segunda-feira, 30 de abril de 2018

SLBenfica





29 ABR 2018 / 20:04 


    SLB fez espantar o país do Futebol, em pleno estádio da Luz. De acordo com a tabela de aferição do seu técnico, Rui Vitória, o Benfica encaixou uma goleada que não estava de todo nos prognósticos, nesta corrida para a renovação do título e ficou a ver o penta tão badalado, por um canudo, ao perder por 2- 3, defronte do Tondela, clube do distrito de Viseu. Pode-se dizer que o futebol tem destas coisas, mas anedotas deste tamanho e nesta ocasião, parece, difíceis de as construir, e pior, explicar. O SLB, com esta derrota por números que envergonham, não tem outro remédio se não dar os parabéns ao FCPorto, que regressa ao título de campeão nacional, e agarrar-se à possibilidade que lhe resta, que é não se deixar ultrapassar pelos leões, o SCPortugal, e garantir o 2º lugar que lhe pode render menor prejuízo, ao participar na Europa dos milhões, que não cabem numa qualquer mala badalada. Grande feito do Tondela e meritória vitória, pois ganha quem marca mais golos. E quem os marcou foi o clube verde-amarelo, cores que agradariam a Grão-Vasco, se estivesse diante duma tela.
    Joaquim A. Moura - Penafiel*

    *-(pubcdºno DN.madª e CMª30/04 e em 02/05)

    terça-feira, 24 de abril de 2018

    Quase tudo perdido!


    Com certeza que há muita gente que enaltece o 25 de Abril de 74, animado num floreado encravado de vermelho. Com certeza que têm muitas razões para contentamento e sentirem-se ainda hoje em festa. Mas com certeza que há outros muitos, que sentir-se-ão frustrados com a caminhada que esse Abril os obrigou a calcorrear. A Revolução, dita de libertação, provou-nos até hoje, que serviu para enriquecer ainda mais os ricos, e agravar as condições dos pobres, e até juntar-lhes os remediados que existiam na véspera e nos dias seguintes ao acontecimento naquela data. Os pobres, não sentiam a angústia de hoje, nem o desespero em que vivem actualmente. Adormeciam numa pobreza consentida, e acordavam num quadro de exigências aceites como naturais, mas sem a revolta que hoje os assalta. O 25 de Abril, foi bom para o surgimento do oportunismo e enriquecimento ilícito, e muito reles para os que estavam e continuaram de fora das vantagens impossíveis de se lhe chegar. É certo que os que andavam descalços hoje trazem os pés mais protegidos, e os rotos, não vestem prada, mas trajam uma roupita dentro do padrão que a feira e a carteira permite. Hoje ainda há os contentores para recolha de roupa usada, e distribuição de comida aos famintos, com espalhafato reportado. Porém as dificuldades são na actualidade, mais insuportáveis que as sentidas “no tempo da outra senhora”. É verdade que o analfabetismo diminuiu, mas a ignorância mantém-se e dói mais. Os muros são mais visíveis sempre que chegamos à burocracia e ao pedido de ajuda para os ultrapassar. E no entanto o 25 de Abril já foi há 44 anos bem medidos. É verdade que nem tudo foi mau durante estes anos de muita conversa, discurso oficial, criações públicas para privado ver, privilégios e indemnizações chorudas para quem as soube embolsar, mediocridade no poder local e central dos habilitados e diplomados com maus créditos, festins e marchas de protesto, emprego algum e precariedade a rodos, etc. Mas tendo em conta este tempo passado, somos obrigados a pensar, que nos trouxe verdadeiramente tal Revolução floreada, para além desta sorrateira liberdade de expressão, como é este caso e dela uso, sabendo contudo que a mesma liberdade não existe, de publicação, mesmo se ela se exerce no respeito pelas normas estabelecidas por quem as exige e recomenda, e se torna prejudicial por vezes? E sabendo que o silêncio e a vergonha de muitas pessoas e famílias se mantém, por não terem aonde cair mortas, por não receberem um cêntimo ou uma flor sequer, do Estado Social, e disfarçarem os dias à sombra da nova realidade com a amargura velha, como se tudo fosse um mar de rosas ali no banco do jardim ou dentro da barraca que não fala mas esconde olhares embaciados? O 25 de Abril foi o que foi, não é?*

