terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Paulo pulou

E agora? Será que temos que confiar na decisão do centrista rolante Paulo Portas, que pulou fora do CDS/PP, que sabendo-se da firmeza sua e da voz grossa com que entoa qualquer comunicado, embrulhado de agressividade, na mistura aonde se mete sempre, ganha desta vez seriedade? Jamais será uma decisão irrevogável, e que não mais imitará o movimento do caranguejo, neste acto de abandono e de fuga, provocado pelo apagamento em que a derrota de 4 de outubro de 2015, o fez cair? Será que o líder da direita com representatividade indecifrável em eleições nacionais, constitui mais uma vitória de António Costa, ou que ele sentiu o seu esvaziamento e até apagamento dentro do parlamento, uma vez regressado à condição de terceiro plano enquanto deputado de uma bancada parlamentar, sem visibilidade, já que o seu antigo parceiro político, Passos Coelho, disso tratou ou viria a tratar, e Portas, conhecendo-o nós, não interiorizaria tal representação ou papel de figurante na Assembleia que lhe haveria sempre de parecer uma casa de comédia e de exílio, e ele feito boneco na prateleira até ao fim da legislatura do actual Executivo? A desculpa de 16 anos de reinado é suficiente para explicar ao mundo cristão-democrata que são suficientes, fatigantes, e que justificam a fuga anunciada, quando julgamos nós que o seu real fracasso/frustração, de acordo com a sua ambição, é nunca ter atingido o patamar maior como 1º ministro e ter a certeza que nunca tal acontecerá? E que trunfos tem na manga, para no day after que ele ele sempre esconde, vai pôr a andar por aí? Ou saberá ele que vai ter à perna uma Justiça que quererá por certo ver esclarecidas algumas suas intervenções na governança das pastas que arrastou consigo, enquanto ministro das fotocópias sobre negócios? Nós povo, teremos ou não razões para levantar tais interrogações, sobre este homem pouco fiável, mas um artista na contorção do verbo, quer enquanto jornalista maldizente, quer como político na chico-espertice e do oportunismo na hora certa, e com o parceiro vencedor mais à mão? Questões que só o tempo virá a responder, e nos dará razão, ou fará de nós um comentador pior do que ele foi, quando vendia banha-da-cobra por tudo quanto é sítio, jornal, ou feira de bonés.

                                                                       

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A pena sem rosto

Uma expressão muito usada, que de certo modo propõem por água na fervura, e dar uma certa acalmia, numa qualquer questão maior ou menor, é- “ a mim já nada me surpreende”. No entanto no JN, há por lá uma mão escondida, que não sendo a de Deus, mete golo maradonesco quando puxa da pena e ajeita no Espaço do Leitor, as “cartas/opinião” que lhe são enviadas com a intenção de terem aprovação e publicação no jornal de âmbito abrangente de norte a sul do país. Sem as desfazer nem roubar-lhes a alma toda, que o autor bem intencionado lhe quis dar, fazê-la correr e a saber ao próximo, a tal pena sem rosto intromete-se, e obedecendo ao critério da síntese e da estética(!), provavelmente, elimina ou encurta aquilo que extravasa a originalidade primeira, e formata-as e molda-as ao seu gosto, aligeirando-as. Não se poderá falar de tesoura, ou de lápis azul, o que essa pena sem rosto anda a fazer por dentro da redacção e naquele Espaço de Opinião popular. Mais cedo, ou mais tarde para “desespero nosso”, elas lá vão sendo estampadas no jornal, e nós embevecidos como crianças que acabam de receber uma prenda em dia especial, sentimos, e reflectimos se a operação a que o “texto” enviado foi sujeito, perdeu ou ganhou nesse jogo que terá que obedecer ao regulamento que desobriga a qualquer explicação por parte de quem manda no jornal. E se umas vezes tal intervenção é por nós aplaudida, outra há em que sentimos invasão de propriedade e violação. Porém, e para grande alegria minha, sempre concluímos que afinal ainda há coisas que nos surpreendem, pois de forma geral nunca a nossa opinião foi severamente desvirtuada, e quantas vezes ela até ganhou melhor cara e mereceu longínquos e anónimos elogios, que devem ser partilhados entre nós e a estranha “pena sem rosto”, que se oferece sem aviso prévio, para lhes dar um corpinho mais encaixável no Espaço que lhe está reservado. E isto não é um piropo ao JN, já que a partir da legislação que entrou em vigor, estou proibido de o fazer!


