo e de espaço publicá-los. Recuemos. No FCP, há de haver uma ou mais razões para o que sucede naquele rosário de queixas contra tudo e todos. Não é da SAD, não é do treinador nem dos jogadores, e ouvindo os responsáveis, a culpa só pode estar nos árbitros. Clube mais rico do que o Tondela e do que o Paços, é com certeza um clube mais organizado. Por conseguinte, não será aqui que se encontra a culpa dos desaires acontecidos. Mas eles hão de estar em algum lugar. Clube milionário, quando comparado com os referidos atrás e com o Nacional da Madeira ou Marítimo, apresenta trabalho mais vergonhoso em campo desde há 3 anos. O treinador, embora seja confundido com um forcado, pega-lhe como pode e sabe, e foi escolhido como competente pelo presidente eterno da Sociedade do mistério azul-e- branco, embora a gente adivinhe vida curta, quer a um quer a outro. A procissão já vai longe, e o clube já perdeu toda a fé de acompanhar o compasso. Em Loulé a Fé maior, suporta e faz esquecer qualquer dor, e a Senhora da Piedade ajuda quem sofre. Na Madeira os aromas e as cores floridas tomam conta da ilha e da atmosfera, e novos e velhos dão ares de felicidade e de disposição para não baixarem na tabela do sucesso e do encanto. Dançam e cantam. No governo, depois das promessas da festa das latadas ou das galhetas nas beiças de dois cronistas, provocadores, insolentes, com acertos pessoais por fazer que se arrastam do passado, feitas no facebook, por um ministro dentro da madrugada e em pijama, que parece ter pesado mais que qualquer andor e que a pasta responsável esquecida nos ombros, que o pagador de promessas sentiu e por tal, arreou. Neste domingo, está difícil escolher qual o tema capaz ser eleito como melhor e mais feliz, para o tornar simplesmente agradável. Talvez o novo ministro-poeta, da Cultura agora, traga a resposta e diplomaticamente a ponha em marcha, e seja capaz de limpar a má imagem que na SAD portista demonstra, e que as bofetadas salutares, e as crónicas insultuosas deixem de entrar no desfile da vida nacional. Que a Nª Srª e Mãe Soberana, tenha Piedade de todos nós e ilumine os que usam e abusam da pena e do verbo.

*texto publicado no DNotícias em 11/04/2016(truncado)
                 

sexta-feira, 8 de abril de 2016

"As bofetadas salutares"

Ao que parece, por cá não se aprecia que um Homem se assuma na hora de o fazer. Por tal razão se diz que quem não se sente não é filho de boa gente. Vai daí um sociólogo e um cronista, ambos bem conhecidos na praça do peixe podre e de maldizer, com bancada em pedra tosca num jornal aceite como limpo, abrigados por detrás do biombo da liberdade de expressão, julgam poder ofender com a pena afiada e impúdica, quem lhes não presta favores, não os reconhece, e não lhes dá conversa mole. No entanto tais provocadores, julgando-se merecedores de importância no meio cultural e intelectual, um como sociólogo, e outro como historiador do faz-de-conta, mas cuja "importância" só é reconhecida na capital parola e povoada por filhos de provincianos, a saber- Augusto M.Seabra -A.M.S. e Vasco Pulido Valente -V.P.V. torturam-se há alguns anos a tentar vingar-se desde esse "tempo velho" que os traz enraivecidos, contra um homem que já foi ex. de várias coisas que os incomodou, e que é hoje ministro da Cultura, que os perturba em contínuo. Às ofensas, o Homem, João Soares -J.S. respondeu como só os Homens sabem fazê-lo no tempo certo, mesmo que ao nascer do dia, e quem sabe se ainda em pijama, e no Facebook, e não de fato e gravata em algum gabinete ministerial e em papel timbrado. Oficial. No entanto, saltaram à praça, logo uns comparsas desses dois vilões da escrita da má criação, aonde revelam as suas frustrações. São de reprovar as análises feitas pela família Costa - um 1º ministro, e outro chefe do jornal Expresso, que vieram tornar um caso entre pessoas desavindas, num caso político quase de Estado, ao pronunciarem-se no estilo(!) como o fizeram. Erro crasso. Nada mais falso, embora tal atitude errada, beneficie os provocadores de língua e de pena bífida. Estes polémicos, caquéticos articulistas que a direita tanto aprecia, que agora se acham vítimas do ataque de João Soares, que demonstrou coragem como só no sec.XIX e Camiliano se era capaz de tornar resolvido, à bengalada ou à ripeirada, e que ainda hoje se tais maldizentes ousassem fazê-lo por cá, no norte, logo haveriam de experimentar tal método "salutar", pois por cá ainda resistem os que conservam a honra e a dignidade, e a não dependuraram atrás da porta. Com uma diferença em relação à "sentença" feita por J.S. Nós bofetamos primeiro e prometemos fazê-lo depois. E não haveríamos de ter em consideração as debilidades, e fragilidades físicas, quer de um quer de outro, pois eles também não as demonstraram no acto de ofender quem muito bem lhes apeteceu ofender, nos termos tornados “públicos” e que todos sabemos. Esse biombo de onde pretendem agora tirar piedade, e em que se escondem agora, levantando a bandeira da liberdade de opinião e de expressão, que serve de pretexto para esgrimir contra J.S. aqui de nada lhes valeria. Levavam as que tinham de levar e ficavam com elas para contar aos netos. Se tiveram "no tempo novo", capacidade e com quê para os ter. Bravo João Soares, só pelo susto que lhes pregastes, embora nos saiba a pouco!