    - *(hoje 25.04no"Público"-mitigado)
    - *(26.04no "Destak"- en...cortado)
    - *(in JN 17.05págª35 c/arranjo)



    sexta-feira, 20 de abril de 2018

    Fraude fiscal

    Ronaldo atira-se à Juíza Mónica Ferrer, no caso da DÍvida Fiscal, em que está seriamente envolvido, por terras de Espanha. Segundo o El Mundo, Cristiano, até neste processo, quer ser comparado a Lionel Messi. Furioso, ele e os seus defensores, dizem que a Justiça espanhola o trata de modo diferente, aplicando dois pesos e duas medidas, para casos idênticos, e quer ter acesso ao processo que envolveu o craque argentino e melhor do mundo. Recebeu em resposta, que, tal processo está acessível a toda a gente, e a ele inclusive, e que o pode consultar a qualquer momento. Mimado, o jogador merengue, e coleccionador de máquinas rolantes, aposta continuar protestando, invadindo agora o recinto da Justiça em fora de jogo. Vamos aguardar pela cor da cartolina que lhe será mostrada, pela Fiscalia e Juiza Mónica, ali no país de onde acabou de sair o presidente Marcelo, que o reclamou para companhia, enquanto por lá distribuiu também uns beijitos. O craque porém, esteve ausente, para não estragar a visita de alto nível! Em Espanha não se brinca, e Ronaldo vai ter de se chegar à frente, com os milhões desviados, mas também muito reclamados. Así es!

    terça-feira, 17 de abril de 2018

    El faraó Marcielo


    Se fosse Marcello, seria ainda assim, um nome reconhecido nos ecrãs. Mas estamos a pensar em Marcielo de Sosa, outro actor respeitável, mas este mais sebastiânico e alfacinha. Após largar o seu papel de faraó, partiu para terras de Espanha, e aí num “castelhego”, deu beijo e aula. O rei e a sua consorte, amigos de peito e de língua familiar, de Marcielo, receberam-no como se da casa fosse, já que no currículo levava a primeira visita aos seis anos que este fez, à cidade real e capital dos Bourbón. El presidente de La República portuguesa, em poucas semanas já correu Ceca e Meca, em busca de riqueza para seu país. Faz jus à sua pedalada dinâmica, e é um autêntico trotamundos. Mas como o país que preside é pequeno, aonde já abrandou o calor das polémicas dos incêndios negros, os desalojados da noite se silenciaram, os sem abrigo que nem pão e outros restos, distribuídos em avental oficial, serenou, onde a recolha de alimentos está suspensa até à próxima, El presidente bueno, partiu com o aroma das essências piramidais, e encontrou-se com nuestros  hermanos, e por lá distribui afectos e los besos, que nosotros conhecemos bien, e a ele engrandece e ao seu álbum de memórias. Uma das contempladas, foi a bela e brilhante rainha, Letícia. Parabéns Marcelo de Sousa, que nos fazes sonhar que a premonição de Saramago de Lanzarote, será uma real…idade. Es de hombre. Sigue adelante, que nosostros te respaldamos!*

    -(pubcdº.in.DESTAK.20.04.018)

    sábado, 14 de abril de 2018

    A Ponte prometida


    Dois autarcas de dois municípios separados por um rio internacional, vão atirar-se a construir mais uma ponte que os ligue, e desentupa o trânsito que atravessa o rio Douro. Com arrojo eleitoral, vieram à praça dos holofotes, e prometeram que a ponte ainda suspensa no projecto, será erguida com muito ou pouco arco, só com dinheiros próprios dos munícipes de ambas as margens. Dos contribuintes. Porque estamos habituados à criatividade, mobilidade, e protagonismo oportunista, dos presidentes deste calibre, desconfiamos que após os golpes de rins e de contorcionismos habituais, a ponte projectada com rebeldia e independência, sem recurso ao Poder Central, que se chama Estado e Povo, sofrerá uma interrupção, quando estiver quase a unir as pontas, ficar a meio, por falta de verba, anunciada folgada com pompa e circunstância, ou Orçamento local que derrapou. E por tal imprevisto, os dois autarcas garbosos, apelarão ao Governo uma ajudinha considerável, para que o projecto armado e cimentado num discurso com ares de autonomia e originalidade, não perca mobilidade e não vá por água abaixo. Aceite o fracasso, o Povo será chamado a atravessar-se e a contribuir, mas a ter direito a estar presente na inauguração. De bem longe, acostado em ambas as margens, a ver os rabelos navegar, ornamentados!

