E agora? Será que temos que confiar na decisão do centrista rolante
Paulo Portas, que pulou fora do CDS/PP, que sabendo-se da firmeza sua e
da voz grossa com que entoa qualquer comunicado, embrulhado de agressividade,
na mistura aonde se mete sempre, ganha desta vez seriedade? Jamais será uma
decisão irrevogável, e que não mais imitará o movimento do caranguejo, neste
acto de abandono e de fuga, provocado pelo apagamento em que a derrota de 4 de
outubro de 2015, o fez cair? Será que o líder da direita com representatividade
indecifrável em eleições nacionais, constitui mais uma vitória de António
Costa, ou que ele sentiu o seu esvaziamento e até apagamento dentro do
parlamento, uma vez regressado à condição de terceiro plano enquanto deputado
de uma bancada parlamentar, sem visibilidade, já que o seu antigo parceiro
político, Passos Coelho, disso tratou ou viria a tratar, e Portas, conhecendo-o
nós, não interiorizaria tal representação ou papel de figurante na Assembleia
que lhe haveria sempre de parecer uma casa de comédia e de exílio, e ele feito
boneco na prateleira até ao fim da legislatura do actual Executivo? A desculpa
de 16 anos de reinado é suficiente para explicar ao mundo cristão-democrata
que são suficientes, fatigantes, e que justificam a fuga anunciada, quando
julgamos nós que o seu real fracasso/frustração, de acordo com a sua ambição, é
nunca ter atingido o patamar maior como 1º ministro e ter a certeza que nunca
tal acontecerá? E que trunfos tem na manga, para no day after que ele
ele sempre esconde, vai pôr a andar por aí? Ou saberá ele que vai ter à perna
uma Justiça que quererá por certo ver esclarecidas algumas suas intervenções na
governança das pastas que arrastou consigo, enquanto ministro das fotocópias
sobre negócios? Nós povo, teremos ou não razões para levantar tais
interrogações, sobre este homem pouco fiável, mas um artista na contorção do
verbo, quer enquanto jornalista maldizente, quer como político na
chico-espertice e do oportunismo na hora certa, e com o parceiro vencedor mais
à mão? Questões que só o tempo virá a responder, e nos dará razão, ou fará de
nós um comentador pior do que ele foi, quando vendia banha-da-cobra por tudo
quanto é sítio, jornal, ou feira de bonés.
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
A pena sem rosto
Uma expressão muito usada, que de certo modo propõem por
água na fervura, e dar uma certa acalmia, numa qualquer questão maior ou menor,
é- “ a mim já nada me surpreende”. No
entanto no JN, há por lá uma mão escondida, que não sendo a de Deus, mete golo maradonesco quando puxa da pena e
ajeita no Espaço do Leitor, as “cartas/opinião” que lhe são enviadas com a
intenção de terem aprovação e publicação no jornal de âmbito abrangente de
norte a sul do país. Sem as desfazer nem roubar-lhes a alma toda, que o autor bem intencionado lhe quis dar, fazê-la
correr e a saber ao próximo, a tal pena
sem rosto intromete-se, e obedecendo ao critério da síntese e da
estética(!), provavelmente, elimina ou encurta aquilo que extravasa a
originalidade primeira, e formata-as e molda-as ao seu gosto, aligeirando-as.
Não se poderá falar de tesoura, ou de lápis azul, o que essa pena sem rosto anda a fazer por dentro
da redacção e naquele Espaço de Opinião popular. Mais cedo, ou mais tarde para “desespero
nosso”, elas lá vão sendo estampadas no jornal, e nós embevecidos como crianças
que acabam de receber uma prenda em dia especial, sentimos, e reflectimos se a
operação a que o “texto” enviado foi sujeito, perdeu ou ganhou nesse jogo que
terá que obedecer ao regulamento que desobriga a qualquer explicação por parte
de quem manda no jornal. E se umas vezes tal intervenção é por nós aplaudida,
outra há em que sentimos invasão de propriedade e violação. Porém, e para grande alegria minha, sempre concluímos
que afinal ainda há coisas que nos
surpreendem, pois de forma geral nunca a nossa opinião foi severamente
desvirtuada, e quantas vezes ela até ganhou melhor cara e mereceu longínquos e
anónimos elogios, que devem ser partilhados entre nós e a estranha “pena sem rosto”, que se oferece sem aviso prévio, para lhes dar
um corpinho mais encaixável no Espaço que lhe está reservado. E isto não é um piropo ao JN, já que a partir da
legislação que entrou em vigor, estou proibido de o fazer!
