sexta-feira, 28 de julho de 2017

Mata, disse um. Esfola, diz outra

Ora vamos lá escrever sobre assunto negro, e que penas diferentes já se rebolaram por tudo quanto é papel, e vozes de rádio e têvê fazem eco e ruído q.b. Os partidos de direita, tão tristes e tão saudosos, do tempo da outra senhora, não se enxergam, e não se dão conta do ridículo em que caem, como nenhum palhaço digno se atreveria a correr tal risco e a fazer tal número. E tanto faz ter como porta-voz o monte negro(que ironia), como o recém-eleito, huguinho, acompanhado da turma, com o zezinho e o luizinho, mais o coelhinho. Turma, que tem como matriarca e progenitora de ondas, a cristas. Mulher saudosa dos tempos de menina, passados noutro sertão. P&C, passos e cristas, são, à custa da desgraça alheia, dois compinchas incendiários a quererem escapar por entre as cinzas e do cheiro dos cadáveres, que chega à capital do país, da verborreia e da demagogia, para iludir o pagode. E fazem-no tão desastradamente, que o lodo que originam, os há de sufocar. Eles pensam o contrário, como é apanágio de alguns bonecos de B.D. É claro que provocam grandes risadas, de deitar a mão à barriga, mas o assunto não é para rir. Tais personagens assim despidos de ideias e de criatividade, dedicam-se, cada um igual ao outro, a lançar ultimatos como achas para fogueiras, com o intuito vazio de não deixar os fogos arrefecerem e disso tirarem dividendos, e não permitirem que os mortos descansem em paz, e os familiares façam luto na intimidade do silêncio, na paz que se quer do espírito, e das lágrimas da dor. Estes bonecos, nascidos na prancha do ridículo aonde se movem, vão-se ver negros para saírem limpos do pó que estão a levantar dentro do quadrado que os prende, e que se junta às cinzas e às feridas, que ainda pairam no ar. As eleições que se avizinham e para as quais eles se fadigam, sem mais imaginação, disso nos darão conta, logo após ter saído a lista que nos dão conta, também, do número de vítimas esturricadas, fora das viaturas e dentro do asfalto derretido, e que a direita tanto aprecia querer saber, para seu consolo, e disso fazer chicana política e grosseira, da mais reles que há memória. A direita política, quando fala, exprime-se sempre por dentro de balões vazios ou carregados de azedume, para assustar criancinhas e incautos. A ficção BD, começa a confundir-se com a realidade política. Para alguns coiotes e abutres, numa e noutra, vale tudo!


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Explosivas

As garotas já são, fogo, quando se apresentam com decotes generosos e num passo algo gingão e sensual. Apresentam porém alguns perigos. De gangas, bem ajustadas ao corpo, elas quando desfilam à frente dos nossos arregalados olhos, parecem não permitir que ali caiba mais alguma coisa. Engano nosso. Por debaixo daquele aperto, ainda há espaço para transportar explosivos. Dizem, que tudo vai nas partes íntimas até aos estádios de futebol, para satisfazer os íntimos dos companheiros de claque clubista. E o que são partes íntimas? Coisas da alma ou de paixões nascidas do braseiro escondido que nem paiol para tal arsenal? Não. Tudo está descoberto. São zonas boas, mas de acesso difícil porque sinuoso, que só com autorização ou consentimento se lá chega. Lugar apetecido mas perigoso. Já reflectiram no acidente que pode acontecer, quando um homem mais atrevido ousar meter, não um golo, mas um simples espreitar com a cabeça curiosa ao rubro, que nem fósforo, para dentro de tais partes? Temos estouro com certeza. E também já ponderaram sobre os perigos que correm as “mulas” se acaso se der a desgraça de friccionarem as pernas, uma contra a outra, no seu passo justo, quase atrevido? Temos estouro com certeza, com danos imponderados e efeitos colaterais. É melhor nem pensar em tal coisa. Partes íntimas hoje em garotas e em estádios, são elementos que compõem claques rascas, e são artefactos de fazer de qualquer espectáculo, um ruído violento, criminoso, e com efeitos animalescos de luz, cor e fumo. Petardos são precisos, dizem eles. E elas, acedendo aos pedidos, dizem, mirando o corpo: pernas acima e peito abaixo, para que vos quero? Porém as polícias estão agora atentas, e retiram-lhes as peças excessivas, que se escondem por entre as gorduras!


