O ministro dos assuntos
das comunicações, para além das obrigações que tem no Governo e com o Parlamento, e nas questões consideradas
importantes a serem debatidas, divulgadas, esclarecidas, deve ser uma corrente
de transmissão da verdade, e disso merecer credibilidade e respeito. O caso do
jornal “Público”, e de uma sua trabalhadora com o ministro que é assunto agora,
e sobejamente conhecido, ajuda-nos a perceber alguma coisa, do carácter e da
personalidade do governante. Digo, alguma coisa, pois gente como ele pelos
vistos, tem sempre uma pedra na mão, escondida, e pronta a ser arremessada logo
que o desafiem com uma qualquer verdade que não lhe agrade, não se coibindo de
deitar outra mão ao que puder, chantagem que seja. Sabido o caso, que opõe uma
jornalista e o ministro, opinemos sobre a atitude do responsável pela pasta dos
assuntos parlamentares. Ao ameaçar divulgar, dados da vida privada da
jornalista, que antes de o ser, é mulher, e disso pensa tenta tirar proveito,
não revela ele ser pessoa reles, que por não ver satisfeitas as suas
pretensões, irremediavelmente lançou, estigmas, sobre alguém a quem pretende
amordaçar, ao mencionar hipotéticos detalhes dessa vida, na sua posse, e
confiante nesses dados? E em tratando-se de uma mulher, que desenvolve uma
actividade pública, não pretende o ministro fragilizá-la? Uma mente perversa
como a minha e tão depravada que nem DSK, põe-se a conjecturar – “que raio de
vida privada leva a mulher, nas horas íntimas, traidoras, ou de ociozidade que
lhe pertencem”? Será que deambula nas horas difíceis, pelo cais do sodré
abraçada a marinheiros, será que se perde pela Estefânia, Intendente, parque
EduardoVII, ou anda pelos centros comerciais ao engate? Que mais sabe, o ministro
do diálogo e da comunicação inter-órgãos, mas afinal mais depravado do que nós
todos? E que coisas perigosas saberá, de outras mulheres, da sua companheira
inclusive, que nós gostávamos de saber? O melhor é aguardarmos por uma resposta
séria(!) do ministro, ou do inquérito da ERC, enquanto não recebermos um
"clipping" da mãe dele, ou do seu fornecedor habitual, e pouco
secreto, com mais pormenores.
Joaquim moura
quinta-feira, 24 de maio de 2012
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Um presente de grego
O abandono por parte da
Grécia, da União Europeia, não tarda. As próximas eleições que dentro de pouco
tempo terão lugar, confirmarão tal cenário. E porque tal decisão sairá do voto
livre, poder-se-à dizer que saírão, voluntáriamente. Que mudanças se deram
desde o último escrutínio, que impossibilita a formação de governo forte e
seguro, para que o voto dos gregos se altere, e que foi de contestação e de
revolta contra o estado de coisas que arrastaram o povo para a pobreza? Que
melhores expectativas de vida foram apresentadas, e sentidas, para que a
escolha em quem votar próximamente, seja diferente daquela que foi tomada? Se
alguma coisa aconteceu foi o acentuar das dificuldades. Assim, tudo leva a crer
que os gregos confirmarão o seu voto, e por via disso manter-se-à a dificuldade
de governação. Mas falar da Grécia, é falar de uma grandeza cultural, que
pertence ao tempo dos mitos e até à actualidade. Com efeito, a Grécia de hoje
ainda é um mito, e uma república insustentável, mas com um estatuto de
superioridade sobre outras nações. A Grécia não é Portugal e os gregos não são
como os portugueses. A Grécia não cabe num exercício de comparação connosco. A
sua projecção, no Mundo das grandes e mágicas criações, é imensa, que tocou os
Deuses ontem, e os Homens hoje. Viveu antes da 3ª república, a ditadura dos
coronéis, com o apoio tradicional dos EE.UU. aos golpes dos militares, que
remetidos nos quartéis silenciosos mas atentos, causam alguma estranheza de
comportamento no consentimento da crise instalada e sem saída à vista. A Grécia
denunciará ou rasgará de alto a baixo, todos os acordos, tratados, memorandos,
compromissos, programas, critérios e demais estratégias estranguladoras, sairá
do “euro”, e este gesto pode originar uma intervenção das armas mais nervosas -
o factor fardado e preocupante. Aqui também não há comparação connosco. Cá não
há “capitão corelli nem zorba”, nem há “sintak nem zebébika, mas “vira e
corridinho”. Passamos anos e anos a falar de Amália, de Manuel de Oliveira e de
Eusébio, e nada mais aconteceu, enquanto que eles mostraram-nos em igual
período, Irene Papas, Melina Mercoury, Mikis Theodorakis, Mixalis Kakoyannis,
Costa Gavras, Théo Angelopoulos, Vassilis Vassilikos, Paul Mazursky, etc. O que
exemplifica bem, de que Portugal não é a Grécia. Não é não senhor – que mania!