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
A FIFA fofa
Não consta, e o próprio afirma, de que Blatter seja
“profeta” e ao que sabemos também Michel Platini não é mágico. Mas que ambos
são alquimistas, disso, ninguém terá dúvidas. Agora que os Comités de Ética(!) da
FIFA e da UEFA, que funcionavam como laboratórios de transformação de Futebol
em Euros aos milhões, que entravam nos bolsos de cada um deles mais rápido que
um golo numa final internacional ganha em sorteio por concorrente suspeito,
estão suspensos, faltará provar como é que a alquimia funcionou durante tantos
anos e com que essências colaboracionistas entraram na fórmula. Para já o que
se sabe é que os milhões de euros que faziam as delícias e até punham Blatter a
fazer uns passos de dança ao imitar os nós de pernas de CR7, e Platini a pegar
numa enxada a mostrar-nos como se faz um buraco aonde enterrar a honestidade e
o comportamento ao nível de uma gestão responsável, e com um sorriso CEO à
Zeinal Bava, estão prestes a ter que correr por fora até chegarem a tribunal e
aí provarem a sua inocência e a não cumplicidade que os unia. Enquanto viveram
por dentro de tais Organismos que fazem mover fluxos financeiros de meter medo
à Rússia, e enquanto não foram reveladas as actividades sujas alegadamente praticadas
por ambos e demais colaboradores de 2ª divisão na hierarquia, tudo os tornava
em figuras respeitáveis até por governos de nações permissivas a aceitar golpadas.
As avultadas quantias que ambos os intervenientes “abicharam” nas suas
intervenções concertadas, eram de tal modo significativas, que somadas as
verbas de que dispõem clubes de futebol de segundo e terceiro plano em Portugal,
e até noutros países em pior estádio, não passam de trocos e é com esses
cêntimos que terão de gerir o seu futebol e as suas estruturas. Quer isto e
mais aquilo, dizer, que vivemos tempos em que anda meio mundo a sacar e a
saquear o mais que pode por entre práticas e regulamentos que não obedecem a
qualquer ética, enquanto a bola vai ao centro e de baliza a baliza, e de instituição
em instituição que mexa com “altos cargos e muito pilim”. Quer também
mostrar-nos como todos nós espectadores, estamos sempre fora de jogo, e nunca
vemos o crime a ser validado pela inércia de quem tem o poder, disto tudo
arbitrar, e supervisionar. Que nunca nos falte a bandeira e o cachecol, pelo
menos!
domingo, 13 de dezembro de 2015
O Natal difícil
Em cada ano um outro Natal. Uns chamam-lhe novo, outros,
evento religioso(!), que se repete. As ruas tentam dar-nos música celestial até
que os anjos acordem e nos incitem ao caminho do consumo. As montras das lojas
animam-se de brilho e de invenções, exibindo luzes e vestindo-se de cores
renovadas, que já antes por lá passaram. O povo hesita mas lá acaba por sair à
rua. Conta os trocos antes de bater com a porta, olha à sua volta e conta
também quantos são os que esperam qualquer coisa que dê significado à festa. E
lá seguem todos numa romaria da preocupação, que no regresso já sabem que vai
seguir-se a da amargura por afinal os gastos terem ultrapassado o previsto e o
orçamento, que já vinha derrapando faz tempo. Mas o natal tem este condão. O de
fazer com que pobres e ricos, se misturem, quase se irmanem. Uns mais à larga
nas despesas puxando de notas gordas, outros com mais furos no cinto desafinado
para fazer logo que o último bocado de bolo-rei tenha passado garganta abaixo,
e que, mais magros de carteira vão continuar, no fim. Uns mais animados
festejam ladeados de Dom Pérignon, outros de um qualquer espumante de tostão
comprado na mercearia do bairro, para não ficar atrás. De imitações também vive
o homem. As autarquias esmeram-se para o tornar eufórico e bastante comercial.
A música persistente e a iluminação intermitente, municipal, que vai desde a
rotunda até ao zimbório da capela, vão adormecendo e anestesiando a razão sem
se dar por isso. O comerciante já não vem tanto à porta a ver quem passa. Tem
artigo à venda que ainda irá sobrar para fazer felizes outros natais que hão de
vir. O povo passa numa correria com os sacos a abanar, e ainda tem muito para
espreitar. Pelo caminho vai fazendo uma revisão da lista mental, sobre quem
falta e quem este ano não leva nada. Contenção e austeridade é preciso, e ele
já foi bombardeado vezes sem conta com este discurso. Tem o saco cheio
destes avisos, já que de cofres em bom
estado, não é com ele. A noite acender se à com a alegria de muitos putos bem
tratados, e a fé que o terço das contas
põe nas mãos das famílias humildes, acompanhará a esperança de que dias
melhores virão para que estas possam mais tarde, também fazerem felizes as suas
crianças que se contentam com pouco ou contrariadas. O Natal tem destas
Orações. Difíceis de soletrar!
