segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Um Natal às escuras

 Um Natal às escuras


As luzes já brilham por ruas e avenidas enquanto a calçada húmida reflecte os seus raios. Mas há um silêncio esmagado que se julga ser uma manifestação da paz em suspense, que a chuva arrefece. Homens e mulheres vão surgindo aos poucos como vultos, e por entre sombras espaçadas. As montras exibem e ostentam algum luxo. Noutras, apenas grãos da vida, que se destinam à mesa pobre da ceia provável, talvez feliz, se a família se juntar e o Senhor não faltar. A água escorre em magros rostos como lágrimas disfarçadas em pensamentos duros, que se arrastam passo a passo distraídos e pesados, mas no caminho do ganha-pão, que o patrão exige de obra a baixo custo. Com este salário talvez a prenda dos filhos e dos demais que hão de chegar, fique mais uma vez adiada para uma festa que é de esperança antiga e sempre também de preocupação. A mãe e avó, está de cama sob vigilância do postal da santa devoção, emoldurada sobre a mesa de cabeceira. O pai e marido sem trabalho. O bébé a precisar de fraldas, que as que há estão a secar na corda, ao tempo molhado, que não ajuda. Não há lareira que aqueça, que onde ela se incendeia o perigo espreita e o veneno da fumaça mata. Por isso este frio por toda a casa e na alma que cala. Também não há chaminé que anuncie que nesta casa mora gente, e por isso o Pai Natal não pode entrar por ela e deixar os os presentes, que nos contaram nas histórias da infância ser uma tradição haver, e que começavam todas por, "era uma vez...". O velho barbudo e gordo, carregador do saco da fantasia universal, não tem culpa nem deste inverno nem desta forma de vida, magra. Este Natal vai ser como sempre foi. Descolorido. A contar trocos, a desejar que não falte a luz, nem as velas já tocos só, juntas aos medicamentos que a mãe nossa necessita e quase a acabarem. Os meninos, ao menos têm saúde e o pai olha por eles enquanto eu caminho, trabalho, e levo algum sustento de volta a casa, para repartir pelos que lá ficam. Talvez o Artur ainda venha a ter a mochila nova e as sapatilhas que lhe prometi no ano passado. Talvez. Tenho sorte. Sou rija e aguento todos os natais que um atrás de outro nos castigam e nos fazem comer pão que o diabo amassa junto ao "presépio" repetido, que não se desfaz e aonde penduro as agruras como se fossem rebuçados. Ainda bem que a Festa Sagrada em honra do Menino Divino só se comemora uma vez por ano. Deve ser Ele, que não quer que a gente sofra mais vezes nesta época, que de fartura será por lá, mas dor esconde aqui. Estou-Lhe grata por isso. Por viver entre algum amor. Obrigada meu Jesus. Louvado sejas!*

-(DN-Madrª)-17.12.020)
-(JN-08.01.021/ "Obrigado Jesus, apesar d tudo")
(comentário)
:*(Lindo! Obrigado por enviar. 
Muita saúde para toda a família. 
Cumprimentos. 
Isabel Albuquerque )
                                            