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A FIFA fofa

Não consta, e o próprio afirma, de que Blatter seja “profeta” e ao que sabemos também Michel Platini não é mágico. Mas que ambos são alquimistas, disso, ninguém terá dúvidas. Agora que os Comités de Ética(!) da FIFA e da UEFA, que funcionavam como laboratórios de transformação de Futebol em Euros aos milhões, que entravam nos bolsos de cada um deles mais rápido que um golo numa final internacional ganha em sorteio por concorrente suspeito, estão suspensos, faltará provar como é que a alquimia funcionou durante tantos anos e com que essências colaboracionistas entraram na fórmula. Para já o que se sabe é que os milhões de euros que faziam as delícias e até punham Blatter a fazer uns passos de dança ao imitar os nós de pernas de CR7, e Platini a pegar numa enxada a mostrar-nos como se faz um buraco aonde enterrar a honestidade e o comportamento ao nível de uma gestão responsável, e com um sorriso CEO à Zeinal Bava, estão prestes a ter que correr por fora até chegarem a tribunal e aí provarem a sua inocência e a não cumplicidade que os unia. Enquanto viveram por dentro de tais Organismos que fazem mover fluxos financeiros de meter medo à Rússia, e enquanto não foram reveladas as actividades sujas alegadamente praticadas por ambos e demais colaboradores de 2ª divisão na hierarquia, tudo os tornava em figuras respeitáveis até por governos de nações permissivas a aceitar golpadas. As avultadas quantias que ambos os intervenientes “abicharam” nas suas intervenções concertadas, eram de tal modo significativas, que somadas as verbas de que dispõem clubes de futebol de segundo e terceiro plano em Portugal, e até noutros países em pior estádio, não passam de trocos e é com esses cêntimos que terão de gerir o seu futebol e as suas estruturas. Quer isto e mais aquilo, dizer, que vivemos tempos em que anda meio mundo a sacar e a saquear o mais que pode por entre práticas e regulamentos que não obedecem a qualquer ética, enquanto a bola vai ao centro e de baliza a baliza, e de instituição em instituição que mexa com “altos cargos e muito pilim”. Quer também mostrar-nos como todos nós espectadores, estamos sempre fora de jogo, e nunca vemos o crime a ser validado pela inércia de quem tem o poder, disto tudo arbitrar, e supervisionar. Que nunca nos falte a bandeira e o cachecol, pelo menos!

domingo, 13 de dezembro de 2015

O Natal difícil

Em cada ano um outro Natal. Uns chamam-lhe novo, outros, evento religioso(!), que se repete. As ruas tentam dar-nos música celestial até que os anjos acordem e nos incitem ao caminho do consumo. As montras das lojas animam-se de brilho e de invenções, exibindo luzes e vestindo-se de cores renovadas, que já antes por lá passaram. O povo hesita mas lá acaba por sair à rua. Conta os trocos antes de bater com a porta, olha à sua volta e conta também quantos são os que esperam qualquer coisa que dê significado à festa. E lá seguem todos numa romaria da preocupação, que no regresso já sabem que vai seguir-se a da amargura por afinal os gastos terem ultrapassado o previsto e o orçamento, que já vinha derrapando faz tempo. Mas o natal tem este condão. O de fazer com que pobres e ricos, se misturem, quase se irmanem. Uns mais à larga nas despesas puxando de notas gordas, outros com mais furos no cinto desafinado para fazer logo que o último bocado de bolo-rei tenha passado garganta abaixo, e que, mais magros de carteira vão continuar, no fim. Uns mais animados festejam ladeados de Dom Pérignon, outros de um qualquer espumante de tostão comprado na mercearia do bairro, para não ficar atrás. De imitações também vive o homem. As autarquias esmeram-se para o tornar eufórico e bastante comercial. A música persistente e a iluminação intermitente, municipal, que vai desde a rotunda até ao zimbório da capela, vão adormecendo e anestesiando a razão sem se dar por isso. O comerciante já não vem tanto à porta a ver quem passa. Tem artigo à venda que ainda irá sobrar para fazer felizes outros natais que hão de vir. O povo passa numa correria com os sacos a abanar, e ainda tem muito para espreitar. Pelo caminho vai fazendo uma revisão da lista mental, sobre quem falta e quem este ano não leva nada. Contenção e austeridade é preciso, e ele já foi bombardeado vezes sem conta com este discurso. Tem o saco cheio destes  avisos, já que de cofres em bom estado, não é com ele. A noite acender se à com a alegria de muitos putos bem tratados, e a fé que o terço das contas põe nas mãos das famílias humildes, acompanhará a esperança de que dias melhores virão para que estas possam mais tarde, também fazerem felizes as suas crianças que se contentam com pouco ou contrariadas. O Natal tem destas Orações. Difíceis de soletrar!




sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Presidenciais vs Sondagens

-Presidenciais vs sondagens
(- declaração)
Considerando os badalados resultados divulgados das sondagens sobre quem se posiciona com mais fortes possibilidades de ganhar as Eleições para ocupar o posto do mais elevado representante do país, ou à 1.ª ou na 2.ª volta, e os apoios ou cobertura já claramente desnudada dos órgãos que os publicam, eu eleitor identificado e não devedor de qualquer favor a nenhum candidato revelado na corrida para ocupar tal soberba cadeira, declaro por minha honra de que não votarei em nenhum Marcelo Beppe Rebelo Grillo de Sousa, mas num qualquer Sampaio Maria da "Névoa" de Belém. Tenho dito!
(publicado no PÚBLICO em 12/12/2015)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Já não há Natal

O Natal está aí à porta, mas não à porta de todos os portugueses. O Velho, trajado de cor circense, que se mete ao caminho idílico num trenó escorregadio, parecido com o Karl Marx, dono do “Capital” mal investido, não sabe da “existência” do TGV que “liga Lisboa a Madrid”, aproveitá-lo, e com isso ajudar a promovê-lo. Idealizado a alta velocidade, e posto a rolar no tempo das promessas que os carris políticos põem a acelerar na época eleitoral, para levar à boleia o povo eleito, primeiro, e a pagar, bem, logo na 2ª estação os passageiros iludidos com tanto progresso retido no papel e na cera dos gabinetes, não trará com ele coisa que valha a pena a deslocação e a despesa com o desgaste no transporte e nas renas, e o cansaço a que se submeterá. Arrisca até, chegado cá, gripado, a recorrer ao Serviço Nacional de Saúde e a ter consulta só lá para o próximo advento, como acontece comigo que estou há um ano à espera de consulta para determinação de cirurgia a uma hérnia inguinal, e até hoje, toma lá nada. E nada, é o que esperam do Pai Natal todos os necessitados que em Portugal dormem debaixo do tecto com um frio de rachar, igual ao que sentiriam se na rua gemessem embrulhados no papelão, como os marginalizados, abandonados, desprezados, silenciados e sempre presos à côdea na noite estrelada, embora umas senhoras e meninas à mistura com disponível caridade, os acorde de vez em quando com uma sopa fumegante de “desamor”, e é se a recolha à porta do capital do supermercado tiver sido um sucesso – o que tem sido, haja Deus e sacos para encher. Dentro de dias se saberá, se nós portugueses desafortunados ou abonados, tristes e alegres, bem ou mal acomodados, que faz de cada dedo da mão enrugada um cano apontado à cabeça, se o Natal está à porta de cada um, ou se ficamos à porta do Natal, como é tradição, com as mãos trementes e vazias, o coração encharcado nas lágrimas, a estremecer de raiva ou conformismo, ainda com vontade de rebentar com as luzes que nos cegam, e que fazem de alguns de nós adereços pendurados numa árvore a que chamam, pinheirinho, muito lúdico e ornamental, e outros vão ser dispostos com ternura infantil num presépio de entretenimento para o pagode que discursa e que arrota de felicidade por tanta fartura melada. É que o Natal, já não vai de porta em porta como quando eu era do tamanho do Menino Jesus. Eu hoje exijo ser mais que simples adorno, e não mais pessoa sempre adiada!