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Presidenciais vs Sondagens
-Presidenciais vs sondagens
(- declaração)
Considerando os badalados resultados divulgados das sondagens sobre quem se posiciona com mais fortes possibilidades de ganhar as Eleições para ocupar o posto do mais elevado representante do país, ou à 1.ª ou na 2.ª volta, e os apoios ou cobertura já claramente desnudada dos órgãos que os publicam, eu eleitor identificado e não devedor de qualquer favor a nenhum candidato revelado na corrida para ocupar tal soberba cadeira, declaro por minha honra de que não votarei em nenhum Marcelo Beppe Rebelo Grillo de Sousa, mas num qualquer Sampaio Maria da "Névoa" de Belém. Tenho dito!
(publicado no PÚBLICO em 12/12/2015)
(- declaração)
Considerando os badalados resultados divulgados das sondagens sobre quem se posiciona com mais fortes possibilidades de ganhar as Eleições para ocupar o posto do mais elevado representante do país, ou à 1.ª ou na 2.ª volta, e os apoios ou cobertura já claramente desnudada dos órgãos que os publicam, eu eleitor identificado e não devedor de qualquer favor a nenhum candidato revelado na corrida para ocupar tal soberba cadeira, declaro por minha honra de que não votarei em nenhum Marcelo Beppe Rebelo Grillo de Sousa, mas num qualquer Sampaio Maria da "Névoa" de Belém. Tenho dito!
(publicado no PÚBLICO em 12/12/2015)
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Já não há Natal
O Natal está aí à porta, mas não à porta de todos os
portugueses. O Velho, trajado de cor circense, que se mete ao caminho idílico
num trenó escorregadio, parecido com o Karl Marx, dono do “Capital” mal
investido, não sabe da “existência” do
TGV que “liga Lisboa a Madrid”,
aproveitá-lo, e com isso ajudar a promovê-lo. Idealizado a alta velocidade, e
posto a rolar no tempo das promessas que os carris políticos põem a acelerar na
época eleitoral, para levar à boleia o povo eleito, primeiro, e a pagar, bem,
logo na 2ª estação os passageiros iludidos com tanto progresso retido no papel
e na cera dos gabinetes, não trará com ele
coisa que valha a pena a deslocação e a despesa com o desgaste no transporte e
nas renas, e o cansaço a que se submeterá. Arrisca até, chegado cá, gripado, a
recorrer ao Serviço Nacional de Saúde e a ter consulta só lá para o próximo
advento, como acontece comigo que estou há um ano à espera de consulta para
determinação de cirurgia a uma hérnia inguinal, e até hoje, toma lá nada. E
nada, é o que esperam do Pai Natal todos os necessitados que em Portugal dormem
debaixo do tecto com um frio de rachar, igual ao que sentiriam se na rua
gemessem embrulhados no papelão, como os marginalizados, abandonados,
desprezados, silenciados e sempre presos à côdea na noite estrelada, embora
umas senhoras e meninas à mistura com disponível caridade, os acorde de vez em
quando com uma sopa fumegante de “desamor”, e é se a recolha à porta do capital do supermercado tiver sido um
sucesso – o que tem sido, haja Deus e sacos para encher. Dentro de dias se
saberá, se nós portugueses desafortunados ou abonados, tristes e alegres, bem
ou mal acomodados, que faz de cada dedo da mão enrugada um cano apontado à
cabeça, se o Natal está à porta de cada um, ou se ficamos à porta do Natal,
como é tradição, com as mãos trementes e vazias, o coração encharcado nas
lágrimas, a estremecer de raiva ou conformismo, ainda com vontade de rebentar
com as luzes que nos cegam, e que fazem de alguns de nós adereços pendurados
numa árvore a que chamam, pinheirinho,
muito lúdico e ornamental, e outros vão ser dispostos com ternura infantil num
presépio de entretenimento para o pagode que discursa e que arrota de felicidade
por tanta fartura melada. É que o Natal, já não vai de porta em porta como
quando eu era do tamanho do Menino Jesus. Eu hoje exijo ser mais que simples
adorno, e não mais pessoa sempre
adiada!
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