O Natal está aí à porta, mas não à porta de todos os
portugueses. O Velho, trajado de cor circense, que se mete ao caminho idílico
num trenó escorregadio, parecido com o Karl Marx, dono do “Capital” mal
investido, não sabe da “existência” do
TGV que “liga Lisboa a Madrid”,
aproveitá-lo, e com isso ajudar a promovê-lo. Idealizado a alta velocidade, e
posto a rolar no tempo das promessas que os carris políticos põem a acelerar na
época eleitoral, para levar à boleia o povo eleito, primeiro, e a pagar, bem,
logo na 2ª estação os passageiros iludidos com tanto progresso retido no papel
e na cera dos gabinetes, não trará com ele
coisa que valha a pena a deslocação e a despesa com o desgaste no transporte e
nas renas, e o cansaço a que se submeterá. Arrisca até, chegado cá, gripado, a
recorrer ao Serviço Nacional de Saúde e a ter consulta só lá para o próximo
advento, como acontece comigo que estou há um ano à espera de consulta para
determinação de cirurgia a uma hérnia inguinal, e até hoje, toma lá nada. E
nada, é o que esperam do Pai Natal todos os necessitados que em Portugal dormem
debaixo do tecto com um frio de rachar, igual ao que sentiriam se na rua
gemessem embrulhados no papelão, como os marginalizados, abandonados,
desprezados, silenciados e sempre presos à côdea na noite estrelada, embora
umas senhoras e meninas à mistura com disponível caridade, os acorde de vez em
quando com uma sopa fumegante de “desamor”, e é se a recolha à porta do capital do supermercado tiver sido um
sucesso – o que tem sido, haja Deus e sacos para encher. Dentro de dias se
saberá, se nós portugueses desafortunados ou abonados, tristes e alegres, bem
ou mal acomodados, que faz de cada dedo da mão enrugada um cano apontado à
cabeça, se o Natal está à porta de cada um, ou se ficamos à porta do Natal,
como é tradição, com as mãos trementes e vazias, o coração encharcado nas
lágrimas, a estremecer de raiva ou conformismo, ainda com vontade de rebentar
com as luzes que nos cegam, e que fazem de alguns de nós adereços pendurados
numa árvore a que chamam, pinheirinho,
muito lúdico e ornamental, e outros vão ser dispostos com ternura infantil num
presépio de entretenimento para o pagode que discursa e que arrota de felicidade
por tanta fartura melada. É que o Natal, já não vai de porta em porta como
quando eu era do tamanho do Menino Jesus. Eu hoje exijo ser mais que simples
adorno, e não mais pessoa sempre
adiada!
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