    -*(pubcdº.in "Público".16.04.018 e no dia 18.04)

    A Sportingonça


    Sporteringonça

    14 ABR 2018 / 02:00 H.




      Há já alguns anos que oiço falar de uma geringonça e sem nunca ter percebido do que se tratava. Até que chegou finalmente todo o entendimento, como ketchup, no sentido que Ronaldo usou para explicar um certo jejum. Nos últimos dias, tem-se construído e desenrolado uma crise num circo de leões, a que chamam também, criseringonça, e mais ainda sportingonça. Como é do conhecimento público, o circo tem vários números e personagens, com papéis e funções, unidos como familiares equipados com as mesmas cores e que remam no mesmo sentido – dar espectáculo. Embora apelidados uns, como sportinguistas, e outros, sportingados, todos entram na arena a cantar o mesmo hino, emocionante. Até o treinador das feras, e o presidente bloguista da turma, vertem uma lágrima pelo canto do olho, na hora de ver os artistas entrarem em cena. Sócios e adeptos, compõem a partir da bancada com o seu entusiasmo, a festa, que promete vitórias e sucessos, como nunca se houvera visto. Porém, à medida que surgem os fracassos, e as feras deixam de obedecer e até serem ultrajadas, o circo abana e correm o risco de debandarem, e porem em causa o principal domador e a própria estrutura, a que chamam clube e sociedade sem nome. Tudo com desportivismo. Assim, nascem acusações como bebés numa maternidade, denunciado em post, aonde o pai regista, que é ele que manda antes da mãe, e outros afirmam, que com tal personalidade inquieta na presidência do circo, não há paz. O espectáculo cresce, e os episódios surgem entre comentários diversos, que deixam toda a gente desconfiada de que o homem, mestre-sala e presidente do clube, não anda bem, ou anda transtornado. Levantam-se dúvidas se não será do número de filhos que vai somando por aqui e por ali, originados em vários relvados ou pelados, ou se serão apenas dores de parto, simples, que o afligem desde o banco assistente, que qualquer Barroso cirurgião e apoiante, desdramatiza de olhos bem fechados. Pedem o que já pediam ao chefe máximo. Que feche a matraca, largue o facebook, que vá para a bancada como os demais, ao qual ele responde que tal atitude, corresponderia a perder a voz, e continuar rouco. Não é por falta de mudança de óleo verde, que o dono desta geringonça ronca daquele modo. Agora quer por em discussão o ponto 40 dos Estatutos, como se fosse um paralelo histórico entre coreias antagónicas. Enquanto esperamos pelos próximos episódios do folhetim leonino, nós que não somos lagartos e não rastejamos, aconselhamos o Bruno, personagem desta epopeia, a mudar de óleo mais vezes, para não deixar encaroçar a máquina, que ele tanto quer conduzir - a sporteringonça!





