Não se sabe se a turma
era constituída por 26 ou por 28 alunos, mas acreditamos que até estivessem
mais, pois que para ouvir tão rara personalidade, a lotação esgota sempre. E à
pergunta - "sabem como eu me chamo"?- os olhares voaram na sala,
entrecruzaram-se, olharam fundo a visita, mas verificando a mudez e a
ignorância dos alunos, o nosso Primeiro tratou de os esclarecer, antes que o
vazio se tornasse incómodo - "eu chamo-me Pedro. Há aqui algum
Pedro"? E como não houvesse nenhum, o nosso Primeiro para iluminar a
palestra, acrescentou - " é que os Pedros fazem muita falta na pauta, e
sabem porquê"? e lá tratou de explicar o absurdo uma vez mais, diante dos
olhares perdidos, daqueles rapazes e raparigas, de cenário e protocolo, que
decoravam a sala. À semelhança de uma outra aula dada, na condição também de
visita, na antiga escola onde o ministro fora docente, esta também não primou
pela qualidade. A pergunta certa devia ser - " sabem quem eu sou e o que
faço aqui"? - e só assim aferíamos da projecção e da importância da
personalidade presente, que tinha, além-mar. Mas não, o nosso Primeiro pensou,
desde que partiu de Lisboa, que era mais conhecido que o Eusébio, o Coluna, ou
até o Samora Machel. Devia ainda dizer que se encontrava ali para vender os
anéis e as participações que o Estado português ainda detinha na grande obra
que o antigo regime construíu, antes de se pôr a andar com uma mão à frente e
outra atrás, à semelhança do que estão a fazer grande parte dos portugueses em
portugal, em fila, junto das casas de compra de valores, jóias, e de ouro, de
modo a ter acesso ao crédito antes que a casa vá abaixo na totalidade. A aula
terminou, o nosso Primeiro retomou as negociações agendadas com as adultas
chefias locais, e não ficamos a saber, se os alunos reunidos naquela escola
onde a água de Cahora Bassa demora a chegar, entenderam ou beberam do discurso
alguma coisa, ou o porquê de na pauta os "pedros" serem os últimos,
segundo a explicação dada, quando nós o elegemos e o reconhecemos cá, como
"primeiro" de portugal. Vá-se lá saber o porquê de o termos
feito!
Joaquim A. Moura - Penafiel
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