O ministro Miguel Relvas,
a fim de tornar a "nação mais forte", comprometeu-se com uma gráfica,
e resolveu encomendar-lhe a produção de uma centena de
"cadernos-programa" do governo, o mesmo, que nos faz passar fome. Do
contrato estabelecido resultou, que os portugueses desembolsaram para pagar tão
luxuosa e privada edição, milhares de euros - o actual vil metal. Tais
exemplares brilhantes, que se destinam exclusivamente aos membros do distinto
governo cinzento, foram produzidos em papel requintado, ao preço (segurem-se)
de 120 euros cada, com ou sem IVA, e não há notícia até ao momento, se o ministro
pediu a factura, como agora é campanha nacional e incentivo fiscal, pedir, a
todos por qualquer serviço prestado ou recebido. Este governo, que tira a
gravata para poupar, que impõe austeridade severa ao povo apertado pelo
pescoço, que o empobrece, o despeja do trabalho e de casa, o encosta às tábuas,
o expulsa do ensino, etc. comporta-se pior que frei Tomás, o que faz dele um
mau evangelizador. "(Em)prega" e ilustra em alto-relevo, usando “papel
couché” para editar a cores, um programa, que faz a vida negra ao povo que o
paga e que não ganha sequer para o papel higiénico onde se “registam outra
manchas ou outras misérias”, que o obriga a andar sempre "couché" e
para acabar embrulhado em simples “papel mortalha”. A pergunta agora que se
impõem fazer ao ministro é, qual o seu verdadeiro “papel” neste compromisso?
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Encontrada morta
“Há já algum tempo que a
idosa Portugal, que vive neste bairro de desalojados do progresso europeu, não
é vista por aqui. Começamos a ficar preocupados. De acordo com a vizinhança,
não tem aparecido, nem sequer para levar as migalhas do costume. O telefone
vermelho toca mas ninguém atende. Há registo desde os últimos censos, que vivia
cada vez mais isolada, sem rendimento nem produção que lhe permitiria ganhar
para a sopa. Estava já referenciada pelas entidades internacionais da
especulação financeira, que lhe faziam chegar um e outro emprestimozito em <tranches>
paliativas, mas os juros eram de tal modo elevados que ela desistiu de
continuar nesse padrão de vida. Sabe como é. Já não é uma criança. Com
oitocentos anos, está velha, desfez-se do que tinha e não tinha, para pagar os
medicamentos acordados ou impostos. A caixa do correio tem estado vazia, e ao
que parece, os familiares do sul também estão na penúria. Dona espanha e dona
grécia, parentes velhos, também precisam de igual ajuda. Ainda há uns meses,
ela frequentava os mercados, mas de nada lhe valeu pelos vistos - força de
expressão - uma vez que não lhe temos posto olho em cima. Exigiam-lhe demais, e
as pernas já não davam para andar como dantes, à procura de novos mercados mais
em conta, que entretanto também fecharam ou faliram. Os pedregulhos eram
muitos, mesmo os que removeram da estrada do patronato na concertação
sócio-laboral, não resolveu nada. A sua senhoria, a dona merkelina, esteve aqui
há pouco, acompanhada da dona cristina lagardére, a ver se vendia mais
austeridade, e disse que ao ir embora haveria de passar por lá, bater-lhe à
porta e verificar se haverá sinal de actividade e vida suficiente, que lhe dê
garantia de que resgatará os empréstimos feitos através dos seus
troykontabilistas, não vá o diabo tecê-las, e dar com ela jazendo morta de
fome, de frio, de abandono e de isolamento, como se tem constatado de norte a
sul deste pomar murcho, outrora jardim viçoso, e desde que os discursos
oficiais debitam preocupação por este estado social, sem qualquer efeito. Dona
merkelina sabe que a demagogia abala e mata qualquer um, e a dona portugal não
é excepção. Ameaça tornar-se cadáver, se já não é, e desde que entrou no mercado
europeu que nunca evidenciou ter pedalada para coisas modernas. Desde que a
retiraram do campo e do mar, da lavoura e da faina, com as fábricas fechadas, e
lhe deixaram só o azeite, o vinho, e a cortiça, ela foi-se muito abaixo, e nem
às consultas da caixa, ía. Era mais uma taxa especulativa em cima. As receitas
aplicadas pelo dr. Bruxelas-FMI-BCE, Assoc. eram extensas, rigorosas, e de
difícil cumprimento ou satisfação. O melhor mesmo, é mandar quanto antes a gnr
ou os bombeiros, habituados a remover acidentados e escombros, lá a casa, e
arrombar o que resta, porque aqui já chega o cheirete de quem se passou e que
já não vai a lado nenhum. Sempre há-de haver um cangalheiro ou comissário
inscrito no memorando de entendimento, que faça o enterro por conta, e quem
vier que pague ou feche a porta, antes de se pôr a andar de novo daqui para
fora, como manda o conselho governamental, brasil ou angola é já ali, e quem
morrer por lá sempre morre longe”.
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