      OUTRAS NOTÍCIAS

      terça-feira, 10 de abril de 2018

      Arquitecto por decreto

      - Se eu algum dia, por obra e milagre de santo dos pedreiros e de s. cifrão, tiver dinheiro suficiente para mandar construir uma casa, mais simples ou apalaçada, quero que o traço e o desenho dela, esteja assinado por arquitecto certificado, com diploma passado e reconhecido por Ordem qualificada. Não quero um projecto rabiscado por um engenheiro de estufa, que agora possa intervir com picareta e talocha, ao mesmo tempo que elabora um lugar com exigências de arte arquitectónica. O país dos governantes com licenciaturas frouxas, até domingueiras, engendraram um decreto na Assembleia Legislativa, que repesca para a arquitectura, que lhes permite fazer o pleno - serem engenheiros civis e arquitectos. Com o manto a cair de um Tomé operário, pretendem tais governantes encobrir a desqualificação de uns quantos coxos e limitados por competências, e com isso, desprestigiando uma classe específica e altamente preparada, que são os arquitectos de facto, os únicos mestres capazes de assinar projectos que exigem, arte e design. É por isso que este país, mantém por aldeias, vilas e escarpas, uma imagem rural, preservável umas vezes, mas incompatível, outras, com a paisagem, e de casebre erguido e tintado com cores aberrantes, pelas poupanças dos de recursos esforçados, que mourejaram por terras lá longe, e de onde regressaram com mãos calosas e deformadas, que Régio tão bem desenhou em poema, belo. Só os arquitectos, podem e devem restaurar com o seu saber e traço, tal paisagem e construir uma imagem melhor inserida, e acolhedora com o ambiente!*

      -(hoje no Destak-págª16)
      (S.Tomé: padroeiro dos arquitectos)
      - (poema de JR-A um camarada)
            

      José Régio


      A UM CAMARADA


      Se me dás essa mão calosa e deformada,
      Aperto-ta na minha, camarada.
      Também, do meu labor, sou eu cativo,
      E a tinta que me suja a mão é sangue vivo.

      Também, na minha testa, há gotas de suor.
      Gelado, o meu. Não sei se teu, pior.
      Exausto, ao fim do dia, és uma simples besta
      Que dorme; e a insónia, a mim, mais me regela a testa.

      Com pedra, terra, cal, cimento, ferro, aço,
      Povoas ou constróis cidades. O que eu faço
      Não se vê tanto! é longe; é lá no escuro
      Das teias do passado e do futuro.

      Pedem-te os filhos pão, que após sofrer, lutar,
      Nem sempre terás tu para lho dar.
      E a mim, - canções, fervor, calor contra o seu frio;
      E eu finjo encher a mão no coração vazio!

      Teu nome, obscuro som, conhecem-no bem poucos.
      Mas o meu, como os doutros que tais loucos,
      Já sem sentido por demais ouvido,
      Pregoam-no os jornais; - e é o dum desconhecido.

      Talvez tu, auto-escravo fixo à terra,
      Nunca erguesses o olhar ao céu, e ao que ele encerra.
      Eu ergo-o; mas, daquela imensidão composta,
      Recaio sobre mim num grito sem resposta.

      Cumpre-se, em ambos nós, a velha praga...E em breve,
      sobre ti, sobre mim, nos seja a terra leve.
      Deixa-os, esses que odeiam, entre nós erguer a espada!
      Dá-me a tua mão suja e honesta camarada.

      José Régio
      (1901-1969) in "A Chaga do Lado" (Sátiras e epigramas)
      (Portugália Abril de 1956)







      sábado, 7 de abril de 2018

      Pai na Terra


      São já quase declarados 18, os filhos, de padres que oram junto ao altar da santa madre igreja. Número que constitui o semelhante a uma equipa e meia de futebolistas. Quem diz que os representantes de Deus na Terra não gostam de molhar a sopa, está muito equivocado, ou anda distraído enquanto vai à missa de tais santos e pecadores. Não é crime gostar-se de jogar num relvado peludinho, encaracolado, ou até bem aparado, como agora se exibe, por áreas tentadoras, e fazer golo logo que a baliza à mercê, se escancara. À medida que o tempo faz caminho, a boa nova chega num carrinho de bebé e alimenta-se, não de hóstia sacra, mas de biberão e papas de mercearia, como o fazem outras famílias nos seus lares, mas sem tanto segredo como o que vai pela paróquia, que estola e batina esconde por debaixo. Dirão uns e umas, e estas são mais do que aqueles, de que os “apóstolos” de hoje que servem a Igreja Imaculada, e que juraram ou fizeram votos de castidade e fidelidade ao Senhor, são homens como os demais, e carregam vícios e virtudes, tão apreciadas ou condenáveis, como os simples pecadores como nós, e gostam do que é bom. Sim. Porque sexo é bom e faz bem, sob qualquer raio de luz, segundo todos os estudos. Então se assim é, qual a razão para tanta abstinência, tanta treva, sobre uma questão de lençóis e suor, tanto sufoco e gemido abafado provocado pelo diabo à solta com o pavio quente e a chama nos olhos? Ainda por cima contribuem para aumentar o índice de natalidade crítico que se vive, o que é de erguer as mãos para o céu em louvação. Conclui-se então, o que os bispos e a sociedade laica, concordarão e aceitarão cada vez mais, de que o que é proibido ao homem, é sofrer por teimar em dizer, que, desta água nunca beberei, e pedir ao Pai que afastem deles, o terno e amoroso cálice que serve ao bom pecado e melhor fim. Haja fé e um pouco mais do resto!