Ela é a “Europa”. Porém com tudo isto, mais o que não é do meu tempo, o
problema da Grécia subsistirá, e não haverá rei costantino ou roque santeiro
que lhes valha tão cedo, que garanta a estabilidade exigida, e o povo grego irá
continuar com as hipotecas históricas e recentes, às costas, mas por menos tempos
do que nós, mesmo que não encontre uns “jeans” que sirvam a todos, porque o
mundo vai em seu auxílio e da sua cultura pesada e universal, mais rápidamente,
embora a liberdade sonhada e a democracia real, fiquem para as calendas.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Ventos de Paris
As eleições correram de
feição. Outros ventos passarão a soprar do lado de lá dos Pirinéus. Da Praça da
Bastilha chegaram os resultados da derrota de Sarkozy e da vitória prevista de
François Hollande. Com esta reviravolta nas presidenciais no país do
"galo", é legítimo pensar que a nossa sorte também mude, e por cá se
passe a anunciar as auroras com outro canto. Porém as notícias da Grécia não
são tão animadores e não o serão tão cedo, pois os helénicos vão permanecer no
saco de gatos em que andam enfiados, desde que Homero se foi, e a odisseia
montou bivaque, tal como a nossa, agravada e herdada do nosso Sócrates, que
rumou, não a tróia mas a paris, não em navio mas em vôo confortável e com
intenção filosófica. Será que com a chegada ao Poder do socialista, homónimo do
cantautor brasileiro, podemos "estar em festa pá"? Será que a troika
vai ser mandada regressar ao quartel, assim como as agências de notação? Será
que Merkel vai resignar-se a ficar no bunker ou no seu bundestag, sem poder
impor as regras que mais lhe convém, como lhe foi consentido fazer durante a
existência do composto "merkelozy"? Não! O que vamos assistir, é a
mais do mesmo. Hollande, no imediato, partirá para a Alemanha em busca de
"entendimento" com a fuhrer. De seguida e já de visita aos EE.UU,
prestará lealdade a Obama, onde depositará promessas de cumprimento dos acordos
estratégicos firmados. Então aonde encontramos nós por cá, a esperança, agora
renovada pela vitória do socialista, em França? Se os buracos das dívidas
públicas, soberanas, não aparecerem, se as retaliações dos mercados financeiros
não começarem a caír sobre Hollande e o seu programa, talvez possamos respirar
melhor em toda a europa depauperada, e com outro ânimo enfrentar a rude
actualidade de crise e de austeridade severa. Para isso, ele terá que se impor
como um grande líder europeu, capaz de criar uma corrente política de
confiança, arrojada, que nos arranque da ideologia dominante que nos governa hoje,
e que só nos tem empobrecido, o que se consegue com, trabalho, mais emprego,
ensino prestigiado, aumento de produção, para que as economias dos países
europeus saiam, elas e nós, da bancarrota que nos consome até ao tutano. Será
que ele é homem e presidente para tudo isto? Se assim for, será possível
resgatar as democracias, e salvá-las das ameaças externas e internas que sobre
elas pendem.
Joaquim A. Moura - Penafiel
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