Fica bem chegados ao Natal, escrever meia dúzia, ou por aí, de palavras
sobre este velho e sempre renovado acontecimento, que sabe sempre a repetição
adorada para uns, e cheia de angústia para outros. Mas o mundo já não é
perfeito desde que nasceu, e mesmo com o nascimento do Menino, também não
melhorou nada que se visse ou se sinta. Pelo contrário. O número de desgraças
aumentou, ganhando apenas discursos de circunstância, manifestações hipócritas,
votos de futuro melhor, desejos de eliminar descriminações, desigualdades,
injustiças, etc. Passado esta Quadra, os crimes sobre os famintos de pão e de
trabalho, de habitação e de Educação, de calor humano e de conforto familiar,
regressam com a violência que sabemos, e que nos há de acompanhar até ao
festejos seguintes, já consagrados até em postais brilhantes, dourados e
musicais e com muitos foguetes a iluminar o Céu. As ruas já se entopem de sacos
bonitos, cheios de imagens condizentes, fitas a esvoaçar, euros a voar,
carteiras a esvaziar, calotes a aumentar, e gente a sorrir sem certeza nenhuma
de que amanhã será melhor e com o sol a brilhar para todos. A mão do Homem
mesmo quando estendida ao seu semelhante nesta data, nem sempre é para dar com
generosidade séria mas para tirar dividendos se puder e para não ficar mal na
fotografia das boas intenções, que o Senhor registará no seu álbum dos que
procuram a salvação no Reino e fugir do pecado infernal. Desse modo, aí está
ele a tentar convencer o próximo de amizade com um gesto de caridade falsa, e a
meter a factura da despesa nas deduções fiscais. A família já nem é pretexto
para convívio e para motivo de reunião entre quem há muito não se vê. As agências
de viagens estão de portas abertas a marcar destinos, a neve é mais linda e
fofinha, a lareira do hotel dá outro aconchego e romance, e o Natal virou assim
um acontecimento turístico, e fuga do aborrecimento que tal Noite simbólica
origina e representa. Outros, os violentados, estuprados, os descalços, os sem
abrigo, os "desinseridos" na Sociedade, continuarão a ajeitar-se na
sua dor, no seu papelão estendido sob o neon das montras, ou debaixo dos
viadutos ou das pontes da miséria e do frio, de vela acesa mas nada acolhedora.
Nesta data, as Instituições que distribuem a sopa quente, também surgem
acompanhadas de câmaras deTV para darem nota da sua caridadezinha e quando
recolherem a casa todos irão adormecer melhor, com as consciências de terem
prestado um bom serviço ao homem e à nação sobretudo. De Roma ouvir-se-ão os
anjos certificados para enviar a mensagem urbi et orbi de Feliz Natal e
Próspero Ano Novo a todos sem excepções. A Solidariedade nesta época e em todos
os natais não tem fronteiras nem inimigos, nem prisões. Só é pena alguns darem
em políticos e em governantes sem valor e sem louvor. De resto, somos todos uns
santos.
sábado, 13 de dezembro de 2014
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
"Filosofando"
Corre por aí de norte a sul, certamente para manter a forma ou para a
língua não enferrujar, uma afiada e "sustentada" conversa, sobre o
que se passa com e à volta de um ex-1º ministro. Estamos em crer que é esse o
tema a que uma jovem deputada do hemiciclo de S.Bento, chamou de "balanço
semântico", embora noutro interrogatório e a outra personagem numa Comissão
de Perguntas sem Respostas. Não há português que precise de momento de
consultar uma obra específica e profunda, que bem podia chamar-se -"Saiba
tudo sobre José Sócrates", ou "O que gostaria de saber e não
sabe sobre um ex-1ºministro posto atrás das grades". Todos à lareira,
no café, do campo à cidade, na net, estão mestres na matéria que condena o
homem que agora espera que os que o julgam consigam ou recolham provas para que
de facto todos fiquem finalmente convencidos das culpas de que está acusado e
feito réu. Não sabemos quanto irá custar ao erário público tais recolhas de
provas pela banca internacional, e de Portugal até à Suíça, com paragem e
estada pagas por onde rola o soberbo pilim, que os altos magistrados e polícias
têm que fazer. Daí o tal "balanço" bem dispendioso. Mas os portugueses
parecem andar interessados(!) nas boas e bem empregues contas do Estado ,
e aguardam resultados sobre as pesquisas, que hão de arrumar de vez com o preso
célebre, que adormece no calabouço alentejano, e ao som do "cante"
agora elevado à condição de Património Imaterial da Humanidade. No meio desta
trapalhada toda, já todos se esqueceram dos casos que vinham a fazer furor, e
já ninguém fala com o mesmo acérrimo, de uma velha senhora morta no mato do
Brasil que apanhou boleia de um português agora em apuros, do autarca de Oeiras
e dos autarcas em geral, do descalabro da governação na Madeira e do País, das
informações privilegiadas de accionistas de topo ligados a Oliveira e Costa e a
Dias Loureiro, do caso Portucale, da pedolilia evangélica, do sucateiro, dos
submarinos e dos pandur, dos "visa dourados e olhos em bico", dos
banqueiros ilustres e milionários conhecedores do aroma do caviar, nem sequer
do "palito" dos bosques que se alimentava de raízes e de frutos
silvestres, quando não encontrava o padeiro. Etc,etc. De repente, já nem o
preso nº 44 é expectante, mas sim o seu advogado. Ele sim virou a atenção de
todos nós, e por ele suspiramos quando ele chega ou sai do Estabelecimento
prisional de Évora. A forma como ele aborda as perguntas dos jornalistas e os
desabafos que faz, é que o tornam no personagem central do processo em curso. O
que é que ele vai dizer e como. Ele não é "marquês" mas príncipe do
Direito. Depois disto, só nos resta aguardar, que as investigações sobre o
engenheiro mais filósofo do país, que aguarda também fundamentadas acusações
com toda a bravura que o carecteriza, dê em alguma coisa credível e
irrefutável, ou se falhadas as investigações que justificam a medida mais
gravosa aplicada por um filho de um mensageiro e de uma operária fabril, a
alguém da élite política, constituído detido sem culpa provada, não vão
transformar o preso mais visitado e mediático de Portugal num caso que mereça
também ser apresentado e elevado à condição de Património da Cultura e de
Matéria de Estudo Nacional, pelos falsetes no "cante" Judicial na
Magistratura portuguesa.
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