terça-feira, 5 de abril de 2016

FCPortovsTondela

....no fim do tempo regulamentar e mais 5 minutos extra, logo após terem chegado ali ao campo verde do Dragão sagrado, a tribo dos comandados por Petit, erguendo o cálice de tinto do Dão, em oposição ao "Oporto tawny", virou-se aos olhos de todos, bem à frente dos milionários azuis e brancos, obedientes(!) às ordens do forcado Peseiro, carregados de moedas, de elmos e mais equipamento em ouro importado dos vários cantos do mundo, disse-lhes e aos seus, do alto da sua vontade e do muito querer:- "tomai e bebei esta pinga. Isto é o resultado do nosso trabalho. Memorizem tal acontecimento, em memória de mim, e de nós tondelenses, sobretudo!. Ditas estas palavras, estes seguiram para os balneários, a fim de se banharem e purificarem da ofensa cometida em tão estranho relvado. E ali se abraçaram e riram, enquanto do outro lado só o silêncio se ouvia, a raiva crescia e a cabeça baixava. O Dão fazia efeito e muitos estragos nas hostes portistas!

domingo, 3 de abril de 2016

Frase feita

Sempre que morre alguém com notoriedade, ou até sem ser por aí além, mas que deu nas vistas numa ou noutra coisa mais ou menos controversa, ou singular, e enquanto nessa função deu a "mamar" aos amigos algum ouro, ou dele tiraram protagonismo e proveito, aparecem logo oriundos dessa banda, uns outros a lamentar tal morte, com elogios bem badalados, do género - "com o seu desaparecimento, o mundo fica mais pobre". Esta frase que me anda aqui no ouvido a incomodar faz tempo, e que já não de lá sai, nem com cotonete embebida em bagaço forte, tem-me feito reflectir sobre o valor da pessoa que partiu e o que fez com brilhantismo em vida, e do daquele que profere tal frase feita saída da boca, que de outro berço ou alma seria difícil, quando interrogado por um meio de propaganda social, à entrada ou à saída do luto florido que o cangalheiro encenou com pompa. E a frase tem razão de ser, certamente. Se o gentio que feneceu era poderoso e tinha influência, conseguindo por sua actuação mexer os cordelinhos na área que dominava e com isso se enchia de importância, mais o parceiro oportuno, que disso tirava proveito, este "mamão" não tem mais do que tecer loas ao falecido e gabar-lhe a obra deixada ou mal explicada, e todos os dotes que com ele se foram, e que a partir de agora deixaram de contar para a soma do já arrecadado. Pelo contrário, se aquele que morre, não tinha aonde cair morto, anónimo como enquanto espermatozóide, sobre ele não se ouvirá uma frase feita ou por fazer, excepto, o adivinharmos que alguém largue uma lágrima por ele na hora do adeus e por dentro do escuro da tristeza. E mesmo isto não é certo. Sendo assim, não custa aceitar que a morte de alguns tornam o mundo mais pobre, e com a morte de outros, a maioria, o mundo fica mais rico. Eu esclareço. Se por exemplo morre um vigarista, que fez fortuna à custa de golpes e trapaças, mas com essa prática encheu ainda os bolsos do núcleo de amigos, estes lamentam a sua morte pois o seu apagamento é ao mesmo tempo a morte da riqueza que ele gerava e dele sobrava, e fazia a alegria e as delícias dos comparsas. Mas se morre um pobre, não há nada para esperar, e muito menos a herdar, por isso a lamentar. Como é pobre e banal, tal “como uma frase batida”, que riqueza perde o mundo com o seu fenecimento? Se assim é, conclui-se que o mundo ficará sempre menos pobre se só morrerem os indigentes, sem vintém, e sem qualquer interferência nos "tachos" que há para arrebanhar e distribuir pelos amigos, e que só estão sob tutela e à guarda da legião a que pertencia o vilão muito considerado e agora velado. No exemplo que perseguimos, podemos também concluir, que, embora os ricos e personalidades tais como banqueiros criminosos, dirigentes de organismos desportivos criminosos, políticos de vários graus com cargos de chefia que cometem fraudes, administrativos corruptos ao serviço da causa pública, em mar, no ar e em terra, etc. quando morrem, têm sempre algum personagem ou até um bando deles a vir a terreiro, discursar, bater palmas, ainda o cadáver não arrefeceu, a tecer-lhe os maiores encómios, loas, elogios, enaltecimentos, proezas, heroicidades que em nenhum cartapácio cívico está descrito, mas que eles sabem ser fundamental entoar para limpar alguma suspeita e lixo que se tenha pegado ao defunto de renome sem saída limpa. Quer isto dizer que sempre que se prende ou morre um destes figurões, surge ou é imediatamente eleito outro, que lhe segue o percurso e o imita na acção. Aqui está a solução abreviada, para que o mundo nunca fique mais pobre. Pelo contrário, temos a garantia que com estes substitutos e oradores com dotes demonstrados em congressos, reuniões de negócios à porta fechada, assembleias aonde se elegem piratas, ou se confirmam lideranças, o mundo ficará sempre mais rico. Pobres para que vos quero, se em vós só vejo braços para me servirem, agitando bandeiras e enquanto colam cartazes?
*publicado no DNotícias em 04/04/2016