      segunda-feira, 2 de abril de 2018

      A Tiangong lusa

      - A Ciência anda pelas galáxias da amargura. De repente, as notícias puseram os portugueses a olhar para o céu. Não que já não o tivessem feito, pois estava anunciada a Ressurreição do Senhor, mas agora porque estava para cair uma nave espacial, no norte do país. E a notícia precisava a região, sem certeza absoluta. Mas preocupou primeiro, e depois, descansou as cabeças nortenhas e as do Minho ainda mais. A maioria de nós, não tem um neurónio sequer do recém partido,Stephen Wawking, para discernir se o perigo da queda anunciada, era real e quais as consequências. Mas a Tiangong com 15m3 e 8,5 ton. não dava para trazer-nos distraídos nem de noite nem de dia. Afinal de contas e cálculos feitos pela Ciência ultra moderna e mais avançada, a nave não caiu no mar Atlântico e muito menos no rio Minho, e foi, já toda desfeita em pedaços escaldantes e luminosos, despedaçar-se no Pacífico Sul. As estimativas feitas da possibilidade da sua queda em território nacional, caíram por terra, e fez-nos pensar nas estimativas que o ministro Centeno manda para o ar, sobre o nosso Défice, contrariadas pelo Eurostat. Também nos lembrou os relatórios amiúde, que a Saúde avança, sobre o número infectado pelo sarampo, que ora diz que o surto passou, ora as notícias informam, o contrário, e que cada vez há mais atingidos pelo mal. No meio de tanta confusão e alarme, o melhor é resumir as complexas estimativas, cálculos e mapas de orientação, como o faz Isabel dos Santos, uma das donas disto tudo, que diz que contas não é com ela. E se a nave chinesa, divina e celeste desviou-se e não colidiu connosco, já o mesmo não se poderá pensar dos voos desviados, alcançados por super Mário Centeno, pelo Adalberto das vacinas, e pela Isabel do capital volante, que se movem com os pés assentes na terra de navegadores, que os aguenta e lhes dá bom poiso, com os portugueses de cabeça baixa, sem ver o futuro a brilhar!

      Semana de santa festa

      - Semana santa, quaresma de manta,
      que os dias vão frios p´ra capote,
      e na cama é que se está bem.
      E se o salário já cá canta,
      eu encho o meu pote 
      com iguarias de Belém;
      Semana de festa e muito pagode,
      tempos de gozar e viajar,
      q´isto vai p´ra quem pode.
      Deixem o terço e a devoção
      longe do santo altar,
      e partam de carro ou avião;
      Sentem-se à boa mesa,
      peçam do bom e do melhor,
      no hotel ou restaurante;
      Esqueçam o terço da reza
      que o Senhor é pastor
      e só por vezes navegante.
      E se vos der uma dor, 
      ligeira por mais que seja,
      clamem por mezinha purgante,
      ou milagre que se veja
      numa farmácia ao dispor;
      E uma vez recuperados
      dessa má disposição,
      pintem a manta da cor
      que a fantasia dos pecados
      permite salvar-vos com perdão
      e tirar-vos de tais assados,
      com sais de frutos logo à mão!