segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Pedro de Maputo


Não se sabe se a turma era constituída por 26 ou por 28 alunos, mas acreditamos que até estivessem mais, pois que para ouvir tão rara personalidade, a lotação esgota sempre. E à pergunta - "sabem como eu me chamo"?- os olhares voaram na sala, entrecruzaram-se, olharam fundo a visita, mas verificando a mudez e a ignorância dos alunos, o nosso Primeiro tratou de os esclarecer, antes que o vazio se tornasse incómodo - "eu chamo-me Pedro. Há aqui algum Pedro"? E como não houvesse nenhum, o nosso Primeiro para iluminar a palestra, acrescentou - " é que os Pedros fazem muita falta na pauta, e sabem porquê"? e lá tratou de explicar o absurdo uma vez mais, diante dos olhares perdidos, daqueles rapazes e raparigas, de cenário e protocolo, que decoravam a sala. À semelhança de uma outra aula dada, na condição também de visita, na antiga escola onde o ministro fora docente, esta também não primou pela qualidade. A pergunta certa devia ser - " sabem quem eu sou e o que faço aqui"? - e só assim aferíamos da projecção e da importância da personalidade presente, que tinha, além-mar. Mas não, o nosso Primeiro pensou, desde que partiu de Lisboa, que era mais conhecido que o Eusébio, o Coluna, ou até o Samora Machel. Devia ainda dizer que se encontrava ali para vender os anéis e as participações que o Estado português ainda detinha na grande obra que o antigo regime construíu, antes de se pôr a andar com uma mão à frente e outra atrás, à semelhança do que estão a fazer grande parte dos portugueses em portugal, em fila, junto das casas de compra de valores, jóias, e de ouro, de modo a ter acesso ao crédito antes que a casa vá abaixo na totalidade. A aula terminou, o nosso Primeiro retomou as negociações agendadas com as adultas chefias locais, e não ficamos a saber, se os alunos reunidos naquela escola onde a água de Cahora Bassa demora a chegar, entenderam ou beberam do discurso alguma coisa, ou o porquê de na pauta os "pedros" serem os últimos, segundo a explicação dada, quando nós o elegemos e o reconhecemos cá, como "primeiro" de portugal. Vá-se lá saber o porquê de o termos feito! 

                                            Joaquim A. Moura - Penafiel

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