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

O candidato que já o era

 Até que enfim o homem veio proclamar a sua candidatura ao lugar que já ocupa faz tempo. Ninguém se surpreendeu nem deu hurra nem vivas à cristina, salvo se o dito que deu o dito, telefonou à rapariga do tal canal e boa perna, para lhe dizer que vai continuar a andar por aí, ou por Belém. Com algumas mentiras e até pequena hipocrisia, ele doutor sabidola, acabou por apresentar ali perto em “versailles”, debaixo dos toldos sem engraxador por perto, que seguirá a caminho de novo mandato, se o povo não lhe faltar com o voto quase garantido. Mas na apresentação ao público e ao país, o homem disse umas barbaridades. Entre elas, disse que se candidata para enfrentar aquilo que há muito está instalado no seu Portugal de mendigos, de sem-abrigos, de esfomeados, de mal pensionados, de mal alojados, de desempregados acumulados, mas sujeitos a uma crise que dura há séculos e que isso tudo junto é demais para desertar agora por uma questão de comodismo ou familiar. Ora todos sabemos, que todos estes casos já estão instalados desde que o homem assumiu funções presidenciais há quatro anos e nada resolveu. Pelo contrário, deram-se agravamentos sociais, profissionais, e de saúde. O número de sem- abrigos aumentou, e ele parece que não deu por isso, apesar de sair à noite para ajudar a distribuir pão, que rosas à noite não brilham para as câmeras de tv. A hipocrisia aqui também luziu, só os distraídos e fanáticos acéfalos é que não alertou o povo humilde e os que tiram vantagem destas “cenas” no escuro. Portugal está em crise e em penúria desde que é nação a querer integrar-se na Europa dos ricos. A pandemia apenas nos toca há apenas alguns meses, e o homem está no poder e no palácio há anos, e a sua intervenção em nada contribuiu para a diminuir. Pelo contrário. A sua popularidade vem caindo. É certo que o homem leva vantagem sobre os frágeis opositores, com discurso pouco convincente que lhe faça frente. A oposição bem tenta colá-lo agora como sendo ele o candidato do PS ao cadeirão desejado, partido ferido pela geringonça mas que ainda tem “costas” suficiente para o carregar, como o vem fazendo, de tal modo que nem se percebe como ainda não o convidou para um lugar Emérito, após o segundo mandato nos moldes que mantém o povo com o pé descalço e ferido na alma, como no tempo da outra senhora ou até mais preocupado no dia-a-dia. O professor que tanto gosta de comprar a cultura que outros génios que vivem a pão e água, produzem, devia-se recatar mais, o que agora promete fazer. Vai tarde, pois quase todos nós eleitores atentos e críticos, sem venda nos olhos nem máscara que nos impeça de o desmascarar, não o apoiaremos, já que um disfarçado e quase inútil, apanha-se mais depressa que um coxo. É o caso. A mim não me leva ele!*

-(in "OPINIÃO"-jrnl IMEDIATO-online)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

"As manif´s dos cozinheiros"

 - Eu já o denunciei e acertei. Em Portugal, a geringonça diz com solenidade brava, não não não, que as medidas são para levar a sério que o"bicho" sobe pelas paredes acima, mete-se em buracos, e nos órgãos vitais, não nos larga e mata, Juntam-se grupos de pressão que estacionam os Porches e os Lamborguines, e outros topo de gama bem como super telemóveis bem carregados à porta dos subsídios empolados, e em festa de estômago vazio ou "consolados a pão e água", debaixo de tenda a imitar os sem abrigo, organizam-se e manifestam-se até o "governo bravo e corajoso", ceder e ceder até disser, sim sim sim. E assim lá se vai o confinamento e as medidas todas para fazer em papas o covid 19. Os Chef´s sabem engordar os governantes à custa do povo que irá pagar tudo e a todos os que têm poder de reivindicação. Viva Portugal que nem faz bem, e só pode fazer mal. Basta um presidente de câmara ir falar com um qualquer "faminto" farto, por questões de "humanismo", para logo as tendas se desfazerem, e os manifestantes tomarem lugar nos seus bólides a caminho das suas belas moradias e regar a garganta com um scotch velhíssimo, e prepararem a abertura dos seus muitos restaurantes espalhados pelos quatro cantos do país. Isto é que vai uma açorda!*

-*(DNmdrª-05.12.020)

-*(JN - "No fim de contas o povo paga tudo a todos" -31/12/020)

-(comentário)

-Boa noite Joaquim,


Um muito obrigada eu ! Acredite que reúne sim. E é desta forma na minha opinião que se constrói uma sociedade mais construtiva, responsável e participativa. Nunca tinha comentado artigo nenhum em jornal algum, e, quando li o seu artigo foi como se tivesse lido os meus pensamentos, mas de uma forma extraordinária que superou todas as minhas expectativas! Simples e conciso! Extraordinário! Parabéns! Eu que sou da área financeira fiquei maravilhada! Sempre que me for possível comento sim, muito obrigada por mo permitir. Vou estar atenta! 
Um Bom ano! Acredito que vai ser!

Envio-lhe cumprimentos dum pequeno cantinho situado no Alto Minho em Arcos de Valdevez!

Carla M Fonseca