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Fardas à mesa

Raras são as vezes em que os militares são chamados a sentarem-se à mesa do Poder, como sucede por estes dias. Sabemos da sua importância e também conhecemos o sabor que eles sentem nessas ocasiões. Eles gostam de ser apaparicados. São momentos que lhes aumentam a estima, o brilho e o peso dos galões. Já andam um pouco enfadados de fazer jogos de cartas na Messe, entre uma paciência vezes repetida, e uma partida de bridge, apoiados num William Lawsons, com ou sem pedra de gelo. Também tive a minha vez de fazer luzir um galão aos ombros por cá e por África. Sei do que falo. “Quem são eles quem são eles. Onde é que eles estão”? Exclamaria o palmelão e ex-leão. Façamos um traço da sua condição. Os militares apreciam estas chamadas à formatura governamental, e a pronunciarem-se sobre o que os incomoda e se arrasta por dentro dos quartéis, em surdina por vezes. São matreiros só quanto baste, acreditem. Mas são sobretudo feitos de espinha dorsal, quase todos. Há excepções, claro. Aqueles para quem a farda serve apenas para camuflar outros gestos e atitudes, numa parada aonde desfilarão nus, mais cedo que tarde. Falham no entanto como todos nós. Com maior gravidade ou piores efeitos, com certeza, já que a área em que se movem é fundamental para o equilíbrio e estabilidade do país. Mas erram. São homens como outros, só que quando fardados parecem um corpo com mais armas. Armas que no entanto lhes escapam, sabe-se lá por onde e como. Perguntas que fazem parte do manual de estratégia de guerra no terreno e de sobrevivência. Quando, como, por onde e para onde. Estas, as interrogações que se formulam na hora de decidir uma tomada de posição, sem equívocos e sem hesitações, quando se pretende sair de um lugar para ocupar outro mais objectivo. São no entanto, íntegros. Homens que uma vez dada a palavra, neles se pode confiar. Assim deve e terá de ser, uma vez que são os elementos de defesa e de segurança, dentro da normalidade e da Lei, de um povo e de uma nação. Neles está depositada a confiança da Lealdade. Porém, eles sem actividade num qualquer teatro de operações (expressão que lhes é cara), sério e contínuo, tornam-se invisíveis, apagados, e não gostam. Ocupam com paciência de missionário, o convento que virou quartel, e velhas instalações conservadas, que deram em pousadas. Sentem-se bem no rebuliço ordenado, e por entre o guarda-mato e o ponto de mira. Por isso os governantes e políticos em geral, são forçados a estabelecerem com eles as melhores relações, proximidades, e boas práticas de tratamento. Usarem de pinças e de luvas. Os militares usam-nas, até para pegarem em espadas fora da caserna. À mesa, porém, sabem usar de etiqueta. O militar ainda recorda o fascínio que provocava nas mulheres, que se embeiçavam pelos vincos e pelo talhe da vestimenta. Kubrick sabia-o e projectou-os de algum modo, em Barry Lyndon. Cenário idílico e bélico sempre. A boçalidade que se lhes cola, ficou no retrato antigo, do regime velho e com tom colonial. A Democracia fardou-os com valores e sentidos mais amplos. Tornou-os ainda mais cavalheiros, a par de camaradas. Hoje eles estão à mesa com os que comandam os destinos do país civil, a trocarem argumentos e a porem as cartas todas na mesa. Sabemos que eles escrutinam a limpeza das ordens emanadas para serem postas em marcha. Podem adiar mas não são de rodeios. E foi no adiar que cometeram graves erros, em desconcerto na fiscalização e segurança dos paióis. Hoje eles têm muito vagar, para traçar estratégias e escalas de serviço para manterem os seus quartéis a salvo de qualquer assalto, ridículo sobretudo. Capaz de os envergonhar, como reconheceram, e até os levaram à demissão e exoneração dos cargos e das fardas. Dispensam qualquer protagonismo mas querem atenção. Não querem dar ao gatilho mas antes emitir opinião. Os políticos, também terão que aprender a comportarem-se na formatura com a mesma disciplina que aos militares é exigida. Entre estes entretainer`s parlamentares a coisa é mais difícil, pois à maior parte falta-lhes a coluna vertebral, firme, que os militares sentem e dela fazem questão, enquanto corpo e corporação de boas práticas e costumes, que assentam na disciplina, na ética e no código de honra. Agora, passados estes dias de verão quente e trágico, e embrulhados numa crise, não os mandem regressar aos quartéis, sem lhes manifestarem o respeito e o reconhecimento da sua importância. Eles procuram soluções e não reclusões e silêncio, e muito menos que tudo fique a marcar passo ou em águas de bacalhau podre.


