O Mundo no dia a dia, não passa
de conversa fiada. Os acontecimentos mais escabrosos, tenebrosos, são a matéria
prima para guiões “hollywoodescos” ou para criar através da pena do romancista,
um best-seller. As guerras em geral, os nazi-campos de concentração da dor e
morte, as ocupações de “gazas” e de outras faixas, territórios colonizados, e
de tudo que resulta em fome e matança macabra é motivo principal apenas para
filme, documentário ou tratamento em conferências internacionais, com todos os
líderes refastelados, em pose sorridentes para a fotografia que fará parte de
um álbum, que alguém lhe chamará, histórico, após debitarem muitos lamentos e tecerem
acordos e tomarem medidas que só resultam em nada. As carnificinas ocorridas
até ontem no Mundo,ocupam-nos, ao que parece, mais tempo e provoca maior
preocupação do que as que ocorrem hoje e mais perto de nós por acção dos
“media”, quer no Médio Oriente ou Mundo Árabe(como se de outro “Mundo” se
tratasse), quer da Síria, quer no difícil de roer” Corno de África”, e que se
repetem há muitos e longos anos. Morrem quotidianamente e domesticamente, mais
gente debaixo da força assassina, da bala cobarde e à fome, que somados,
superam a população de algumas Nações, e sem que tal drama mereça mais notícia,
ou que mereça menos notícia que a publicidade ás cuecas do Beckham, ao
baptizado e ás fraldas do CR3.5 – o Ronaldo júnior, e maior contestação no
resto do Mundo ainda em paz. O que se passa na Somália, Etiópia, Eritreia, no
campo de refugiados e da morte de Dadaab, que “aprisiona” uma população que
equivaleria a ser a terceira cidade de Portugal, não provoca nos dias que
nascem a solidaridade que foi erguida no passado para os conflitos dramáticos
nos pós-guerras, e uma reacção enérgica contra os Estados e as políticas
actuais que levam os povos à vida de miséria e à morte miserável. As mecas do
cinema estão atentas, as “câmeras” estão a postos e prontas, os guionistas tomam
notas, mas qualquer “obra artística” que dê em “Espectáculo” com direito a
passerele, sob a direcção de uma ONU da conversa fiada, virá impregnado com o
cheiro a holocausto do tempo moderno e hipócrita.