terça-feira, 11 de julho de 2017

Gira a bola

Uns quantos membros do governo em exercício de funções, foram à bola em 2016, para assistir em França, a terra de Sartre, o autor do “As Mãos Sujas”, e de monsieur Miterrand, autor na clandestinidade de filha socialista, dita ilegítima, para dar apoio à nossa representação de gabarito no futebol internacional. Todos vestiram a preceito e de acordo com o acontecimento desportivo. Boné e cachecol a luzir as cores nacionais. Nos pés calçado leve e ligeiro, como pede a disciplina. Imaginamos. Por detrás deste conforto, uma petrolífera em dívida fiscal gigante para com o Estado aonde ela se move, puxada a combustível e energia alternativa, que enegrecem os bolsos dos portugueses pagantes de multi-luxos. A juntar a este “patrocínio galpista”, viagens, bilhetes assegurados, e refeições. Tudo para apaziguar estômagos, animar âmagos, e amaciar fortes emoções. O corridinho portou-se bem até à vitória final. As cores nacionais subiram ao pódio central, e os secretários de Estado regressaram felizes após o superior desfecho na contenda do Campeonato Europeu daquele ano. O pior veio depois. O comportamento dos políticos em prova no governo actual, que no Europeu de Futebol marcaram presença , não foi muito aplaudido e bem apreciado. Surgiram as reprovações, os apupos, a contestação e a constatação de prática que pode integrar crimes de recebimento indevido de vantagem. Incompatibilidades com a transparência exigida a quem desempenha cargos públicos e está sujeito a regras de conduta exemplar, e sem vestígios de benefícios proibidos. Agora esta equipa de secretários, demitiu-se quando lhes sopraram que iam ser constituídos arguidos pelo Ministério Público. A petrolífera espreita, desacelera, e queima tempo. Aguarda que a Justiça a alcance. O governo após assobiar o que pode e na direcção mais a jeito, também faz por mostrar que anda. Apaga os fogos à velocidade que a energia que sobra o permita. O combustível tem aditivo quanto baste. A oposição partidária carrega no acelerador, e aproveita estas saídas de pista da improvável estabilidade da geringonça. Perfilam-se mais obstáculos. As fileiras parecem ceder. Porém todos nos lembramos que no passado recente, o país fez jogos muito piores e com péssimos resultados provocados pelos que agora pedem demissões a torto e a direito. Quase ninguém está disposto a repetir tais resultados. Por isso este governo pode continuar a dirigir os negócios vários, polémicos, e a gerir a vida da nação valente mas chamuscada, e a cheirar a pólvora roubada pela calada, por dentro da rede e longe da ronda. O presidente fotogénico e do postal ilustrado, não deixará que tal nos desfoque, ou nos ofusque demais. Ele é o bombeiro de dia e para todo o serviço. O que é preciso é dar gás aos governantes e à oposição. Viva o pontapé em meia bola demagógica, e força em tal política assombrada. Até que o video-árbitro se pronuncie sobre as legalidades ou não, em tais jogadas, nós estamos cá para bater palmas e sacudir a bandeira!